Vitamina D e Saúde; o que a Ciência mostra de Fato.

 

vitamina d e calcio
Síntese da vitamina D e cálcio

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Diferentemente de qualquer outra vitamina, a vitamina D é realmente um pré-hormônio.

O seu corpo é a única fonte do potente hormônio esteróide chamado CALCITRIOL.

Primeiro, sua pele produz vitamina D quando a luz solar atinge uma molécula de pré-colesterol.

Então seu fígado converte a vitamina D na forma de armazenamento chamada de 25-hidroxi vitamina D que se armazena no sangue e na gordura corpórea.

Um pouco vai para os rins para ajudar a manter os níveis de cálcio no sangue, mas o mais importante acontece nos seus tecidos.

Os tecidos por toda parte do seu corpo convertem 25 OH vitamina D em calcitriol. O calcitriol é a forma ativa de vitamina D

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Como os todos os hormônios esteróides, o calcitriol funciona controlando seus genes.

Ele dá o sinal para seus genes produzirem centenas de enzimas e proteínas cruciais para manter a saúde e lutar contra doenças.

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Vitamina D: além do metabolismo ósseo, mas sem exageros

A vitamina D ocupa uma posição singular na fisiologia humana. Embora seja chamada de vitamina, sua forma ativa funciona como um hormônio esteroide, participando da regulação gênica em múltiplos tecidos.

Seu papel clássico no metabolismo do cálcio e da saúde óssea é bem estabelecido. Deficiência importante de vitamina D está associada a osteomalácia, raquitismo e aumento do risco de fragilidade óssea.

Nas últimas décadas, entretanto, observou-se que receptores de vitamina D estão presentes em diversos órgãos e células do sistema imune, o que levou ao interesse sobre possíveis efeitos extraesqueléticos.

É importante, porém, separar associação epidemiológica de benefício clínico comprovado.

Diversas doenças — como diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade, câncer, doenças autoimunes, depressão e doenças inflamatórias — apresentam maior prevalência em indivíduos com níveis baixos de vitamina D. Isso sugere que a deficiência possa ser um marcador biológico relevante.

Entretanto, até o momento, em muitas dessas condições ainda não está claro se:

  • a deficiência participa diretamente do mecanismo da doença;
  • representa consequência do estado inflamatório ou metabólico;
  • ou simplesmente funciona como marcador de pior condição clínica.

Ou seja: baixa vitamina D frequentemente acompanha doença, mas isso não significa necessariamente que seja sua causa.

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Produção cutânea e exposição solar

A principal fonte de vitamina D para seres humanos continua sendo a síntese cutânea induzida pela radiação UVB.

Existe uma capacidade importante de produção cutânea, variando conforme:

  • fototipo;
  • latitude;
  • estação do ano;
  • área corporal exposta;
  • idade;
  • uso de protetor solar;
  • tempo de exposição.

Em algumas situações, uma exposição relativamente curta pode produzir quantidades expressivas de vitamina D.

Isso não significa, porém, que maiores exposições tragam benefícios proporcionais.

A recomendação atual não é incentivar exposição solar prolongada ou sem proteção, uma vez que o excesso de radiação ultravioleta aumenta risco de fotoenvelhecimento e câncer de pele.

Talvez a melhor interpretação seja que o ser humano evoluiu com níveis de exposição solar diferentes dos atuais e que parte da população moderna pode apresentar menor síntese cutânea — especialmente idosos, indivíduos institucionalizados, pessoas com baixa exposição ao sol e alguns grupos específicos.

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O Hormônio Esteróide

O primeiro fato você já conhece: a forma ativa da vitamina D, o calcitriol, funciona como um hormônio esteroide.

Como outros hormônios esteroides, ela atua por meio da ligação a receptores nucleares, modulando a expressão gênica e influenciando a síntese de proteínas e enzimas em diferentes tecidos. Hoje sabemos que receptores de vitamina D estão presentes em vários órgãos e tipos celulares, o que sugere funções além do metabolismo ósseo clássico.

Esse mecanismo ajuda a entender por que níveis baixos de vitamina D têm sido associados a diferentes condições clínicas.

No entanto, é importante lembrar que associação não significa necessariamente relação causal e que, em muitas doenças, ainda não está claro se a deficiência participa diretamente do processo ou apenas acompanha estados inflamatórios e metabólicos.

O segundo ponto é particularmente interessante.

