Testosterona baixa, disfunção erétil e infarto do coração. Qual a relação?

ESTUDOS  RECENTES TEM CORRELACIONADO TESTOSTERONA BAIXA, DISFUNÇÃO ERÉTIL E INFARTO DO CORAÇÃO.

A principal ação fisiológica da testosterona na função sexual masculina é no desejo sexual, regulando o tempo da ereção peniana durante o sexo.

A ligação entre a disfunção erétil ( impotência) , testosterona baixa e doenças cardiovasculares ( infarto) , atualmente é bem documentada.

Progressos significativos foram feitos no campo da medicina para a impotência desde 1970.

No passado, acreditava-se que a disfunção sexual masculina era puramente psicogênica, mas a maior compreensão da fisiologia da ereção no nível molecular mostrou que a deficiência de testosterona desempenha um papel importante na disfunção sexual.

Homens com baixos níveis de testosterona podem muitas vezes se esquecer como a associação entre a síndrome de deficiência de testosterona (TDS) e suas comorbidades relacionadas, como a síndrome metabólica e doença cardiovascular não são apreciadas e, às vezes, os sintomas e sinais de andropausa  podem não ser óbvios.

Os testes recomendados para homens com disfunção erétil incluem:

  • glicemia de jejum
  • colesterol e frações
  • testosterona total e livre
  • Estradiol
  • DHT
  • TSH ( avaliação de tireóide)
  • Cortisol basal

Uma gama de preparações de testosterona estão disponíveis para suplementação e a combinação da terapia de reposição de testosterona e inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), pode melhorar os resultados em alguns casos.

A escolha da terapia de reposição de testosterona deve ser uma decisão conjunta entre o paciente informado e seu médico, e acompanhamentos regulares devem ser realizados para avaliar a eficácia do tratamento e manter vigilância para eventos adversos.


Testosterona baixa e Disfunção Erétil ( impotência)

A testosterona é vital para o funcionamento normal ao longo de uma vida do homem e um nível de testosterona reduzido poderia comprometer o bem-estar geral do homem e sua função sexual.

A literatura publicada mostrou que a testosterona controla, direta ou indiretamente, vários mecanismos pertinentes a função erétil do pênis, tais como a promoção e diferenciação de células-tronco do pênis para o fenótipo das células de músculo liso penianas, a atividade da óxido nítrico-sintase cavernosa e da via de RhoA-quinase [1].

Mais importante ainda, a testosterona também regula a expressão de fosfodiesterase tipo 5, e ao fazê-lo mantém uma relação homeostática entre as isoformas de sintase do óxido nítrico e da enzima PDE5 que é responsável pela ereção do pênis [2].

Além de ereção peniana, a testosterona também regula outros aspectos do desejo sexual masculino.

Enquanto ereções são possíveis em condições hipogonadais, estudos mostraram que os pacientes com diminuição dos níveis de desejo sexual têm progressivamente menores concentrações de testosterona do que os homens que mantêm seu desejo sexual

O desejo sexual/libido é universalmente aceito como um dos aspectos mais dependente de testosterona do comportamento sexual masculino [3].

Parece que a testosterona é responsável na regulação do tempo do processo erétil em função de desejo sexual, coordenando assim a ereção com o sexo [4].

Alguns estudos mostraram que um maior nível de andrógeno potencialmente desempenha um papel dominante no aumento da frequência de comportamentos de autoerotismo [5] e propensão para casos extraconjugais [6].

Estudos recentes também têm destacado o papel da testosterona na disfunção ejaculatória, através do efeito da testosterona sobre o metabolismo do óxido nítrico no controle central e periférico da ejaculação que poderiam ser responsáveis em condições tais como a ejaculação prematura [7].

 

penis

 

Em um trabalho de pesquisadores Australianos, publicado no Journal of Endocrinology, Diabetes & Obesity em 2013, sobre deficiência de testosterona e disfunção erétil, o Dr. Chung, principal autor, concluiu que “o hipogonadismo/hipoandrogenismo moderado não é incomum e a combinação de sintomas e sinais podem auxiliar na identificação da andropausa

 

Embora hipoandrogenismo ( testosterona baixa) possa ser a principal causa da disfunção erétil em pacientes mais jovens, a disfunção erétil é muitas vezes multi-fatorial em fisiopatologia e por isso é pouco provável que seja o deficiência de testosterona seja o único contribuinte para o desenvolvimento e progressão da disfunção erétil.

