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Metabolismo energético durante o exercício:
O organismo possui diferentes “reservatórios” de energia.
Os carboidratos ficam armazenados principalmente como glicogênio muscular e hepático, enquanto os lipídios são armazenados sobretudo na forma de triacilgliceróis no tecido adiposo.
Em termos energéticos, a gordura realmente é extremamente eficiente:
- 1 g de gordura fornece cerca de 9 kcal
- 1 g de carboidrato fornece cerca de 4 kcal
Portanto, a densidade energética dos lipídios é aproximadamente 2,2 vezes maior por grama.
Um indivíduo magro pode ter facilmente dezenas de milhares de kcal armazenadas em gordura, enquanto os estoques de glicogênio geralmente ficam em torno de:
- ~300–500 g no músculo
- ~80–120 g no fígado
Isso explica por que a gordura consegue sustentar exercícios prolongados por muitas horas, enquanto o glicogênio se esgota relativamente rápido em exercícios intensos.
Intensidade do exercício e “queima de gordura”:
O estudo de Edward F. Coyle e colaboradores, incluindo Guy A. Brooks e Eric F. Romijn, publicado no American Journal of Physiology em 1993.
Esse estudo mostrou que:
- exercícios leves utilizam proporcionalmente mais gordura;
- exercícios muito intensos dependem mais de carboidratos;
- a maior taxa absoluta de oxidação de gordura costuma ocorrer em intensidade moderada (~60–65% do VO2máx).
Isso é fisiologicamente coerente porque:
- a gordura fornece muita energia;
- porém sua utilização é mais lenta;
- já o carboidrato consegue gerar ATP mais rapidamente.
Por isso, em atividades de alta intensidade, o organismo “migra” para maior uso de glicose.
Um detalhe importante: “zona de queima de gordura”:
Muitas pessoas interpretam esses dados como se exercícios moderados fossem obrigatoriamente melhores para emagrecer.
Isso não é totalmente correto.
O emagrecimento depende principalmente de:
- balanço energético negativo;
- aderência ao treino;
- manutenção de massa muscular;
- controle hormonal e alimentar.
Treinos intensos podem utilizar proporcionalmente menos gordura durante o exercício, mas frequentemente aumentam mais o gasto energético total ao longo do dia e melhoram sensibilidade à insulina, condicionamento cardiovascular e composição corporal.
Ou seja:
- exercício moderado tende a usar mais gordura como combustível imediato;
- exercícios intensos também podem favorecer emagrecimento de forma importante.
Catecolaminas e liberação de gordura:
O texto também menciona corretamente o papel das catecolaminas:
Durante o exercício, elas ativam receptores beta-adrenérgicos, estimulando a lipólise atrvés da:
- adrenalina
- noradreanilina
Isso ativa enzimas como a lipase hormônio-sensível (HSL), promovendo a quebra dos triacilgliceróis em:
- ácidos graxos livres
- glicerol
Os ácidos graxos então podem ser utilizados pelo músculo como combustível
Leptina: o “sensor energético” do corpo:
A segunda parte do texto fala sobre a leptina, um hormônio fundamental no controle do peso corporal.
A leptina é produzida principalmente pelo tecido adiposo e atua no hipotálamo sinalizando ao cérebro que existem reservas energéticas suficientes.
Quando a leptina funciona adequadamente:
- reduz a fome;
- aumenta saciedade;
- favorece gasto energético;
- ajuda na regulação hormonal e reprodutiva.
Ela interage com diversos sistemas neuroquímicos, incluindo:
- serotonina;
- POMC;
- NPY;
- AgRP;
- sistema simpático.
Resistência à leptina: um dos grandes problemas da obesidade:
Na obesidade, muitas pessoas apresentam leptina elevada
O problema é que ocorre resistência à leptina:
- o cérebro deixa de responder adequadamente ao sinal;
- o organismo “age” como se estivesse em privação energética;
- aumenta fome;
- reduz saciedade;
- favorece manutenção do excesso de peso.
Esse mecanismo tem paralelos interessantes com a resistência à insulina.
A leptina vai muito além do apetite:
Hoje sabemos que a leptina também influencia:
- fertilidade;
- eixo hipotálamo-hipófise-gonadal;
- função tireoidiana;
- imunidade;
- inflamação;
- metabolismo ósseo;
- resposta ao exercício.
Níveis muito baixos de leptina podem ocorrer em:
- atletas de endurance;
- anorexia nervosa;
- baixo percentual de gordura;
- restrição calórica extrema.
Nesses casos podem surgir:
- amenorreia;
- queda de libido;
- fadiga;
- redução metabólica;
- alterações hormonais.
Considerações científicas importantes:
-Queimar gordura” não significa necessariamente emagrecer
A oxidação de gordura durante o treino não garante perda de gordura corporal se houver excesso calórico ao longo do dia.
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-O condicionamento físico melhora a capacidade de oxidar gordura
Indivíduos treinados possuem:
- mais mitocôndrias;
- maior capacidade oxidativa;
- maior flexibilidade metabólica.
Isso permite usar gordura de forma mais eficiente durante o exercício.
– Privação de sono altera leptina e grelina
Sono inadequado reduz leptina e aumenta grelina, favorecendo fome e ganho de peso. Isso é muito bem documentado na literatura.
– Dietas extremamente restritivas podem reduzir leptina rapidamente
Isso ajuda a explicar:
- aumento da fome;
- redução do metabolismo;
- dificuldade de manutenção do emagrecimento.
O corpo interpreta perda energética importante como ameaça à sobrevivência.
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Referências
- ROMIJN, J. A. et al. Regulation of endogenous fat and carbohydrate metabolism in relation to exercise intensity and duration. American Journal of Physiology, Bethesda, v. 265, n. 3, p. E380–E391, 1993. Disponível em: American Journal of Physiology.FRIEDMAN, J. M. Leptin and the regulation of body weight. Keio Journal of Medicine, Tokyo, v. 60, n. 1, p. 1–9, 2011. Disponível em: Keio Journal of Medicine.JEUKENDRUP, A. E. Regulation of fat metabolism in skeletal muscle. Annals of the New York Academy of Sciences, New York, v. 967, p. 217–235, 2002. Disponível em: Annals of the New York Academy of Sciences.ROSENBAUM, M.; LEIBEL, R. L. Adaptive thermogenesis in humans. International Journal of Obesity, London, v. 34, supl. 1, p. S47–S55, 2010. Disponível em: International Journal of Obesity.MORTON, G. J. et al. Central nervous system control of food intake and body weight. Nature, London, v. 443, n. 7109, p. 289–295, 2006. Disponível em: Nature.


