Dois estudos relativamente recentes, um publicado em 2013 e outro em 2014, sugeriram que a terapia de reposição de testosterona poderia aumentar o risco de doença cardíaca e/ou acidente vascular cerebral. 1, 2
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Estes estudos foram mal concebidos, conflitando com numerosos ensaios médicos anteriores que mostraram os efeitos benéficos da testosterona no coração e que os baixos níveis de testosterona nos homens estão associados a um risco aumentado no desenvolvimento de doenças cardíacas.
As informações que se seguem foram levantadas a partir de uma revisão abrangente da literatura médica, que permitiu relacionar o baixo nível de testosterona a um risco aumentado no desenvolvimento de doenças cardiovasculares e constatar que a reposição de testosterona em níveis adequados não só diminui o risco de doença cardíaca, mas também pode ser usada para tratamento da doença coronariana.
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Baixos níveis de testosterona e aumento do risco de doença cardíaca
Diversos estudos relacionam a deficiência da testosterona com aumento do risco de desenvolvimento de uma doença cardíaca:
Homens com doença cardíaca coronária apresentam testosterona total, testosterona livre, e testosterona biodisponível significativamente menores. 3
Baixas concentrações endógenas de testosterona estão relacionadas à mortalidade por doença cardiovascular e outras causas. 4, 5
Estudo mostra uma possível correlação entre baixos níveis de testosterona, disfunção erétil e condições associadas a maior risco cardiovascular. 6
Estudo mostra que homens com doença cardíaca coronariana com menos de 45 anos tinham e níveis de testosterona livre significativamente menores que os controles. 7
Baixos níveis de testosterona têm sido associados à aterosclerose em homens. 9
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Baixos níveis de testosterona e aumento do risco de diabetes tipo II e síndrome metabólica
Níveis baixos de testosterona estão associados a um risco aumentado para o desenvolvimento do diabetes tipo II e síndrome metabólica. 10, 11, 12, 13, 14
Como a baixa testosterona reduz os níveis de açúcar no sangue, a Endocrine Society agora recomenda a medição da testosterona em todos os pacientes do sexo masculino com diabetes mellitus tipo II. 15
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Baixos níveis de testosterona estão associados a um aumento do risco de mortalidade
Estudo mostrou que a baixa testosterona prevê mortalidade por doença cardiovascular. 16
Estudo mostrou que baixos níveis de testosterona foram associados a um risco aumentado de todas as causas de mortalidade independente de numerosos fatores de risco. Os níveis séricos de testosterona foram inversamente relacionados à mortalidade por doença cardiovascular e câncer. 17
Níveis baixos de testosterona endógena estão associados a um risco aumentado de morte por todas as causas e morte cardiovascular. 18,
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Baixos níveis de testosterona e aumento do risco de hipertensão
Um estudo realizado por pesquisadores alemães mostrou que baixas concentrações de testosterona total são preditivas de hipertensão, sugerindo testosterona total como um potencial biomarcador para aumento do risco cardiovascular. 19
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Baixa testosterona e insuficiência cardíaca congestiva
Nos homens com insuficiência cardíaca, os baixos níveis de andrógenos no soro foram associados a um prognóstico adverso. 20
Em homens com insuficiência cardíaca crônica, a depleção de hormônios anabolizantes é comum, sendo que a deficiência de cada hormônio anabólico é um marcador independente de um mau prognóstico. 21
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Reposição de Testosterona e Doença Cardíaca
Um estudo realizado por pesquisadores europeus mostrou que, para a mortalidade por todas as causas, para cada aumento de seis nanomoles de testosterona por litro de soro foi associado com uma queda de quase quatorze por cento no risco de morte. 22
O estudo revelou que a reposição de testosterona estava associada à diminuição do HDL-C e lipoproteína a. 23
O mecanismo de reposição de testosterona que diminui os lipídios pode ser devido à efeitos positivos na gordura abdominal e resistência à insulina. 24
A administração a curto prazo de testosterona induz um efeito benéfico sobre a isquemia miocárdica induzida por exercícios em homens com doença coronariana. Esse efeito pode estar relacionado a um efeito relaxante coronariano da testosterona. 25