A pele humana possui uma capacidade importante de síntese de vitamina D quando exposta à radiação UVB. Em determinadas condições , dependendo do fototipo, área corporal exposta, latitude, estação do ano e intensidade da radiação – a produção pode atingir quantidades expressivas em um período relativamente curto de exposição.

Estudos clássicos sugerem que uma exposição suficiente para produzir eritema mínimo em grande parte da superfície corporal poderia gerar algo em torno de 10.000 a 20.000 UI de colecalciferol.

Entretanto, esse valor apresenta ampla variação individual e não deve ser interpretado como um número fixo ou universal.

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Quanta vitamina D nós obtínhamos ? 

É difícil responder com precisão. Provavelmente populações humanas ancestrais apresentavam padrões de exposição solar diferentes dos atuais, com maior tempo ao ar livre e menor permanência em ambientes fechados.

Com a urbanização progressiva e as mudanças de estilo de vida, especialmente a partir da Revolução Industrial, grande parte da população passou a permanecer mais tempo em ambientes internos. Trabalho em escritórios, deslocamentos em veículos, uso de roupas mais extensas e menor exposição ao sol podem contribuir para redução da síntese cutânea de vitamina D em alguns grupos.

Hoje, não é incomum que algumas pessoas passem dias ou semanas com pouca exposição solar direta.

Isso não significa que devamos incentivar exposição excessiva ao sol. O objetivo não é substituir cuidados dermatológicos nem minimizar os riscos da radiação ultravioleta.

Por outro lado, talvez também não seja necessário tratar toda exposição solar como indesejável. Exposições curtas e individualizadas podem contribuir para a síntese de vitamina D, embora o tempo ideal varie amplamente conforme fototipo, latitude, estação do ano, área corporal exposta e intensidade da radiação UV.

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Controlando Natureza?

O terceiro ponto é mais complexo e envolve a forma peculiar de regulação do sistema da vitamina D.

Diferentemente de muitos hormônios esteroides clássicos, cuja produção depende predominantemente de mecanismos endócrinos internos, a disponibilidade de vitamina D depende parcialmente de fatores ambientais, principalmente da exposição à radiação UVB.

Isso não significa ausência de regulação. Pelo contrário: a vitamina D é controlada em múltiplos níveis, incluindo síntese cutânea, metabolismo hepático, ativação renal e mecanismos de retroalimentação envolvendo cálcio, fósforo, PTH, FGF23 e enzimas catabólicas.

A síntese cutânea de vitamina D depende do 7-desidrocolesterol presente na pele e da exposição à radiação UVB e um pouco da dieta:

A contribuição alimentar da vitamina D costuma ser relativamente limitada quando comparada à síntese cutânea. Entretanto, alguns alimentos — especialmente peixes gordurosos, óleo de fígado de bacalhau, alimentos fortificados e, em menor grau, gema de ovo e cogumelos expostos à radiação UV — podem fornecer quantidades relevantes.

Alimento Porção Vitamina D (UI)
Óleo de fígado de bacalhau 1 colher de sopa (15 mL) 1.200–1.400 UI
Salmão selvagem 100 g 600–1.000 UI
Salmão de cultivo 100 g 250–500 UI
Sardinha 100 g 200–300 UI
Atum 100 g 150–250 UI
Cavala 100 g 300–400 UI
Arenque 100 g 600–1.600 UI
Gema de ovo 1 unidade 20–50 UI
Cogumelos expostos a UV 100 g 100–400 UI (alguns passam de 1.000 UI)
Leite fortificado 240 mL 100–150 UI
Iogurte fortificado 1 pote 80–120 UI
Cereais fortificados 1 porção 40–100 UI

Para dar perspectiva:

  • 1 gema de ovo ≈ 20–50 UI
  • 100 g de salmão ≈ 600–1000 UI
  • 1 colher de óleo de fígado de bacalhau ≈ 1200–1400 UI
  • Uma exposição solar moderada de corpo inteiro pode gerar milhares de UI, dependendo do fototipo, área exposta, latitude e UVB disponível.

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Vitamina D e doenças crônicas: o que sabemos hoje?

Existe razoável consistência observacional mostrando associação entre deficiência de vitamina D e:

  • doenças autoimunes;
  • esclerose múltipla;
  • doença inflamatória intestinal;
  • algumas neoplasias;
  • diabetes tipo 1;
  • eventos cardiovasculares;
  • pior função muscular;
  • maior risco de quedas em idosos.

