A retatrutida, o primeiro agonista triplo de receptores da sua classe, visa revolucionar o tratamento farmacológico da obesidade e do diabetes tipo 2.
Este medicamento inovador demonstrou melhorar os resultados terapêuticos, proporcionando reduções mais acentuadas tanto no peso corporal quanto nos níveis de HbA1c do que as farmacoterapias atuais.
Entre os pacientes mais pesados do ensaio clínico, os resultados foram comparáveis aos observados com a cirurgia bariátrica do tipo bypass gástrico, hoje o único tratamento realmente eficaz para a maioria dos casos de obesidade grave.
O medicamento, chamado retatrutida, parece ser o mais potente até agora em uma onda de injeções e comprimidos que vêm transformando o tratamento da obesidade, a ponto de alguns participantes de outros estudos relatarem que interromperam o uso porque sentiram que estavam emagrecendo demais.
Mas antes de continuar lendo: a retatrutida ainda NÃO está aprovada.
Não está disponível em farmácias.
Não pode ser manipulada. E no Brasil, a Anvisa já proibiu sua circulação em janeiro de 2026.
Dito isso, vamos entender por que todo mundo está falando sobre ela.
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MECANIMOS DE AÇÃO DE RETATRUTIDA
O que é a retatrutida?
A retatrutida é o que os médicos chamam de agonista triplo ela age simultaneamente em três receptores hormonais: GIP, GLP-1 e glucagon. Para comparar: o semaglutida (Ozempic, Wegovy) age em apenas um receptor. A tirzepatida (Mounjaro) age em dois. A retatrutida age nos três.
Na prática, isso significa que o organismo recebe um sinal muito mais forte para reduzir o apetite, aumentar o gasto energético e melhorar o metabolismo como um todo. O resultado, nos estudos, foi uma perda de peso que deixou até os próprios pesquisadores surpresos.
AGONSTA DOS RECEPTORES DE GLUCAGON
MECANIMOS DE AÇÃO DE RETATRUTIDA
O que os estudos mostraram?
O estudo mais recente — chamado TRIUMPH-4, de fase 3 — foi divulgado pela Eli Lilly em dezembro de 2025.
Foram 68 semanas de acompanhamento, com 445 participantes que tinham obesidade ou sobrepeso e osteoartrite de joelho.
Os números foram impressionantes:
- Participantes que usaram retatrutida 12mg perderam em média 28,7% do peso corporal — isso equivale a cerca de 32 kg em pessoas que tinham, em média, 112 kg.
- Com a dose de 9mg, a perda foi de 26,4% — aproximadamente 29 kg.
- No grupo placebo (sem o remédio), a perda foi de apenas 2,1%.
- Quase 59% dos participantes na dose mais alta atingiram uma perda de peso de 25% ou mais.
Além do peso, a dor no joelho causada pela artrose também melhorou de forma significativa — mais de 74% de redução no escore de dor nos grupos que usaram o medicamento.
É um resultado que rivaliza com o bypass gástrico. E isso é dito com muita seriedade, não como exagero de manchete.
Emagrecer demais? Isso realmente aconteceu?
Sim, e virou notícia no mundo inteiro. Alguns voluntários de estudos com a retatrutida pediram para sair — não por efeitos colaterais clássicos, não porque o remédio não funcionava, mas porque acharam que estavam perdendo peso rápido demais e ficaram com medo.
É um cenário inédito na medicina. Nunca antes um medicamento para obesidade havia causado esse tipo de abandono de estudo.
Claro que isso precisa ser visto com cuidado. Estudos clínicos têm descontinuações por várias razões, e os dados mostram que as taxas de interrupção por eventos adversos também foram relevantes — principalmente náuseas e outros efeitos gastrointestinais, comuns nessa classe de medicamentos. Então o “emagreci demais e tive medo” é real, mas é parte de um quadro maior.
Por que a retatrutida ainda não está disponível?
Porque medicina séria não funciona na velocidade das redes sociais.
A retatrutida ainda está em fase de testes clínicos. A Eli Lilly tem oito estudos de fase 3 em andamento — o TRIUMPH-4 foi o primeiro a divulgar resultados.
Os demais estão com resultados esperados para 2026. Só depois disso a empresa poderá pedir aprovação aos órgãos reguladores, como o FDA nos EUA e, posteriormente, a Anvisa no Brasil.
Esse processo leva tempo. E é importante que leve. Resultados impressionantes em estudos não significam, automaticamente, segurança comprovada para uso amplo na população.
No Brasil, a situação ficou ainda mais grave: a retatrutida chegou a circular em perfis clandestinos no Instagram antes mesmo de qualquer aprovação. A Anvisa reagiu e proibiu sua comercialização em janeiro de 2026.
COMO AGE
Qual a diferença para o Ozempic e o Mounjaro?

Desfechos de Osteoartrite (Eficácia Funcional)
O estudo utilizou o índice WOMAC (Western Ontario and McMaster Universities Osteoarthritis Index) para avaliar dor e função física.
- Redução da Dor: O grupo de 12 mg apresentou redução de -75,8% na pontuação de dor WOMAC (redução absoluta de 4,4 pontos).
- Resolução da Dor: Em uma análise post-hoc, 12,0% dos pacientes na dose de 12 mg (e 14,1% na dose de 9 mg) relataram estar completamente livres de dor ao final das 68 semanas.
- Função Física: Melhora de 73,7% na subescala de função física.
Estes dados sugerem que o benefício na OA é multifatorial, derivado tanto da redução de carga mecânica quanto de efeitos sistêmicos, evidenciados pela redução da proteína C-reativa ultrassensível (hsCRP).
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Parâmetros Cardiometabólicos
Além do peso, houve melhoria significativa em marcadores de risco cardiovascular na dose de 12 mg:
- Pressão Arterial Sistólica: Redução de 1,4 mmHg.
- Reduções em triglicerídeos e colesterol não-HDL.
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Perfil de Segurança e Eventos Adversos
O perfil de segurança foi consistente com a classe dos agonistas de incretinas, com predominância de eventos gastrointestinais, mas com uma particularidade relacionada ao agonismo do glucagon.
- Eventos Gastrointestinais (Dose 12 mg): Náusea (43,2%), Diarreia (33,1%), Vômitos (20,9%).
- Disestesia (Sensibilidade Cutânea): Foi relatada hiperestesia ou parestesia cutânea em 20,9% dos pacientes na dose de 12 mg (vs. 0,7% no placebo).
- Nota: Os eventos foram descritos majoritariamente como leves e raramente levaram à descontinuação do fármaco.
- Descontinuação: A taxa de abandono por eventos adversos foi de 18,2% no grupo 12 mg, correlacionada também com a rápida perda de peso
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E o que fazer enquanto isso?
Se você tem obesidade e está buscando tratamento, o caminho continua sendo o mesmo: um médico especializado em obesidade (endocrinologista ou clínico com foco na área), avaliação individualizada e, dependendo do caso, uso dos medicamentos já aprovados e disponíveis no Brasil.
O Ozempic e o Mounjaro já são opções com aprovação e resultados clínicos robustos. Eles não são a retatrutida — mas também não são pouca coisa.
Comprar remédio sem prescrição, usar versões manipuladas ou importar produtos sem registro é colocar sua saúde em risco real.
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REFERÊNCIAS:
A Study of Retatrutide (LY3437943) Once Weekly in Participants Who Have Obesity or Overweight and Osteoarthritis of the Knee (TRIUMPH-4)