Por esta razão, a terapia de combinação entre inibidores da PDE5 ( viagra por exemplo)  e TRT deve ser considerada como a primeira linha na maioria dos casos, pois pode melhorar o resultado clínico do que apenas usando a TRT”.

Disfunção Erétil como preditora de doença cardiovascular ( infarto)

Embora tenha sido reconhecido que a disfunção erétil (DE) e doença arterial coronariana compartilham muitos dos mesmos fatores de risco, tabagismo, dislipidemia, diabetes e hipertensão, apenas nos últimos poucos anos, vários novos estudos sugerem que a IMPOTÊNCIA é um importante indicador precoce da presença de doença arterial coronariana.

Análises recentes sugerem que os sintomas IMPOTÊNCIA  ocorrem antes dos sintomas da doença da artéria coronária e pode ser um preditor de futuros eventos cardiovasculares maiores.

Alguns desses novos estudos também sugerem que a IMPOTÊNCIA é um fator de risco independente para a predição de eventos cardiovasculares, de outros fatores de risco bem estabelecidos.

Tomados em conjunto, estes novos estudos sugerem que a quando um paciente apresenta-se com IMPOTÊNCIA, o paciente deve ser questionado sobre a saúde cardíaca e fatores de risco cardiovasculares.

Se os fatores de risco cardiovasculares forem identificados, eles devem ser trabalhados e tratados de forma agressiva nesta terapia salva-vidas.

Vários estudos muito recentes mostram que a IMPOTÊNCIA  prediz o futuro desenvolvimento da doença arterial coronariana.

Em alguns destes estudos a IMPOTÊNCIA foi uma preditora independente da futura doença cardiovascular e equivalente a outros fatores comuns de risco cardiovascular.

O Dr. Kloner, do Heart Institute, Good Samaritan Hospital, Los Angeles e Division of Cardiovascular Medicine, University of Southern California, concluiu em trabalho publicado na International Journal of Impotence Research, em 2008 que:

“os profissionais de saúde precisam ver a DE como um potencial fator de risco cardiovascular e não apenas uma ou distúrbio urológico ou psicogênico.

Os pacientes apresentando DE devem ser questionados a respeito do histórico cardíaco e alertados para fatores de risco cardiovascular, como sugerido pela recente Segunda Princeton Consensus Conference [9].

Saiba mais :

 

Testosterona baixa em Homens – a Andropausa

 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

1. Traish AM, Goldstein I, Kim NN. Testosterone and erectile function: from basic research to a new clinical paradigm for managing men with androgen insufficiency and erectile dysfunction. Eur Urol. 2007; 52: 54-70.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Eur+Urol.+2007%3B+52%3A+54-70

2. Chung E, De Young L, Brock GB. Investigative models in erectile dysfunction: a state-of-the-art review of current animal models.  J Sex Med. 2011; 8: 3291-3305.

http://www.jsm.jsexmed.org/article/S1743-6095(15)33341-5/fulltext

3. Wang C, Nieschlag E, Swerdloff R, Behre HM, Hellstrom WJ, Gooren LJ, et al. Investigation, treatment, and monitoring of lateonset hypogonadism in males: ISA, ISSAM, EAU, EAA, and ASA recommendations. Eur Urol. 2009; 55: 121-130.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18772485

4. Vignozzi L, Corona G, Petrone L, Filippi S, Morelli AM, Forti G, et al. Testosterone and sexual activity. J Endocrinol Invest. 2005; 28: 39-44.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Testosterone+and+sexual+activity.+J+Endocrinol+Invest. +2005%3B+28%3A+39-44

5. Corona G, Ricca V, Boddi V, Bandini E, Lotti F, Fisher AD, et al. Autoeroticism, mental health, and organic disturbances in patients with erectile dysfunction. J Sex Med. 2010; 7: 182-191.

http://www.jsm.jsexmed.org/article/S1743-6095(15)32846-0/fulltext

6. Bandini E, Corona G, Ricca V, Fisher AD, Lotti F, Sforza A, et al. Hysterical traits are not from the uterus but from the testis: a study in men with sexual dysfunction. J Sex Med. 2009; 6: 2321-2331.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19493294

7. Armagan A, Kim NN, Goldstein I, Traish AM. Dose-response relationship between testosterone and erectile function: evidence for the existence of a critical threshold. J Androl. 2006; 27: 517-526.