Por outro lado, quando avaliamos ensaios clínicos randomizados, os resultados são mais heterogêneos.

A suplementação corrige deficiência e traz benefício claro para saúde óssea e, em alguns cenários, para função muscular e prevenção de quedas.

Já para prevenção primária de câncer, doenças cardiovasculares, mortalidade global, depressão, obesidade e várias doenças autoimunes, os resultados permanecem inconsistentes.

Portanto, talvez a posição mais equilibrada hoje seja:

corrigir deficiência parece importante; usar vitamina D como estratégia universal para prevenção de todas as doenças ainda não encontra suporte robusto.

 


Oncologia, melanoma e esclerose múltipla

Alguns trabalhos recentes sugerem que níveis adequados de vitamina D podem estar associados a melhor resposta em determinadas situações oncológicas, como melanoma tratado com imunoterapia.

Da mesma forma, estudos em esclerose múltipla têm investigado suplementação em doses mais elevadas.

Os resultados são interessantes e biologicamente plausíveis, mas ainda precisam de confirmação adicional antes que sejam incorporados como recomendação universal.

Neste momento, o principal papel continua sendo identificar e corrigir deficiência, individualizando condutas.


Conclusão prática

A vitamina D provavelmente é mais importante do que imaginávamos há algumas décadas.

Mas também é improvável que seja a explicação única para grande parte das doenças modernas.

O cenário atual aponta para uma posição intermediária:

Nem banalizar sua deficiência.

Nem transformá-la em solução universal.

Manter níveis adequados, identificar grupos de risco e corrigir carências continua sendo a abordagem mais consistente com as melhores evidências disponíveis.

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Algumas doenças que têm sido cientificamente associadas à carência de vitamina D no organismo:

Diversas doenças têm sido associadas a níveis reduzidos de vitamina D.

Estudos observacionais identificaram relações entre deficiência de vitamina D e maior prevalência de doenças autoimunes, doença inflamatória intestinal, diabetes tipo 1, esclerose múltipla, artrite reumatoide, alguns tipos de câncer, alterações cardiovasculares, pior função muscular e maior risco de quedas em idosos.

Entretanto, é importante interpretar esses dados com cautela.

Em muitas situações, ainda não está claro se a deficiência de vitamina D participa diretamente do desenvolvimento da doença, se representa consequência do processo inflamatório ou metabólico, ou simplesmente funciona como marcador de pior estado geral de saúde.

As evidências mais consistentes continuam relacionadas ao papel da vitamina D na saúde óssea, metabolismo do cálcio, prevenção de osteomalácia e raquitismo, além de possível benefício sobre função muscular e risco de quedas em determinados grupos, especialmente idosos com deficiência.

Nas áreas de imunidade, autoimunidade, oncologia, doenças cardiovasculares e metabólicas, existe plausibilidade biológica e associação epidemiológica, mas os resultados de estudos intervencionistas permanecem variáveis e muitas vezes inconclusivos.

Por isso, talvez a melhor interpretação atual seja que a vitamina D possui funções muito além do metabolismo ósseo clássico, mas ainda não pode ser considerada uma intervenção universal para prevenção ou tratamento de todas as doenças associadas à sua deficiência.

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Vitamina D e Covid  19 ( coronavírus)

Pesquisadores do Trinity College Dublin estão pedindo ao governo da Irlanda que mude as recomendações para suplementos de vitamina D.

Uma nova publicação do Dr. Eamon Laird e da professora Rose Anne Kenny, da Faculdade de Medicina, e do Irish Longitudinal Study on Aging (TILDA), em colaboração com o professor Jon Rhodes da Universidade de Liverpool, destaca a associação entre os níveis de vitamina D e a mortalidade por COVID -19.

Os autores do artigo, publicado recentemente no Irish Medical Journal , analisaram todos os estudos europeus sobre população adulta, concluídos desde 1999, que mediram a vitamina D e compararam as taxas de vitamina D e mortalidade do COVID-19.

O artigo pode ser visto em: http://imj.ie/irish-medical-journal-may-2020-vol-113-no-5/

Este estudo mostra que, contra-intuitivamente, países com latitude mais baixa e países tipicamente ensolarados, como Espanha e norte da Itália, tinham baixas concentrações de vitamina D e altas taxas de deficiência de vitamina D. Esses países também tiveram as maiores taxas de infecção e morte na Europa.

