Entenda como antidepressivos, remédios para ansiedade, antipsicóticos e estabilizadores do humor podem influenciar o peso corporal — quais engordam, emagrecem ou são neutros.
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IMPORTANTE: nunca interrompa qualquer medicação sem orientação do seu médico. Existem alternativas terapêuticas seguras e eficazes para o manejo do peso, caso algum desses remédios tenha contribuído para o aumento corporal.
Na maioria — reforço, na maioria — das situações, o ganho de peso não ocorre exclusivamente por causa do medicamento, mas sim por falhas na alimentação e na prática regular de exercícios. Muitas vezes o remédio acaba recebendo a culpa por um conjunto de fatores comportamentais que precisam ser ajustados
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Embora alguns medicamentos, como fluoxetina,bupropiona e topiramato, possam resultar em perda de peso, muitos psicotrópicos causam ganho de peso, o que pode ser angustiante e levar à não adesão ou interrupção do tratamento ( 5 ).
Quando as pessoas ganham peso, o risco de desenvolver diabetes mellitus, doença arterial coronariana e outros problemas de saúde aumenta ( 6 , 7 )
As consequências negativas do excesso de peso para a saúde e a autoimagem também são preocupantes.
Além disso, a obesidade é mais comum entre pacientes psiquiátricos do que na população em geral.
Antipsicóticos
| Fármaco | Potencial de Ganho de Peso | Observações Clínicas |
|---|---|---|
| Olanzapina | Muito alto | Bloqueio H1, 5-HT2C e antagonismo D2. |
| Clozapina | Muito alto | Ação anti-H1, anti-5-HT2C e anticolinérgica. |
| Quetiapina | Moderado–alto | Bloco importante de H1 e 5-HT2C. |
| Risperidona | Moderado | Antagonismo 5-HT2 e D2. |
| Aripiprazol | Baixo a neutro | Agonista parcial D2. |
| Ziprasidona | Neutro | Baixo efeito orexigênico. |
Antidepressivos
| Fármaco | Potencial de Ganho de Peso | Observações Clínicas |
|---|---|---|
| Paroxetina | Alto | Forte afinidade por receptores H1. |
| Sertralina | Leve a moderado | Impacto menor que a paroxetina. |
| Fluoxetina | Neutro | Anorexígeno no início. |
| Citalopram | Leve | Pode aumentar apetite. |
| Amitriptilina | Alto | Ação anticolinérgica e anti-H1. |
| Mirtazapina | Alto | Antagonismo forte H1 e 5-HT2C. |
| Bupropiona | Pode causar perda | Atuação dopaminérgica/noradrenérgica. |
| Trazodona | Neutro | Sedativo, pouco efeito no apetite. |
Estabilizadores do Humor e Anticonvulsivantes
| Fármaco | Potencial de Ganho de Peso | Observações Clínicas |
|---|---|---|
| Lítio | Moderado | Pode afetar tireoide e apetite. |
| Ácido valproico | Alto | Interfere em leptina e insulina. |
| Carbamazepina | Moderado | Possível retenção hídrica. |
| Lamotrigina | Neutro | Sem efeito metabólico relevante. |
| Topiramato | Perda de peso | Efeito anorexígeno; útil na obesidade. |
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Nova estratégia para interromper antidepressivos com mais segurança
Estudos recentes trouxeram uma informação muito relevante para a prática clínica e para pacientes que desejam interromper o uso de antidepressivos de forma responsável e segura.
O que mudou na compreensão atual
A principal descoberta é que a redução lenta da dose do antidepressivo, quando associada a suporte psicológico estruturado, foi tão eficaz quanto manter o medicamento em dose plena na prevenção de recaídas ao longo de um ano. Essa evidência tem grau de certeza moderado e impacto clínico significativo.
Em termos práticos, essa estratégia evitou aproximadamente uma recaída a cada cinco pacientes quando comparada à interrupção abrupta ou à redução rápida da medicação.
Por que esse tema é importante
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Antidepressivos são indicados, de forma correta, para quadros moderados a graves de depressão e ansiedade.
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As diretrizes recomendam manutenção por 6 a 9 meses após o primeiro episódio e por pelo menos 2 anos em casos recorrentes ou graves.
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No entanto, cresce a preocupação com o uso prolongado sem reavaliação periódica, assim como com efeitos adversos de longo prazo, como disfunção sexual e embotamento emocional.
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Muitos pacientes relatam sintomas de abstinência ao tentar suspender o tratamento, o que torna a descontinuação um desafio clínico real.
O que o estudo avaliou
Os pesquisadores analisaram 76 ensaios clínicos randomizados, envolvendo mais de 17 mil participantes, comparando diferentes estratégias:
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Interrupção abrupta
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Redução rápida (menos de 4 semanas)
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Redução lenta (mais de 4 semanas)
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Continuação do antidepressivo em dose plena ou reduzida
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Todas essas estratégias, com ou sem suporte psicológico
O principal desfecho foi a taxa de recaída após cerca de um ano de acompanhamento.
Principais achados
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Redução lenta + suporte psicológico foi equivalente à continuação do antidepressivo em dose padrão na prevenção de recaídas.
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Continuar o antidepressivo (em dose padrão ou reduzida), especialmente com suporte psicológico, também reduziu o risco de recaída.
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Redução rápida, mesmo com suporte psicológico, e redução lenta sem apoio psicológico, não mostraram benefício claro em relação à interrupção abrupta.
O que isso significa na prática clínica
Esses dados reforçam que parar antidepressivos não deve ser um processo apressado ou isolado. Quando bem planejada, a descontinuação pode ser segura e eficaz, desde que envolva:
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Redução gradual e individualizada da dose
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Acompanhamento médico próximo
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Suporte psicológico durante o processo
Essa abordagem permite respeitar a biologia do cérebro, reduzir sintomas de abstinência e manter a estabilidade emocional do paciente.
Mensagem final
Interromper antidepressivos é possível para muitos pacientes, mas não deve ser feito de forma abrupta ou sem acompanhamento. A ciência atual mostra que uma estratégia cuidadosa, gradual e integrada ao cuidado psicológico oferece segurança comparável à manutenção do medicamento com benefícios reais para a saúde mental e a qualidade de vida.
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Referências
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Obesity and psychotropics. CNS Neuroscience & Therapeutics, Hoboken, v. 18, n. 1, p. 57–63, jan. 2012.
DOI: 10.1111/j.1755-5949.2011.00232.x.
PMID: 22070396. PMCID: PMC6493485.
WHARTON, S.; RAIBER, L.; SERODIO, K. J.; LEE, J.; CHRISTENSEN, R. A. G.
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DOI: 10.2147/DMSO.S171365.
VANINA, Y.; PODOLSKAYA, A.; SEDKY, K.; SHAHAB, H.; SIDDIQUI, A.; MUNSHI, F.; LIPPMANN, S.
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ZACCOLETTI, D. et al.
Comparison of antidepressant deprescribing strategies in individuals with clinically remitted depression: a systematic review and network meta-analysis. The Lancet Psychiatry, London, v. 13, n. 1, p. 24–36, 2025.
DOI: 10.1016/S2215-0366(25)00330-X.


