Testosterona e Estradiol na Composição corporal e Função Sexual Masculina

A vida sexual é importantíssima para grande parte das pessoas e na manutenção das relações amorosas. Ao chegar aos 50 anos, já há um decréscimo de 10% a 20% nos níveis de testosterona – principal hormônio masculino – e isso se reflete não só no desempenho na cama, mas também em outros aspectos da saúde. Além da diminuição do desejo sexual e da capacidade de ereção, há redução do crescimento da barba e de pelos, perda de força muscular e desenvolvimento de gordura, principalmente na região abdominal, e até menor atividade no cérebro. Esses são alguns sintomas que podem estar todos relacionados com uma mesma causa: o distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (DAEM). Depressão, ansiedade, sonolência e irritabilidade são outras características relacionadas.

A queda na produção da testosterona ocorre, em geral, a partir dos 40 anos, com perda entre 1% e 2% do hormônio total disponível por ano. Muitas vezes, os sintomas são confundidos com estresse profissional ou pessoal. Cerca de 20% dos homens apresentam esse problema. Quando notar que algo não vai bem, procure um médico o quanto antes, pois, assim, pode se tratar e evitar perda de qualidade de vida. É muito comum encontrar pacientes infelizes com o quadro provocado pela DAEM.

Terapias com testosterona são prescritas para milhões de homens a cada ano e o número está aumentando rapidamente. As prescrições de testosterona aumentaram 500% nos Estados Unidos entre 1993 e 2000.1 A maioria das prescrições de testosterona são para tratar sintomas inespecíficos, como fadiga ou disfunção sexual, quando acompanhadas por níveis de testosterona abaixo do intervalo de referência de laboratório.

Mais de 80% de estradiol circulante em homens é derivado da aromatização da testosterona.3 Deste modo, quando os níveis de testosterona no soro declinam, existe uma diminuição concomitante dos níveis séricos de estradiol. 4,5 entanto, as consequências do hipogonadismo masculino são rotineiramente atribuídas unicamente à deficiência androgênica, sendo o  potencial papel do declínio concomitante em estrogênios geralmente ignorado.

3

 

A aromatase é uma enzima que catalisa a conversão de androgênios C19 em estrogênios C18. A regulação do nível e atividade da aromatase determina os níveis de estrogênios que exercem efeitos em diversos órgãos-alvo, incluindo o osso. Importante, a aromatização extra-glandular dos precursores de androgênios circulantes é a principal fonte de estrogênio não apenas nos homens (já que apenas 15% do estradiol circulante é liberado diretamente pelo testículo), mas também em mulheres após a menopausa. Várias linhas de evidências clínicas e experimentais agora indicam claramente que a atividade da aromatase e a produção de estrogênio são necessárias para o crescimento ósseo longitudinal, a obtenção do pico da massa óssea, o surto de crescimento puberal, o enceramento epifisário e a remodelação óssea normal em indivíduos jovens.

Além disso, com o envelhecimento, as diferenças individuais na atividade da aromatase e, portanto, nos níveis de estrogênio podem afetar significativamente a perda óssea e o risco de fratura em ambos os sexos. Seu papel crucial na fisiologia feminina e masculina foi deduzido de estudos humanos e animais usando inibidores de aromatase, camundongos geneticamente alterados e pacientes com deficiência de aromatase. O último é um transtorno extremamente raro. Seu diagnóstico é particularmente difícil nos homens, que passam pela puberdade normalmente e portanto, geralmente se apresentam como adultos com testosterona elevada, anormalidades ósseas (por exemplo, idade óssea retardada e baixa massa óssea) e síndrome metabólica.

Tornou-se claro, no entanto, que a deficiência de estrogênio pode ser importante na patogênese de algumas consequências do hipogonadismo masculino, como a perda de massa óssea.6-8 O papel potencial da deficiência de estrogênio na patogênese de outras consequências do hipogonadismo, tais como alterações na composição corporal ou função sexual, é em grande parte desconhecido.

Informações sobre o papel dos estrogênios no hipogonadismo masculino podem ajudar a identificar os homens com risco de manifestações específicas da doença e podem fornecer uma justificativa para novas abordagens no seu manejo.

Em estudo realizado pelo Dr. Finkelstein e colaboradores do Hospital Geral de Massachusetts, publicado no New England Journal of Medicine em 2013, os pesquisadores procuraram determinar o grau relativo de deficiência da testosterona, estradiol ou ambos, em que alterações indesejáveis ​​na composição corporal, força e função sexual começam a ocorrer e se essas alterações são devidas à deficiência androgênica, estrogênica ou ambas.

Para isto, realizaram a determinação das doses de testosterona relativas e os níveis séricos associados em que a composição corporal, força e função sexual começam a declinar. Ao examinar essas relações com e sem supressão da síntese de estrogênio, os pesquisadores descobriram que a massa magra, massa muscular e força são reguladas por androgênios, o acúmulo de gordura é principalmente uma consequência da deficiência do estrogênio, e a função sexual é regulada por ambos, androgênios e estrogênios.

Determinação dos graus de hipogonadismo em que consequências indesejáveis se desenvolvem e dos papéis relativos de androgênios e estrogênios em cada resultado deve facilitar o desenvolvimento de abordagens mais racionais para o diagnóstico e tratamento de hipogonadismo em homens.

 

REFERÊNCIAS

1-Gonadal steroids and body composition, strength, and sexual function in men.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24024838

2- Queda no nível de testosterona pode diminuir a libido dos homens

http://www.em.com.br/app/noticia/tecnologia/2012/05/28/interna_tecnologia,296742/queda-no-nivel-de-testosterona-pode-diminuir-a-libido-dos-homens.shtml

3- Aromatase deficiency in a male patient – Case report and review of the literature.

http://www.thebonejournal.com/article/S8756-3282(16)30278-2/abstract

4- Aromatase activity and bone loss.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21874760

Dr. Roberto Franco do Amaral Neto

Dr. Roberto Franco do Amaral Neto

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