Os países de latitude norte da Noruega, Finlândia e Suécia têm níveis mais altos de vitamina D, apesar da menor exposição à luz solar UVB, porque a suplementação e fortificação de alimentos é mais comum. Esses países nórdicos têm taxas mais baixas de infecção e mortalidade por COVID-19. A correlação entre os baixos níveis de vitamina D e a morte por COVID-19 é estatisticamente significativa.

Os autores propõem que, embora a otimização dos níveis de vitamina D certamente beneficie a saúde dos ossos e músculos, os dados sugerem que é provável que também reduza complicações sérias do COVID-19.

Isso ocorre porque a vitamina D é importante na regulação e supressão da resposta inflamatória às citocinas, que causa graves conseqüências do COVID-19 e da ‘síndrome do desconforto respiratório agudo’ associada à ventilação e morte.

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Vitamina D pode potencializar ação de imunoterápicos na tratamento do Melanoma 

Manter níveis normais de vitamina D pode aumentar a eficácia da imunoterapia em pacientes com melanoma avançado, sugere um novo estudo.

Esse é o achado de um trabalho com 200 pacientes diagnosticados com melanoma, que fizeram imunoterapia de primeira linha com os inibidores do receptor da proteína de morte programada do tipo 1 (anti-PD-1, do inglês anti-programmed death-1pembrolizumabe ou nivolumabe.

A resposta ao tratamento foi significativamente superior em pacientes que apresentavam níveis de vitamina D normais ao início do estudo ou níveis normais de vitamina D alcançados por meio de suplementação (> 30 ng/dL), quando comparados com indivíduos que tinham níveis de vitamina D baixos ao início do estudo (≤ 30 ng/dL) e não faziam suplementação (56% vs. 36,2%; P = 0,0111).

A mediana de sobrevida livre de progressão da doença também foi significativamente maior no grupo com níveis normais de vitamina D (11,2 vs. 5,8 meses), e a sobrevida global foi superior no grupo com níveis normais de vitamina D (31,5 vs. 27 meses), observaram os autores.

Os achados foram publicados on-line em 24 de abril no periódico Cancer.

O estudo foi conduzido pelo Dr. Łukasz Galus, médico vinculado à Universidade de Ciências Médicas de Poznan, na Polônia, e colaboradores.

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Vitamina D em altas doses na Esclerose Múltipla 

A suplementação oral de colecalciferol (vitamina D3) em doses alta reduziu significativamente a evidência de atividade de esclerose múltipla (MS) em pacientes com síndrome clinicamente isolada sugeriu os resultados de um ensaio controlado e aleatório.
Os participantes foram aleatorizados para receber alta -dose oral de vitamina D3 (100.000 UI) ou placebo a cada duas semanas, durante 24 meses  

Durante uma sessão de perguntas e respostas, os delegados elogiaram o estudo, com alguns descrevendo-o como “fantástico” ou “fabuloso”.

Respondendo a uma pergunta sobre por que este estudo teve sucesso em mostrar os benefícios da vitamina D enquanto vários estudos anteriores não conseguiram, Thouvenot disse que pode ser devido à duração mais longa ou a um design com melhor poder para mostrar as diferenças.

Fonte:  https://www.medscape.com/viewarticle/high-dose-vitamin-d-linked-lower-disease-activity-cis-2024a1000h4r

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Vitamina D e Magnésio no TDAH: O Que a Ciência Diz Sobre Suplementação em Crianças

O Que É o TDAH e Por Que os Micronutrientes Importam?

O TDAH é caracterizado por graus variados de desatenção, hiperatividade e impulsividade. E

ssas manifestações impactam diretamente o desempenho escolar, os relacionamentos sociais e a saúde mental das crianças afetadas.

O que poucos sabem é que estudos têm identificado, de forma consistente, deficiências de vitamina D e magnésio em crianças com TDAH. Isso não é mera coincidência: ambos os nutrientes desempenham papéis fundamentais no funcionamento do sistema nervoso central.

O Papel da Vitamina D no Cérebro

A vitamina D não é apenas um nutriente para os ossos. No cérebro, ela age como um neuroesteroide, influenciando diretamente:

  • Síntese de neurotransmissores: regula a produção de dopamina e serotonina, substâncias diretamente envolvidas na atenção, motivação e regulação emocional — pilares afetados no TDAH.
  • Receptores no cérebro: os receptores de vitamina D (VDR) estão presentes em regiões cerebrais diretamente implicadas no TDAH, como o córtex pré-frontal, o cerebelo e o hipocampo.
  • Desenvolvimento neurológico: a vitamina D desempenha papel crítico durante a gestação e a infância precoce na formação e maturação do sistema nervoso.

