
As estatinas estão entre os medicamentos mais prescritos no mundo para reduzir o colesterol e prevenir infarto e AVC. Diversos estudos mostram que elas diminuem a mortalidade cardiovascular, especialmente em pessoas com alto risco.
Ainda assim, muitas pessoas relatam dores musculares, fadiga e outros sintomas após iniciar o tratamento — e acabam interrompendo o uso.
Mas será que todos esses efeitos são realmente causados pela medicação?
Estudo SAMSON: estatina ou efeito da mente?
Imperial College London conduziu um estudo clínico inovador chamado SAMSON, liderado pelo cardiologista Darrel Francis.
O estudo incluiu 60 adultos que haviam interrompido recentemente o uso de estatinas por efeitos colaterais. Durante um ano, cada participante recebeu:
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4 meses com atorvastatina
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4 meses com placebo idêntico
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4 meses sem comprimido algum
Todos registravam diariamente como se sentiam.
Resultado surpreendente
Os pesquisadores observaram que:
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90% dos sintomas relatados com estatina também ocorreram com placebo
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A taxa de interrupção por efeitos “intoleráveis” foi semelhante entre estatina e placebo
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Os participantes se sentiam melhor apenas nos meses sem nenhum comprimido
Isso sugere que grande parte dos sintomas pode estar relacionada ao chamado efeito nocebo — quando a expectativa negativa em relação a um medicamento provoca sintomas reais, mesmo sem ação química direta.
O que é efeito nocebo?
Assim como o placebo pode gerar melhora apenas pela expectativa positiva, o nocebo pode gerar efeitos adversos pela expectativa negativa.
Ou seja, o simples fato de saber que está tomando um comprimido associado a possíveis efeitos colaterais pode desencadear sintomas genuínos — ainda que não causados pela substância ativa.
Importante destacar:
- Os sintomas são reais.
- O desconforto é legítimo.
- Mas nem sempre a causa é bioquímica.
Por que isso é importante?
Estima-se que entre 50% e 75% das pessoas param a estatina em até dois anos, principalmente por dores musculares.
No entanto, décadas de evidências mostram que estatinas:
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Reduzem significativamente o risco de infarto
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Diminuem a incidência de AVC
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Aumentam a sobrevida em pacientes de alto risco cardiovascular
Interromper o tratamento sem orientação médica pode aumentar desnecessariamente o risco de eventos graves.
Estatinas valem a pena?
Para pessoas com alto risco cardiovascular, histórico de infarto, cirurgia cardíaca ou colesterol elevado com fatores associados, a resposta é clara: sim, quando bem indicadas, salvam vidas.
O ponto central não é negar possíveis efeitos colaterais, mas compreender que:
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Nem todo sintoma após iniciar estatina é causado por ela
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A expectativa pode influenciar a percepção corporal
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Decisões devem ser tomadas com base em evidência científica e avaliação indiviuo.__________________________________________________________________________
Alternativas às Estatinas:
- Ezetimiba
- Ácido Bempedoico
- Inibidores de PCSK9
- Inclisiran
Embora as estatinas sejam a base do tratamento para reduzir o colesterol LDL (“colesterol ruim”), existem opções para pacientes que apresentam intolerância ou não atingem as metas terapêuticas.
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1-Ezetimiba
A ezetimiba é um comprimido de uso diário que reduz o colesterol ao bloquear sua absorção no intestino. Com isso, o fígado passa a utilizar mais colesterol circulante para produzir bile, diminuindo os níveis no sangue.
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Redução do LDL isoladamente: 15–22%
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Redução combinada com estatina: 21–27%
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Indicada para quem não tolera estatinas ou precisa de reforço terapêutico
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Efeitos adversos possíveis: desconforto abdominal, diarreia, gases e cansaço
É menos potente que estatinas quando usada sozinha, mas útil como terapia complementar.
2-Ácido Bempedoico
Medicamento oral de uso diário que reduz a produção hepática de colesterol, semelhante às estatinas, porém com ação restrita ao fígado — o que pode diminuir o risco de dor muscular.
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Redução do LDL isoladamente: 17–28%
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Em associação com ezetimiba: cerca de 28%
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Indicado para intolerância às estatinas ou resposta insuficiente
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Possíveis efeitos colaterais: aumento do ácido úrico, gota, anemia e dor em membros
Costuma ser prescrito em associação com ezetimiba.
3-Inibidores de PCSK9
São medicamentos injetáveis aplicados a cada 2–4 semanas. Atuam bloqueando a proteína PCSK9, aumentando a remoção do LDL pelo fígado.
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Redução do LDL: até 60%
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Redução de eventos cardiovasculares (infarto/AVC): cerca de 20%
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Indicados para alto risco cardiovascular ou hipercolesterolemia familiar
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Efeitos adversos: sintomas gripais leves ou reação local
São altamente eficazes, mas geralmente reservados para casos específicos.
4- Inclisiran
Nova classe de medicamento que utiliza tecnologia de silenciamento gênico (RNA) para reduzir a produção da proteína PCSK9.
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Redução do LDL: até 52%
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Aplicação: dose inicial, reforço em 3 meses e depois apenas duas vezes por ano
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Indicado para pacientes de alto risco que não atingem metas com estatinas
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Efeitos adversos: dor ou vermelhidão no local da aplicação
Representa uma alternativa de longa duração e alta adesão terapêutica.
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REFERÊNCIAS:
https://www.bhf.org.uk/informationsupport/heart-matters-magazine/medical/statin-alternatives


