Vinho e saúde: Dr Roberto responde.

roberto franco do amaral melhor medico

O vinho tinto  é uma bebida alcoólica proveniente da fermentação de uvas roxas  que transforma a frutose de fruta em álcool etílico.

Tem uma  concentração moderada de álcool , em média 11 a 13% do volume  e  pouca quantidade de açúcar em função da transformação do açúcar das uvas ( frutose) em álcool etílico.

A fermentação alcoólica é um processo biológico, no qual açúcares, como a glicose, frutose e sacarose, são convertidos em energia celular com produção de etanol e dióxido de carbono como resíduos metabólicos

Tais uvas, possuem um polifenol antioxidante chamado resveratrol que se mostrou em alguns trabalhos protetor da saúde cardiovascular prevenindo a ateroesclerose, aumento do colesterol bom (HDL) e prolongar a vida ativando uma enzima da longevidade, chamada SIRT 1.

Por conter álcool, o consumo excessivo pode causar distúrbios sociais, intoxicação etílica levando ao coma, sobrecarga no fígado, cirrose hepática e câncer no uso prolongado.

Além disso, o consumo agudo ou crônico podem gerar alterações no sistema  cardiovascular , podendo alterar a pressão arterial, frequência cardíaca e até arritmias.

Vinho realmente faz bem para a saúde ou isso é um mito?

Durante muitos anos, estudos observacionais associaram o consumo moderado de vinho a menor risco cardiovascular e maior longevidade. Entretanto, pesquisas mais recentes indicam que parte dessa associação pode ser explicada por outros fatores: alimentação mais saudável, maior renda, atividade física, convívio social e menor frequência de tabagismo.

Atualmente, não se recomenda começar a beber vinho com a finalidade de proteger o coração. A Organização Mundial da Saúde afirma que não existe consumo de álcool completamente isento de riscos. (OMS)


E o consumo de vinho nas chamadas Blue Zones?

Em algumas regiões associadas à longevidade, o vinho aparece integrado às refeições e ao convívio social. Contudo, isso não significa que seja o responsável pela longevidade.

Essas populações também apresentam alimentação predominantemente natural, atividade física diária, vínculos comunitários, menor tabagismo e forte senso de propósito. Provavelmente, o conjunto desses hábitos é muito mais relevante do que o vinho isoladamente.


O resveratrol do vinho oferece proteção?

O resveratrol possui propriedades antioxidantes demonstradas principalmente em estudos laboratoriais. Porém, a quantidade presente em uma taça de vinho é pequena e não há evidência suficiente para indicar vinho como fonte terapêutica dessa substância.

Uvas, frutas vermelhas e outros alimentos vegetais oferecem compostos antioxidantes sem os riscos relacionados ao álcool.


O vinho pode ter algum aspecto positivo?

O possível benefício está mais relacionado ao contexto social — refeições compartilhadas, celebrações e integração entre as pessoas — do que propriamente ao álcool.

Esses benefícios sociais podem ser obtidos sem bebidas alcoólicas. Portanto, não é necessário beber para melhorar a saúde ou aumentar a longevidade.


Existe uma quantidade de álcool considerada segura?

Não existe uma dose totalmente segura, principalmente em relação ao câncer. O risco tende a aumentar conforme crescem a quantidade e a frequência do consumo.

Para fins de comparação, uma dose-padrão contém aproximadamente 14 gramas de álcool, quantidade encontrada em cerca de:

  • 150 ml de vinho a 12%;
  • 350 ml de cerveja a 5%;
  • 45 ml de destilado a 40%.

Essas medidas servem apenas para quantificar o álcool e não significam que o consumo seja recomendado. Crianças, adolescentes, gestantes e pessoas com determinadas doenças ou em uso de medicamentos não devem consumir bebidas alcoólicas. (NIAAA)


Quais problemas o álcool pode causar?

Os efeitos não se restringem ao fígado. O consumo pode aumentar o risco de:

  • hipertensão arterial e fibrilação atrial;
  • cardiomiopatia alcoólica;
  • pancreatite e doenças digestivas;
  • cirrose e outras doenças hepáticas;
  • dependência e alterações neurológicas;
  • acidentes e conflitos sociais;
  • câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, fígado, mama e intestino.

Mesmo quantidades pequenas podem elevar discretamente o risco de alguns cânceres. (Instituto Nacional do Câncer dos EUA)

 

Dr. Roberto Franco do Amaral – Especialista em Medicina Laboratorial CRM 111310

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