O Papel do Magnésio no Sistema Nervoso

  • Regulação neuronal: o magnésio é cofator essencial de mais de 300 reações enzimáticas, incluindo aquelas envolvidas na síntese de neurotransmissores.
  • Controle da excitabilidade: atua nos receptores NMDA, modulando a excitabilidade neuronal e reduzindo irritabilidade e hiperatividade.
  • Estresse oxidativo: sua deficiência aumenta o estresse oxidativo cerebral, agravando sintomas do TDAH.

 

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O Ensaio Clínico: Vitamina D + Magnésio por 8 Semanas

O Que É o TDAH e Por Que os Micronutrientes Importam?

O TDAH é caracterizado por graus variados de desatenção, hiperatividade e impulsividade. E

ssas manifestações impactam diretamente o desempenho escolar, os relacionamentos sociais e a saúde mental das crianças afetadas.

O que poucos sabem é que estudos têm identificado, de forma consistente, deficiências de vitamina D e magnésio em crianças com TDAH. Isso não é mera coincidência: ambos os nutrientes desempenham papéis fundamentais no funcionamento do sistema nervoso central.

O Papel da Vitamina D no Cérebro

A vitamina D não é apenas um nutriente para os ossos. No cérebro, ela age como um neuroesteroide, influenciando diretamente:

  • Síntese de neurotransmissores: regula a produção de dopamina e serotonina, substâncias diretamente envolvidas na atenção, motivação e regulação emocional — pilares afetados no TDAH.
  • Receptores no cérebro: os receptores de vitamina D (VDR) estão presentes em regiões cerebrais diretamente implicadas no TDAH, como o córtex pré-frontal, o cerebelo e o hipocampo.
  • Desenvolvimento neurológico: a vitamina D desempenha papel crítico durante a gestação e a infância precoce na formação e maturação do sistema nervoso.

O Papel do Magnésio no Sistema Nervoso

  • Regulação neuronal: o magnésio é cofator essencial de mais de 300 reações enzimáticas, incluindo aquelas envolvidas na síntese de neurotransmissores.
  • Controle da excitabilidade: atua nos receptores NMDA, modulando a excitabilidade neuronal e reduzindo irritabilidade e hiperatividade.
  • Estresse oxidativo: sua deficiência aumenta o estresse oxidativo cerebral, agravando sintomas do TDAH.

 

Um ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo testou a combinação de vitamina D (50.000 UI/semana) e magnésio (6 mg/kg/dia) em 66 crianças com TDAH ao longo de 8 semanas. Os resultados foram expressivos:

 

Dimensão Avaliada Resultado
Problemas emocionais Redução significativa (p=0,001)
Problemas de conduta Redução significativa (p=0,002)
Problemas com os pares Redução significativa (p=0,001)
Comportamentos pró-sociais Melhora significativa (p=0,007)
Total de dificuldades Redução significativa (p=0,001)
Escore externalizante Redução significativa (p=0,001)
Escore internalizante Redução significativa (p=0,001)

 

Os níveis séricos de vitamina D e magnésio também aumentaram significativamente no grupo suplementado, confirmando a eficácia bioquímica da intervenção.

A combinação dos dois nutrientes potencializa os resultados: o magnésio é cofator essencial para a ativação da vitamina D no organismo, e ambos atuam de forma complementar nos sistemas de neurotransmissão.

Limitações e Cautelas

Ambos os estudos reconhecem que a amostra do ensaio clínico é pequena (66 crianças) e que ensaios maiores e de maior duração ainda são necessários para consolidar as recomendações clínicas. Os resultados são promissores, mas devem ser interpretados dentro do contexto de uma ciência em evolução.

O Que Fazer na Prática?

⚠️ Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica. Nunca inicie suplementação em crianças sem orientação profissional.

 

  • Avalie laboratorialmente: peça ao pediatra a dosagem de vitamina D e magnésio da criança com TDAH.
  • Considere a suplementação orientada: se houver deficiência, a reposição pode integrar o plano terapêutico de forma segura e eficaz.
  • Não substitua o tratamento convencional: medicação e terapia comportamental seguem sendo pilares do tratamento — a suplementação é um complemento.
  • Atenção durante a gestação: manter níveis adequados de vitamina D na gravidez pode reduzir o risco de TDAH nos filhos.