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.2164/jandrol.05157

8. Chung E, Al-Bermani OS, Fowler RP, Gillman MP (2013) Testosterone Deficiency and Erectile Dysfunction: A Practical Approach to Diagnosis and Management. J Endocrinol Diabetes Obes 1(2): 1012.

https://espace.library.uq.edu.au/view/UQ:372246

9. Kostis JB, Jackson G, Rosen R, Barrett-Connor E, Billups K, Burnett AL et al. Sexual dysfunction and cardiac risk (the Second Princeton Consensus Conference). Am J Cardiol 2005; 96: 313–321.

http://www.ajconline.org/article/S0002-9149(05)00671-5/abstract

10. Kloner RA. Erectile dysfunction as a predictor of cardiovascular disease. International Journal of Impotence Research (2008) 20, 460–465.

https://www.nature.com/articles/ijir200820

11. Malkin CJ, et al. Testosterone therapy in men with moderate severity heart failure: a double-blind randomized placebo controlled trial. Eur Heart J. 2006 Jan; 27(1): 57—64.

https://academic.oup.com/eurheartj/article/27/1/57/608065

12. Marks LS, et al. Effect of testosterone replacement therapy on prostate tissue in men with late-onset hypogonadism: a randomized controlled trial. JAMA 2006 Nov 15; 296: 2351—2361.

https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/204163

13. Shores MM, et al. Low serum testosterone and mortality in male veterans. Arch Intern Med. 2006 Aug 14-28; 166(15):1660—1665.

https://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/fullarticle/410768

14. Travison TG, et al. The relative contributions of aging, health, and lifestyle factors to serum testosterone decline in men. J Cli Endocrinol Metab. 2007 Feb; 92(2): 549—555.

https://academic.oup.com/jcem/article/92/2/549/2566787

 

 

Dr. Roberto Franco do Amaral Neto

Dr. Roberto Franco do Amaral Neto

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26 respostas

  1. fiz uso de anabolizantes 4 anos atras…. acho que sentindo as causas agora… qual especialidade medica devo procurar…. endocrino seria a escolha certa

  2. Boa tarde! Dr. Roberto Franco do Amaral Neto, seu site é o melhor site que já acessei… Sou profissional de saúde e por me interessar com pelo ASSUNTO SAÚDE, me identifiquei com vosso site. MEUS PARABÉNS pela forma com que socializa parte de seu conhecimento com os internautas.
    Estou fazendo para obesidade e descobri que alguns fatores sanguíneos estão alterados, como o retorno ao médico está longe para acontecer, busquei algumas informações em sites (vários), FELIZMENTE, encontrei vosso site, pois durante a leitura de alguns materiais pude ter uma noção melhor de como os hormônios e neurotransmissores atuam de forma interligada e mobiliza todos os sistemas corpóreos.

  3. Olá, estou procurando ajuda para meu marido, ele tem problemas de ereção e tem apenas 26 anos, ele sofreu um acidente de moto ficando deficiente da perna e teve traumatismo, tanto o ortopedista quanto o urologista falaram que o problema dele não é físico, ele ja tomou a azul , até tomando isso as vezes falha, nao sei o que fazer, ele fica muito constrangido e eu as vezes me sinto rejeitada pois acho que a culpa não é minha, estamos pensando na hipótese da testosterona, por favor me de uma luz, o que fazer qual tratamento procurar?

    1. Procure em endocrinologista para avaliação hormonal. Mas caso seja de ordem neurológica em função do acidente, pode ser indicado prótese peniana. Recomendo procurar o Dr Rafael Higashi no Rj, neuro e ortomolecular que pode ajudar em casos como esse.

  4. Olá ,meu esposo tem 38 anos, porém há dez anos vem denso uma diminuição da libido. Já foi realizado exames e comprovado um défice de testoterona.
    Minha pergunta é : qual profissional devo procurar p iniciar o tratamento?

