Leptina, Emagrecimento: Como o Corpo Queima Gordura.

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A leptina vai muito além do apetite:

🔬 Hoje sabemos que a leptina também influencia:

  • Fertilidade
  • Emagrecimente e Ganho de Peso
  • Eixo hipotálamo-hipófise-gonadal
  • Função tireoidiana
  • Imunidade
  • Inflamação
  • Metabolismo ósseo
  • Resposta ao exercício

⚠️ Níveis muito baixos de leptina podem ocorrer em:

  • Atletas de endurance
  • Anorexia nervosa
  • Baixo percentual de gordura
  • Restrição calórica extrema

🩺 Nesses casos podem surgir:

  • Amenorreia
  • Queda de libido
  • Fadiga
  • Redução metabólica
  • Alterações hormonais

Metabolismo energético durante o exercício:

O organismo possui diferentes “reservatórios” de energia.

Os carboidratos ficam armazenados principalmente como glicogênio muscular e hepático, enquanto os lipídios são armazenados sobretudo na forma de triacilgliceróis no tecido adiposo.

Em termos energéticos, a gordura realmente é extremamente eficiente:

🧈 Gordura

≈ 9 kcal/g

Armazenada como triacilgliceróis no tecido adiposo

🍞 Carboidrato

≈ 4 kcal/g

Armazenado como glicogênio no músculo e no fígado

⚖️ A densidade energética dos lipídios é aproximadamente 2,2 vezes maior por grama.

Comparando o tamanho dos estoques:

🔥 Estoque de gordura

  • Dezenas de milhares de kcal
  • Presente até em pessoas magras
  • Combustível “praticamente” ilimitado

⚡ Estoque de glicogênio

  • ~300–500 g no músculo
  • ~80–120 g no fígado
  • Reserva limitada e rápida

💡 Por isso a gordura sustenta exercícios prolongados por muitas horas, enquanto o glicogênio se esgota relativamente rápido em exercícios intensos.


Intensidade do exercício e “queima de gordura”:

O estudo de Edward F. Coyle e colaboradores, incluindo Guy A. Brooks e Eric F. Romijn, publicado no American Journal of Physiology em 1993.

Esse estudo mostrou que:

  • exercícios leves utilizam proporcionalmente mais gordura;
  • exercícios muito intensos dependem mais de carboidratos;
  • a maior taxa absoluta de oxidação de gordura costuma ocorrer em intensidade moderada (~60–65% do VO2máx).

Isso é fisiologicamente coerente porque:

  • a gordura fornece muita energia;
  • porém sua utilização é mais lenta;
  • já o carboidrato consegue gerar ATP mais rapidamente.

 Por isso, em atividades de alta intensidade, o organismo “migra” para maior uso de glicose.

Metabolismo energético durante o exercício: carboidratos x lipídios e oxidação de gordura conforme a intensidade


Um detalhe importante: “zona de queima de gordura”:

Muitas pessoas interpretam esses dados como se exercícios moderados fossem obrigatoriamente melhores para emagrecer.

Isso não é totalmente correto.

O emagrecimento depende principalmente de:

  • balanço energético negativo;
  • aderência ao treino;
  • manutenção de massa muscular;
  • controle hormonal e alimentar.

Treinos intensos podem utilizar proporcionalmente menos gordura durante o exercício, mas frequentemente aumentam mais o gasto energético total ao longo do dia e melhoram sensibilidade à insulina, condicionamento cardiovascular e composição corporal.

Ou seja:

  •  exercício moderado tende a usar mais gordura como combustível imediato;
  • exercícios intensos também podem favorecer emagrecimento de forma importante.

Catecolaminas e liberação de gordura:

Durante o exercício, elas ativam receptores beta-adrenérgicos, estimulando a lipólise através das catacolaminas:

  • adrenalina
  • noradreanilina

Isso ativa enzimas como a lipase hormônio-sensível (HSL), promovendo a quebra dos triacilgliceróis em:

  • ácidos graxos livres
  • glicerol

Os ácidos graxos então podem ser utilizados pelo músculo como combustível !


Leptina: o “sensor energético” do corpo:

A leptina é produzida principalmente pelo tecido adiposo e atua no hipotálamo sinalizando ao cérebro que existem reservas energéticas suficientes.

Quando a leptina funciona adequadamente:

  • reduz a fome;
  • aumenta saciedade;
  • favorece gasto energético;
  • ajuda na regulação hormonal e reprodutiva.

Ela interage com diversos sistemas neuroquímicos, incluindo:

  • serotonina;
  • POMC;
  • NPY;
  • AgRP;
  • sistema simpático.

Resistência à leptina: um dos grandes problemas da obesidade:

Na obesidade, muitas pessoas apresentam leptina elevada.

O problema é que ocorre resistência à leptina:

  • o cérebro deixa de responder adequadamente ao sinal;
  • o organismo “age” como se estivesse em privação energética;
  • aumenta fome;
  • reduz saciedade;
  • favorece manutenção do excesso de peso.

Esse mecanismo tem paralelos interessantes com a resistência à insulina

.

Leptina: o hormônio que liga gordura, fome e metabolismo, e a resistência à leptina


Considerações científicas importantes:

-Queimar gordura” não significa necessariamente emagrecer

A oxidação de gordura durante o treino não garante perda de gordura corporal se houver excesso calórico ao longo do dia.

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-O condicionamento físico melhora a capacidade de oxidar gordura

Indivíduos treinados possuem:

  • mais mitocôndrias;
  • maior capacidade oxidativa;
  • maior flexibilidade metabólica.

Isso permite usar gordura de forma mais eficiente durante o exercício.


– Privação de sono altera leptina e grelina

Sono inadequado reduz leptina e aumenta grelina, favorecendo fome e ganho de peso. Isso é muito bem documentado na literatura.


– Dietas extremamente restritivas podem reduzir leptina rapidamente

Isso ajuda a explicar:

  • aumento da fome;
  • redução do metabolismo;
  • dificuldade de manutenção do emagrecimento.

O corpo interpreta perda energética importante como ameaça à sobrevivência.

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VOCÊ  TAMBÉM PODE GOSTAR :

Emagrecimento Além da Contagem de Calorias.

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Referências

  • ROMIJN, J. A. et al. Regulation of endogenous fat and carbohydrate metabolism in relation to exercise intensity and duration. American Journal of Physiology, Bethesda, v. 265, n. 3, p. E380–E391, 1993. Disponível em: American Journal of Physiology.FRIEDMAN, J. M. Leptin and the regulation of body weight. Keio Journal of Medicine, Tokyo, v. 60, n. 1, p. 1–9, 2011. Disponível em: Keio Journal of Medicine.JEUKENDRUP, A. E. Regulation of fat metabolism in skeletal muscle. Annals of the New York Academy of Sciences, New York, v. 967, p. 217–235, 2002. Disponível em: Annals of the New York Academy of Sciences.ROSENBAUM, M.; LEIBEL, R. L. Adaptive thermogenesis in humans. International Journal of Obesity, London, v. 34, supl. 1, p. S47–S55, 2010. Disponível em: International Journal of Obesity.MORTON, G. J. et al. Central nervous system control of food intake and body weight. Nature, London, v. 443, n. 7109, p. 289–295, 2006. Disponível em: Nature.

Dr. Roberto Franco do Amaral – Especialista em Medicina Laboratorial CRM 111310

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