A mensagem central das evidências é clara: a saúde nutricional das crianças com TDAH importa, e a vitamina D — em especial combinada com magnésio — tem um papel crescente e promissor no cuidado integrativo desse transtorno.

Vitamina D e TDAH: O Que Uma Revisão de 7 Estudos Científicos Revelou

Os 3 Principais Achados da Revisão

  • Gestação: mães com níveis mais altos de vitamina D têm filhos com menor risco de desenvolver TDAH. Quando o transtorno aparece, os sintomas tendem a ser menos intensos.
  • Deficiência confirmada: crianças com TDAH apresentam níveis séricos de vitamina D consistentemente menores do que crianças sem o transtorno — achado replicado em múltiplos países.
  • Suplementação funciona: estudos de intervenção mostraram que repor a vitamina D está associado à melhora dos sintomas do TDAH.

O Que Ainda Falta?

Os autores são cautelosos: apesar das evidências consistentes, ainda são necessários ensaios clínicos randomizados maiores e mais bem desenhados para definir doses, duração e perfis de pacientes que mais se beneficiam da suplementação.

Conclusão

A ciência aponta uma relação clara entre vitamina D e TDAH — do período pré-natal ao manejo clínico. Avaliar e corrigir a deficiência desse nutriente pode ser uma estratégia complementar relevante no cuidado de crianças com TDAH, sempre com orientação médica.

⚠️ Aviso: Este artigo é informativo e não substitui avaliação médica. Nunca inicie suplementação sem orientação de um profissional de saúde.
 estudo foi publicado em 2016 no periódico Nutritional Neuroscience e foi registrado no Registro Iraniano de Ensaios Clínicos (IRCT201404222394N10). Embora a pergunta pareça simples — “vitamina D ajuda no TDAH?” —, a resposta exige cuidado: os dados mostram benefícios parciais, específicos e promissores, não uma cura.Neste artigo, traduzimos e explicamos o estudo completo de Mohammadpour e colaboradores para que você entenda o que a ciência sabe — e o que ainda não sabe — sobre essa relação.

Por que a vitamina D entrou na mira dos pesquisadores de TDAH?

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Por que a vitamina D entrou na mira dos pesquisadores de TDAH?

A vitamina D não é apenas o “nutriente dos ossos”.

Receptores de vitamina D (VDRs) estão distribuídos por todo o cérebro, inclusive em áreas diretamente relacionadas ao TDAH, como o córtex pré-frontal e os circuitos dopaminérgicos. Estudos anteriores ao ensaio clínico aqui revisado já haviam identificado que:

  • Crianças diagnosticadas com TDAH têm, em média, concentrações séricas de 25(OH)D significativamente menores do que controles saudáveis da mesma faixa etária.
  • A vitamina D regula a síntese e a liberação de dopamina e serotonina — neurotransmissores centrais no TDAH.
  • Deficiências de vitamina D durante a gestação e a primeira infância estão associadas a maior risco de problemas neurodesenvolvimentais.

Esses achados levantaram a hipótese clínica: seria a deficiência de vitamina D um fator modificável que, se corrigido, aliviaria parte dos sintomas do TDAH? O ensaio clínico de Mohammadpour et al. foi desenhado para responder exatamente isso.

Como foi feita a seleção dos participantes?

As crianças foram recrutadas com diagnóstico formal de TDAH segundo os critérios do DSM-IV e já em uso de metilfenidato (o estimulante mais prescrito para TDAH). Elas foram divididas aleatoriamente em dois grupos:

  • Grupo intervenção: metilfenidato + 2.000 UI de vitamina D3 por dia.
  • Grupo controle: metilfenidato + placebo idêntico ao suplemento.

Tanto as famílias quanto os pesquisadores que avaliavam os sintomas não sabiam quem estava recebendo o quê — esse é o significado do “duplo-cego”, um padrão ouro para eliminar o efeito placebo das análises.

 

Resultados: o que o estudo encontrou?

1. A suplementação aumentou os níveis de vitamina D?

Sim — e de forma significativa. Após 8 semanas, o grupo que recebeu vitamina D apresentou aumento expressivo nas concentrações séricas de 25(OH)D (a forma de vitamina D medida no sangue), confirmando que o suplemento foi absorvido e biologicamente ativo. O grupo placebo não apresentou variação relevante.

