Como Tratar Transtorno de Desejo Sexual Hipoativo ( Baixa Libido)

ATUALIZADO EM 05/02/20026

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hsdd

QUAIS OS TRATATAMENTOS  PARA LIBIDO NA MULHER?

O transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD) é uma disfunção sexual feminina comum, que afeta aproximadamente 10% das mulheres nos Estados Unidos.

Evidências indicam que neurotransmissores, incluindo dopamina (DA), norepinefrina e serotonina, bem como hormônios como estradiol e testosterona, contribuem para o desejo e a resposta sexual feminina

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BUPROPIONA , atua regulando os níveis de dopamina e  mulheres que fazem uso deste medicamento percebem melhora da libido com certe frequência

A evidência sobre bupropiona para desejo/libido feminina é limitada, mas sugere possível benefício em e em disfunção sexual induzida por ISRS(  inibidores da receptação de sertonina como sertrlaina, paroxetina e escitalopran)

Transtorno do desejo sexual hipoativo (sem antidepressivos)

  • Em pré-menopausas, ensaio randomizado (n=232) com bupropiona SR 150 mg/dia por 12 semanas mostrou maior resposta que placebo e aumento do escore de desejo; 78% desejaram continuar vs 5% no placebo
  • Revisão sistemática/meta-análise encontrou efeito global favorável na melhora do desejo  com heterogeneidade alta; dose menor (150 mg) associou-se a melhor resposta que 300 mg .
  • Ensaio mais antigo também sugeriu melhora em excitação, orgasmo e satisfação com bupropiona SR em Transtorno do desejo sexual hipoativo pré-menopausa

Em resumo, bupropiona (SR 150 mg/dia a 150 mg 2x/dia) mostra sinais de benefício em desejo/libido feminina, com evidência moderada a baixa e heterogênea; resultados parecem mais consistentes quando a queixa é induzida por ANTI DEPRESSIVOS

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FLINBASERINA atua no sistema nervoso central para modificar os níveis de diferentes neurotransmissores relacionados ao humor e ao desejo sexual. Ela  

  • Diminui os níveis de serotonina no cérebro, que está associada à regulação do humor e do prazer.
  • Aumento da dopamina e norepinefrina: neurotransmissores importantes para o desejo e a excitação sexual. 

A flibanserina foi aprovada nos Estados Unidos pela FDA (Food and Drug Administration) em agosto de 2015 para tratar o transtorno do desejo sexual hipoativo (HSDD) em mulheres na pré-menopausa.

Flinbaserina, 100 mg à noite, uso diário: aumenta em média ~0,5 evento sexual satisfatório/mês e melhora pequena em desejo; eventos adversos comuns são tontura, sonolência e náusea.

Benefício clínico é modesto e a qualidade da evidência foi classificada como muito baixa

Comercializada sob o nome Addyi, ela é o primeiro medicamento aprovado para este fim e atua nos neurotransmissores do cérebro para aumentar o desejo sexual.

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BREMENALOTIDA ( PT141) , é um agonista do receptor de melanocortina (RMC).

(1,75 mg SC sob demanda): melhora estatisticamente o desejo e reduz a angústia relacionada ao baixo desejo; náusea, rubor e cefaleia ocorrem ≥10% dos casos

É comercializado dos Estados Unidos com o nome de Vylesi

As melanocortinas são neuropeptídeos endógenos associados à via excitatória do sistema de resposta sexual feminina.

Os receptor de melanocortina são encontrados em todo o corpo, incluindo o cérebro.

A bremelanotida é um agonista do receptor de metilcondrial) que ativa de forma não seletiva vários subtipos de receptores, sendo o subtipo 4 (MC4R) o mais relevante em doses terapêuticas.

O MC4R é predominantemente expresso na área pré-óptica medial (mPOA) do hipotálamo e é importante para a função sexual feminina.

Estudos sugerem que a bremelanotida pode afetar o desejo sexual feminino ativando receptores MC4R pré-sinápticos em neurônios da mPOA do hipotálamo, levando ao aumento da liberação de dopamina (DA), um neurotransmissor excitatório que aumenta o desejo sexual.

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FITOTERÁPICOS 

As evidências para fitoterápicos que melhorem libido/desejo em mulheres são limitadas, mas alguns têm dados de ensaios controlados.