  5. BOM DIA DOUTOR !!! O SEU SITE FOI O MAIS EFICIENTE QUE ENCONTREI PARA ASSIM SANAR ALGUMAS DUVIDAS , SEMPRE FUI UM PRATICANTE DE ATIVIDADES FÍSICAS , A MAIS OU MENOS 1 ANO ATRAS EU FIZ USO DE 02 SUBSTANCIAS , UMA CHAMADO DIANABOL E OUTRA STANOZOLOL,,, AMBAS EU INGERIA 20 MG AO DIA POR CERCA DE 45 dias , OBTIVE ALGUNS RESULTADOS , AO TERMINO TOMEI ALGUNS MEDICAMENTOS PARA REGULARIZAR E EVITAR POSSIVEIS COLATERAIS , OS RESULTADOS FORAM EVIDENTES POREM A PERCA FOI MAIS RÁPIDA DO QUE O GANHO EM SÍ, E DE LA PRA CA NOTEI UMA DEFICIÊNCIA EM MANTER EREÇOES , POR UM TEMPO IMAGINEI SER ALGO PSICOLÓGICO, POIS NESSE MEIO TEMPO ATÉ ME SEPAREI E PASSEI POR PROBLEMAS FINANCEIROS , MAS DE UM TEMPO VENHO NOTANDO ALGUNS PONTOS , NAO TENHO EREÇOES MATINAIS , A DISFUNÇÃO ERÉTIL ME CAUSOU UMA BAIXA NA LIBIDO. NAO Q EU NAO QUEIRA E O FATO DE PENSAR Q POSSO FALHAR , GANHEI GORDURA NA REGIÃO ABDOMINAL, COMO NAO POSSUO ALGUM CONVENIO MEDICO , COMECEI A ESTUDAR MUITO NA INTERNET E A MINHA PARCEIRA CONVERSA MUITO SOBRE , NÃO ESCONDI OU ME FECHEI EM RELAÇÃO AO ASSUNTO. AO COMEÇAR A ESTUDAR SOBRE,, CHEGUEI A CONCLUSÃO DEQUE MEU EIXO HORMONAL PODE ESTAR DESREGULADO POR INCONSEQUÊNCIA MINHA EM UTILIZAR SUBSTANCIAS PROIBIDAS E SEM ORIENTAÇÃO DE UM MEDICO. COMO BEM SEI QUE A REDE PUBLICA NAO VAI CONSEGUIR ME ATENDER E NO MOMENTO ESTOU SEM CONDICOES DE UMA ANALISE PARTICULAR , RESOLVI MANIPULAR UM POLIVITAMICO DE ZINCO E MAGNESIO E ESTOU INGERINDO VITAMINA C , VOLTEI A MUSCULAÇÃO ENFATIZANDO MAIS OS MEMBROS INFERIORES E A ALIMENTACAO ESTA BEM NATURAL O SONO ESTOU TENTANDO AJUSTAR , POREM FIZ A COMPRA DE ANDROGEL 50 MG E UM FARMACO DE NOME CITRATO DE TAMOXIFENO 20 MG , ESTOU NO SEGUNDO DIA DE USO E ESPERO TENTAR RECUPERAR O EIXO NORMAL, RESLATANDO Q NAO FIZ EXAMES ALGUNS . DIA 17 PASSAREI EM CONSULTA COM UM CLINICO , E FAREI UM CHEQUE-UP ,,, VOU PEDIR EXAMES DE DIABETES COLESTEROL E TENTAR ATÉ UM EXAME HORMONAL , COISA Q EU ACHO IMPOSSIVEL.
    SEM QUE NAO ESTOU FAZENDO CERTO , TO TENTANDO CONCERTAR UM ERRO COM UM POSSIVEL OUTRO , MAS A DISFUNÇÃO MATA QUALQUER HOMEM.
    ATT

  6. oi boa tarde, o meu companheiro não consegue me satisfazer ou seja o “Bebe”dele não levanta para mim nossa ele ficou muito envergonhado e pediu muitas desculpas. Sr. Dr. pode esclarecer o porque

  7. Boa tarde, o Sr. Faz . modulação hormonal masculina (impotência)? Se faz qual o valor aproximado para tratamento particular?

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