A administração intracoronariana de curto prazo de testosterona, em concentrações fisiológicas, induz dilatação da artéria coronária e aumento do fluxo sanguíneo coronariano em homens com doença coronariana estabelecida. 26
Suplementação em dose baixa com testosterona em homens com angina estável crônica reduzida isquemia miocárdica induzida por exercício. 27
A reposição de testosterona mostrou aumentar o fluxo sanguíneo coronariano em pacientes com doença coronariana. 28, 29
A reposição transdérmica de testosterona demonstrou melhorar a angina estável crônica aumentando a tolerância ao exercício livre de angina versus controles que estavam recebendo placebos. 30
Outro estudo mostrou que a reposição de testosterona reduziu a isquemia miocárdica induzida por exercícios. 31
A testosterona é um vasodilatador coronário, funcionando como um agente antagonista do cálcio. 32
Terapia de reposição de testosterona no hipogonadismo modera os componentes metabólicos associado ao risco cardiovascular. 33
A reposição de testosterona demonstrou diminuir a inflamação e reduzir o colesterol total. 34
A reposição de testosterona em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva demonstrou melhorar capacidade de exercício, a resistência à insulina e o desempenho muscular. 35
A reposição de testosterona tem se mostrado útil em pacientes com insuficiência cardíaca grave. 37
Nesta revisão da literatura médica, podemos ver que numerosos estudos mostram que os níveis de testosterona estão associados com um risco aumentado de doença cardíaca e que a reposição terapêutica da testosterona está associada a um risco reduzido de desenvolvimento de doenças cardíacas e é benéfica em pacientes que já apresentam doença vascular coronariana.
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Então, por que os dois iniciais mostraram que havia um risco aumentado de desenvolver doença em pacientes do sexo masculino que foram prescritos terapia de reposição de testosterona?
Há cinco “furos” sérios associados aos dois estudos iniciais.
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Os estudos citados não mediram estrona, estradiol nem hematócrito, o que limita a interpretação dos resultados.
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Estrogênios elevados em homens estão consistentemente associados a maior risco cardiovascular, incluindo infarto, AVC, doença arterial periférica e progressão da aterosclerose.
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Fatores que elevam estrogênio em homens incluem aumento da aromatase, obesidade, disfunção hepática, deficiência de zinco, álcool e alguns medicamentos
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Diversos estudos mostram associação entre estradiol elevado + testosterona baixa e ambiente lipídico aterogênico, doença coronariana, espessamento de carótidas e eventos cardiovasculares.
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Eritrocitose aumenta risco de trombose e doença cardíaca; diretrizes recomendam monitorar hematócrito durante terapia com testosterona e interromper se >54% — porém isso não foi avaliado nos estudos analisados.
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A ausência de monitorização adequada pode levar a níveis suprafisiológicos de testosterona, associados a estresse oxidativo e disfunção endotelial.
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Parte da testosterona converte-se em DHT, que pode favorecer aterosclerose precoce; nos estudos que sugeriram maior risco cardiovascular com testosterona, DHT não foi mensurado.
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Conclusão da revisão: há um possível mecanismo androgênio–receptor/DHT envolvendo inflamação endotelial e adesão de monócitos que pode predispor à aterosclerose, especialmente com doses mais altas de testosterona e sem monitorização adequada.
Conclusão:
Dada a abundância de estudos médicos que indicam os efeitos benéficos da prescrição adequada de testosterona, seria preciso concluir que esses dois artigos médicos citados inicialmente são pobremente projetados e suas conclusões são falhas.
Alguns dos pacientes não tiveram os níveis de testosterona medidos.
Consequentemente, os pacientes poderiam ter níveis suprafisiológicos de testosterona. Além disso, os níveis de DHT, estrona, estradiol e HCT não foram abordados. Além disso, a literatura médica mostrou que os hormônios no corpo são uma sinfonia e essa teia de interconexão não foi considerada.
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FONTE:
Testosterone and Heart Disease
http://news.a4m.com/issues/20140211/Testosterone-and-Heart-Disease.pdf
REFERÊNCIAS
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