O que é a insônia?
A pessoa precisa apresentar queixas de dificuldade para iniciar ou manter o sono pelo menos três vezes por semana.
Ou seja: dificuldade para dormir; despertares noturnos significativos, com demora de mais de meia hora para retornar ao sono; ou ainda acordar mais cedo do que o desejado e não conseguir voltar a dormir após 30 minutos.
Além disso, o paciente deve apresentar outros sintomas, como fadiga,irritabilidade e dificuldade de concentração durante o dia seguinte
Esses sintomas devem ocorrer pelo menos três vezes por semana, há pelo menos três meses.
A insônia é um problema que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 30% da população mundial enfrenta dificuldades para dormir adequadamente, e cerca de 10% têm insônia crônica.
Medicamentos mais usados para dormir: mecanismos de ação, efeitos colaterais e efeito sobre o sono
| Classe / Medicamento | Principal mecanismo de ação | Efeito sobre o sono | Pontos de atenção |
|---|---|---|---|
| Benzodiazepínicos | Potencializam o GABA-A, aumentando a inibição cerebral | Sedação, redução da ansiedade e menor tempo para adormecer | Tolerância, dependência, prejuízo de memória e sonolência diurna |
| Drogas Z | Atuam seletivamente no GABA-A, sobretudo em vias relacionadas ao sono | Facilitam principalmente o início do sono | Dependência, amnésia, sonolência residual e comportamentos anormais durante o sono |
| Trazodona | Bloqueia receptores 5-HT2A, H1 e alfa-1 | Sedação e melhora da continuidade do sono | Pode causar hipotensão, tontura e sonolência |
| Quetiapina | Bloqueia principalmente H1, 5-HT2A e receptores alfa-adrenérgicos | Sedação importante | Não é específica para insônia; pode causar ganho de peso e alterações metabólicas |
| Ramelteona | Agonista dos receptores de melatonina MT1 e MT2 | Regula o ritmo circadiano e facilita o início do sono | Baixo potencial de dependência |
| Agomelatina (Valdoxan) | Agonista MT1/MT2 e antagonista 5-HT2C | Organiza o ciclo sono-vigília | Exige atenção à função hepática |
| Mirtazapina | Bloqueia H1, 5-HT2, 5-HT3 e alfa-2 | Sedação e melhora do sono, sobretudo em doses menores | Aumento do apetite, ganho de peso e sonolência |
| Anti-histamínicos | Bloqueiam receptores de histamina H1 no cérebro | Reduzem a vigília e provocam sonolência | Tolerância, boca seca, constipação, retenção urinária e prejuízo cognitivo em idosos |
Distribuição de medicamentos para dormir relatados no estudo da USP
O levantamento inclui classes farmacológicas e medicações de venda livre (over the counter), que não exigem receita e não se restringem a uma única classe.
Os mais usados foram os fármacos Z (hipnóticos) e os benzodiazepínicos, seguidos por sedativos, antidepressivos e antipsicóticos de uso não convencional,sendo que os participantes puderam relatar o uso de mais de um remédio.
Será que esses medicamentos realmente aumentam o risco de Alzheimer?
Uma revisão concluída recentemente, reunindo 13 grandes estudos observacionais, deixa claro que a ciência ainda não tem uma resposta conclusiva para essa pergunta.
Os pesquisadores já têm certeza, porém, de que o uso prolongado desses medicamentos está associado a diversos efeitos adversos sobre a cognição e a saúde.
Em uma metanálise de 2014 sobre o uso crônico de benzodiazepínicos, foram encontrados tamanhos de efeito ponderados de moderados a grandes em todos os domínios cognitivos, sugerindo que os usuários de longo prazo apresentaram comprometimento significativo, em comparação com os controles, em todas as áreas avaliadas, mas não necessariamente algum tipo de demência, como o Alzheimer.
Um estudo mais recente, de 2026, deixou a seguinte dúvida:
Imagine uma pessoa que, muitos anos antes do diagnóstico de Alzheimer, começa a dormir mal, a sentir mais ansiedade e a apresentar sintomas depressivos.
Ela pode procurar atendimento médico justamente por esses motivos e receber a prescrição de um desses medicamentos. Ou seja, ela já estava na fase inicial do Alzheimer quando começou a usar Rivotril, por exemplo.
Nesse cenário, não foi o medicamento que causou o Alzheimer: as queixas de sono e humor já eram manifestações precoces da própria doença.
Isso é chamado de causalidade reversa.
Lemborexante: novo medicamento para dormir aprovado pela Anvisa em 2025 — mas ainda não encontrado nas farmácias no Brasil
Esse medicamento, chamado lemborexante, está transformando o tratamento dos distúrbios do sono por apresentar um mecanismo diferente dos remédios convencionais.
O lemborexante é classificado como um antagonista dual dos receptores de orexina (DORA), o que traz uma abordagem distinta das utilizadas até agora.
Enquanto os tratamentos tradicionais, como benzodiazepínicos e hipnóticos, atuam deprimindo diretamente o sistema nervoso central, o lemborexante age de forma mais fisiológica, bloqueando apenas os sinais que mantêm o cérebro em estado de alerta. Isso promove um sono mais natural e com menor risco de dependência.
De acordo com a Universidade de Oxford, ele já é considerado um dos melhores medicamentos do mundo para tratar a insônia crônica, especialmente para pessoas com dificuldade persistente em iniciar ou manter o sono.
Como funciona o lemborexante?
O lemborexante atua diretamente sobre os receptores de orexina (OX1 e OX2). A orexina é um neuropeptídeo produzido no hipotálamo que controla a vigília e o estado de alerta.
Ao bloquear esses receptores, o medicamento permite que o corpo entre em estado de sono naturalmente, sem a sedação forçada típica dos remédios tradicionais. Essa característica diminui o risco de efeitos colaterais comuns, como sonolência intensa no dia seguinte, lapsos de memória ou confusão mental, frequentemente relatados por quem usa hipnóticos clássicos, como o zolpidem e os benzodiazepínicos.
Um estudo publicado na revista The Lancet apontou que esse tipo de medicamento apresenta resultados clínicos consistentes, com melhora significativa na qualidade e na duração do sono, além de maior segurança para uso prolongado sob supervisão médica.
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Dr. Roberto Franco do Amaral Neto Crm 111370