2. Os sintomas de TDAH melhoraram?

Ponto central do estudo

Ambos os grupos apresentaram redução significativa dos sintomas de TDAH ao longo das 8 semanas — o que era esperado, pois todos continuavam usando metilfenidato. A grande questão era: o grupo com vitamina D melhorou mais?

A resposta depende da escala utilizada:

  • CPRS e ADHD-RS-IV: Nenhuma diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos. A vitamina D não acrescentou benefício mensurável nessas escalas gerais de sintomas.
  • WPREMB (sintomas noturnos e matutinos): Aqui a diferença foi significativa. O grupo com vitamina D apresentou melhora maior nos sintomas do período noturno nas semanas 4 e 8 (p = 0,013 e p = 0,016, respectivamente). O escore total da escala também foi significativamente diferente entre os grupos.

 

                                                                      “A suplementação de vitamina D como terapia adjuvante ao metilfenidato melhorou os sintomas noturnos do TDAH.”

                                                                                                                    — Mohammadpour et al., Nutritional Neuroscience, 2016

Por que os sintomas noturnos?

Este é o aspecto mais clinicamente relevante do estudo.

O metilfenidato tem meia-vida relativamente curta: seus efeitos diminuem ao longo da tarde e praticamente desaparecem à noite. É exatamente nesse período — o chamado “efeito rebote” — que muitas famílias relatam dificuldades: a criança fica irritada, agitada, tem problemas para dormir e para se comportar durante o jantar ou a hora de dormir.

A vitamina D, por seu mecanismo diferente (atuando na regulação dopaminérgica e potencialmente no sistema imunológico e inflamatório), pode oferecer um efeito mais sustentado e complementar — especialmente nessa janela noturna em que o medicamento já não está ativo.

 

O que esses resultados significam na prática?

O estudo apresenta achados com implicações reais, mas que precisam ser interpretados com cautela e sem exageros:

  • A vitamina D não substitui o metilfenidato — e o estudo não foi desenhado para testar isso. Todos os participantes usaram a medicação. O benefício encontrado é adicional, não substitutivo.
  • O benefício é específico para sintomas noturnos — nas escalas de avaliação global de sintomas diurnos (CPRS e ADHD-RS), não houve diferença entre os grupos. Isso é importante: não se trata de uma “cura geral”, mas de um benefício localizado em um período do dia especialmente desafiador.
  • A suplementação foi segura — a dose de 2.000 UI/dia por 8 semanas não gerou efeitos adversos relevantes. Esta é uma dose considerada segura para crianças pela maioria das diretrizes internacionais.
  • O tamanho amostral é limitado — 54 participantes é um número pequeno para conclusões definitivas. Os resultados precisam de replicação em estudos maiores.

O que a ciência ainda não sabe

Os próprios autores apontam as principais lacunas que futuros estudos precisam preencher:

  • Qual é o efeito da vitamina D como monoterapia no TDAH — ou seja, sem metilfenidato — especialmente em crianças com deficiência severa?
  • Qual é o mecanismo neurobiológico pelo qual a vitamina D influencia os sintomas noturnos?
  • Doses mais altas ou períodos mais longos de suplementação produziriam efeitos maiores ou mais abrangentes?
  • Os resultados se aplicam igualmente a subtipos de TDAH (predominantemente desatento, predominantemente hiperativo/impulsivo, combinado)?
  • Crianças com deficiência confirmada de vitamina D respondem mais do que crianças com níveis normais?

Conclusão: uma peça promissora em um quebra-cabeça complexo

O estudo de Mohammadpour e colaboradores representa uma contribuição científica legítima ao campo do TDAH. Ele não promete milagres — e precisamente por isso merece atenção.

A mensagem central é clara: em crianças com TDAH em uso de metilfenidato, a adição de 2.000 UI de vitamina D por dia melhorou os sintomas noturnos — o período mais difícil para muitas famílias, justamente quando o medicamento perdeu seu efeito.

Para pais e cuidadores, isso reforça a importância de verificar os níveis de vitamina D na criança e discutir com o médico responsável a possibilidade de suplementação — não como substituição do tratamento convencional, mas como parte de uma abordagem integrativa baseada em evidências.