Melhores evidências (benefício moderado em estudos controlados)

  • Tribulus terrestris: meta‑análise mostrou melhora do escore global de função sexual (diferença padronizada SMD 1,12) e nos domínios desejo, excitação e orgasmo versus placebo, sugerindo efeito clínico relevante, embora os estudos sejam pequenos e heterogêneos [1]1.
  • Panax ginseng (ginseng): meta‑análise indicou melhora de desejo  e excitação versus placebo; efeitos parecem modestos porém consistentes em curto prazo

Possíveis benefícios (evidência inicial/heterogênea)

  • Melissa officinalis: ensaio randomizado (4 semanas) mostrou melhora significativa em desejo e outros domínios do FSFI (índice de função sexual feminina) versus placebo; amostra pequena e curta duração [2]2.
  • Aromaterapia (ex.: lavanda, neroli; salva/jasmim): revisões/ensaios sugerem melhora pequena a moderada em desejo e alguns domínios, com limitações metodológicas e seguimento curto
  • Fitonutrientes específicos (ex.: Trigonella foenum‑graecum/feno‑grego, funcho): revisão em menopausa apontou melhora de libido/função em alguns estudos, enquanto soja e trevo‑vermelho não mostraram benefício consistente

Em mulheres na pós‑menopausa, diretrizes e revisões ressaltam grande variabilidade entre estudos de abordagens não hormonais, com necessidade de melhor padronização; considerar causas tratáveis (secura/atrofia, depressão, medicações) e opções com evidência robusta (DHEA vaginal, ospemifeno) quando apropriado

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OUTRAS OPÇOES E CONTEXTOS:

  • Testosterona transdérmica pode ser eficaz em mulheres pós‑menopausa com HSDD, seguindo posicionamentos globais e monitorização rigorosa de segurança; não é aprovada para pré‑menopausa
  • Estratégias psicoterápicas (terapia sexual, mindfulness) são parte central do algoritmo de tratamento e devem acompanhar qualquer farmacoterapia [2]2
  • Agentes off‑label (bupropiona, buspirona) têm evidência limitada e devem ser considerados caso a caso

Em suma, flibanserina (uso diário) e bremelanotida (sob demanda) são opções aprovadas para pré‑menopausa, com ganhos modestos e perfil de efeitos adversos que exige discussão de risco‑benefício; em pós‑menopausa, considerar testosterona transdérmica com critérios estritos

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REFERêNCIAS:

Safarinejad et al. (2010)A randomized, double-blind, placebo-controlled study of the efficacy and safety of bupropion for treating hypoactive sexual desire disorder in ovulating women. BJU international. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20151970/

Razali et al. (2022)The Role of Bupropion in the Treatment of Women with Sexual Desire Disorder: A Systematic Review and Meta-Analysis. Current neuropharmacology. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35193485/

Nappi et al. (2022)Medical Treatment of Female Sexual Dysfunction. The Urologic clinics of North America.https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35428435/

Barakeh et al. (2024) Pharmacotherapy of Hypoactive Sexual Desire Disorder in Premenopausal Women. The Annals of pharmacotherapy.
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38767282/

Sha’ari et al. (2021) Beneficial effects of natural products on female sexual dysfunction: A systematic review and meta-analysis. Phytomedicine : international journal of phytotherapy and phytopharmacology. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34638031/

Darvish-Mofrad-Kashani Z, Emaratkar E, Hashem-Dabaghian F, Emadi F, Raisi F, Aliasl J, Kamalinejad M, Hasheminejad SA, Eftekhar T, Zafarghandi N. Effect of Melissa officinalis (Lemon balm) on Sexual Dysfunction in Women: A Double- blind, Randomized, Placebo-controlled Study. Iran J Pharm Res. 2018 Winter;17(Suppl):89-100. PMID: 29796033; PMCID: PMC5958328.

Dr. Roberto Franco do Amaral – Especialista em Medicina Laboratorial CRM 111310

10 respostas

  1. Dr. Sou usuária de substâncias
    químicas que potencialmente liberam níveis desenfreados de dopamina no meu organismo, mas mesmo assim não tenho libído.
    Qual a relação? De excesso de dopamina e perca de libido e perca de interesse em tudo ?
    Já estou em terapia.

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Dr. Roberto Franco do Amaral – Especialista em Medicina Laboratorial CRM 111310

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