Recomendação prática

Antes de iniciar qualquer suplementação, converse com o pediatra ou neuropediatra responsável pelo acompanhamento da criança. A dosagem adequada depende dos níveis séricos de 25(OH)D e de fatores individuais como peso, exposição solar e dieta.

 

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Aviso importante: Este artigo tem finalidade exclusivamente informativa e educacional. Não substitui consulta médica, diagnóstico ou prescrição profissional. Toda decisão sobre suplementação ou alteração de tratamento deve ser tomada com orientação do médico responsável pelo paciente.

 



REFERÊNCIAS:

FARAG, Y. M. K. et al. Vitamin D and erectile dysfunction. The Journal of Sexual Medicine, v. 11, n. 6, p. 1455–1462, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25092061/.


BARASSI, A. et al. Does vitamin D deficiency contribute to erectile dysfunction? International Journal of Endocrinology, 2012, Article ID 824703. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3427191/.


EFFRAIMIDIS, G.; WICHERS, M. Vitamin D and autoimmune thyroid diseases: facts and unresolved questions. Endocrine Reviews, v. 36, n. 4, p. 403–432, 2015. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25407646/.


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Dr. Roberto Franco do Amaral – Especialista em Medicina Laboratorial CRM 111310

13 respostas

  1. Os médicos geralmente recomendam complexo vitamínico , quando o paciente reclama de cansaço, seria o mesmo?

  2. Porrque nao há esta divulgação na midia ou pelos médicos da quantidade correta, pois o que se fala é do uso do protetor solar.

  3. Meu caro Rildo: Você acha que a maioria (50 por cento mais um) dos médicos iriam deixar de receitar os novos medicamentos de alto custo de uso contínuo, para receitar a vitamina D3 na dosagem ideal? Todos querem ficar ricos: indústria farmacêutica. distribuidores. médicos. laboratórios de análises, hospitais. políticos,etc, etc. Você já imaginou um político prometendo que vai investir o quanto for necessário para comprovar científicamente que a vitamina D3 previne e cura a maioria a maioria das doenças autoimune? Com certeza ele iria arrumar um grande problema para si. Estava lutando com uma inflamação pulmonar a seis meses, sequela de uma pneumonia, tomei vários remédios de alto custo, teve um mês que gastei 650,00 em medicamentos, até que encontrei um médico, ex professor de medicina na Unicamp(ex) que apostou a sua reputação receitando-me vitamina D3 em superdosagem inicialmente 10 cápsulas. Estou na sétima e já não sinto mais a dor no tórax que me incomodava a tanto tempo.
    Parabéns ao dr. Roberto Franco do Amaral Neto por divulgar este artigo sobre a vitamina D3, por estar preocupado com pessoas que sofrem por falta de informação.

  4. Na minha opinião, a cura contra doenças como câncer, aids, diabetes, hepatites, catarata, gastrite, hemocromatose e insuficiência renal sempre existiu ou no mínimo poderia ter aparecido há muito tempo e com um detalhe: ATRAVÉS DE SOLUÇÕES OU MEDICAÇÃO TOTALMENTE NATURAIS, FÁCEIS E SEM A NECESSIDADE DE USO CONTINUO OU PERMANENTE por exemplo, o paciente é diagnosticado com uma dessas doenças acima, então ele faz uso de uma solução ou remédio natural APENAS UMA VEZ, É CURADO e a doença não aparece NUNCA MAIS. O problema que isso FECHA todo o complexo médico, industrial farmacêutico, hospitalar, laboratorial e estético do planeta

  5. Adorei o seu artigo, sr. Roberto. Parabéns!!
    Aprendi bastante e colocarei na prática da vida. Recomendei seu texto a algumas pessoas que tem deficiência e desconhecimento de vitamina D.

    abração e sucesso!!

      1. Tenho lido muito sobre os benefícios das altas doses de vitamina D, mas a maioria dos médicos desconhece , não se interessa pelo tema, ou diz que é perigoso tomar mais do que 2.000 UI de vit. D por dia, por causa da calcificação de artérias , cálculos nos rins e outros efeitos colaterais das altas doses. Diante disso, gostaria de saber porque os defensores de tomar 4.000 UI por dia, e de manter os níveis da vit. D mais elevados no sangue, nunca falam dos riscos das altas dosagens? Reconheço os benefícios e inclusive tomo diariamente 4.000 UI, mas gostaria que também falassem dos efeitos colaterais. Agradeço!

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