12 Contradições Sobre Terapias Hormonais na Prática Médica.

Publicado em: 9 de abr de 2019 / Atualizado em 09/2026

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Nenhuma terapia hormonal deve ser iniciada ou interrompida sem avaliação profissional.

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As terapias hormonais estão entre os assuntos mais debatidos — e mais mal compreendidos — da medicina atual. No consultório, é comum ouvir discursos contraditórios: o mesmo hormônio condenado em uma situação é prescrito sem hesitação em outra, apenas com nome, marca ou indicação diferentes.

Reuni abaixo 11 contradições que observo com frequência no debate sobre terapias hormonais. O objetivo não é desqualificar nenhum tratamento, mas estimular coerência científica e ajudar você a fazer perguntas melhores ao seu médico.

O que são terapias hormonais?

Terapia hormonal, hormonioterapia ou endocrinoterapia baseia-se no princípio de administrar ou suprimir hormônios com diferentes finalidades: reposição em casos de deficiência, contracepção, terapia de masculinização ou feminilização, tratamento de câncer, supressão androgênica, entre outras.

Ou seja, as terapias hormonais não são uma categoria única  e é justamente aí que nascem as incoerências.

As 12 contradições mais comuns sobre terapias hormonais

1. Contra a reposição na menopausa, mas a favor do anticoncepcional

“Sou contra a reposição hormonal na menopausa, mas sou a favor do uso de anticoncepcionais hormonais desde a menarca até o início da menopausa.” Detalhe: os hormônios utilizados pertencem às mesmas classes.

2. Contra hormônios para emagrecer, mas a favor da gestrinona

“Sou contra terapias hormonais para emagrecimento, mas a favor da gestrinona para queima de gordura e ganho de massa muscular.” A gestrinona é um esteroide anabolizante da mesma classe da nandrolona (Deca-Durabolin) e da trembolona.

3. Testosterona “bloqueia a fertilidade”, mas o anticoncepcional não?

“Alego que terapias hormonais com testosterona e derivados bloqueiam a produção hormonal natural e reduzem a fertilidade, mas sou a favor de anticoncepcionais hormonais que bloqueiam a produção hormonal e a fertilidade durante o uso.”

4. Uso de Testosterona bloqueia a produção deste hormônio , mas os  corticóides não?

“Alego que esteroides anabolizantes, como a testosterona, bloqueiam a produção natural desse hormônio, mas prescrevo corticoides (que também são esteroides), como dexametasona, prednisona e betametasona (Diprospan), que bloqueiam a produção de cortisol durante o uso.”

O Diprospan chega a bloquear a produção de cortisol por até um mês.

5.  Contra hormônios por estética, mas a favor de anticoncepcionais para acne e queda de cabelo

“Sou contra o uso de hormônios para fins estéticos, como queima de gordura, mas a favor de anticoncepcionais hormonais para acne e queda de cabelo.”

6. Contra hormônios por estética, mas a favor de finasterida e espironolactona para acne e queda de cabelo

“Sou contra terapias hormonais para estética, mas a favor de finasterida, dutasterida  e espironolactona para queda de cabelo.” Ambos atuam diretamente sobre a via hormonal androgênica.

7. Hormônio do crescimento causa câncer; exceto em crianças?

“Alego que o hormônio do crescimento causa câncer, mas mudo o discurso quando o uso é em crianças para ganho de estatura,mesmo sem deficiência  comprovada”

8. Testosterona faz mal para a saúde da mulher, causa efeitos masculinizantes , mas a tibolona é altamente prescrita há mais de 20 anos.

“Repito que a testosterona não tem influência sobre a libido feminina, mas prescrevo tibolona (Livial e similares), que aumenta a testosterona livre.”

9. Hormônios são arriscados, mas procedimentos estéticos não.

“Considero arriscadas ou onerosas as terapias hormonais para emagrecimento, mas não penso o mesmo sobre próteses de silicone, inclusive de panturrilha, lipoaspiração, aumento de gluteos, abdomem  3D e tratamentos estéticos com enzimas ou ‘congelamento’ de gordura.”

10. Testosterona é perigosa, exceto na terapia de masculinização para homens  trans.

“Alego que o uso de testosterona sem deficiência aumenta a chance de tumores e doenças cardiovasculares, mas considero normal prescrevê-la, em doses suprafisiológicas, para homens trans em terapia de masculinização.”

11. Estrogênio aumenta o risco de câncer de mama, exceto na feminilização

“Alego que o uso de estrogênios aumenta a chance de câncer de mama, mas prescrevo estrogênios para mulheres trans em terapia de feminilização.”

12. Fui contra  reposição hormonal na menopausa com estrogênios e progesteronas e derivados mas prescrevi os mesmos hormônios  durante a vida toda das mulheres enquanto elas menstruavam, inclusive  para os fins mais diversos como enxaqueca, TPM, cólica,  “regular menstraução,  irritabilidade e também, para não engravidar 

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Observação importante

A ideia não é desabonar nenhum dos tratamentos citados. Bem indicados, todos eles podem ser válidos e trazer benefícios reais. Busco apenas esclarecer alguns pontos e mostrar que o critério precisa ser o mesmo para todos.

Conclusão: coerência antes de dogma

O que essas 11 contradições revelam é simples: o problema raramente está no hormônio em si, e sim na indicação, na dose, no acompanhamento e no contexto clínico de cada paciente.

Avaliar terapias hormonais com dois pesos e duas medidas não protege ninguém, apenas confunde quem busca informação de qualidade.

Antes de aceitar um “sim” ou um “não” definitivo, pergunte: qual é o objetivo do tratamento, qual a evidência que o sustenta e como o acompanhamento será feito.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. Nenhuma terapia hormonal deve ser iniciada ou interrompida sem avaliação profissional.

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Dr. Roberto Franco do Amaral – Especialista em Medicina Laboratorial CRM 111310

Respostas de 2

  1. Considero esse assunto como algo tão imenso quanto o universo em si.
    A possibilidade dos resultados nunca são iguais e elas variam muito de pessoa para pessoa.
    Veja o meu caso: eu faço musculação a 27 anos. Há 2 anos atrás resolvi meu primeiro ciclo com esteróides, um ciclo básico (Testosterona, Oxandrolona e Stanozolol). Resultado: odiei. Tive um aumento absurdo de peso, insônia, irritabilidade… Resolvi nunca mais fazer isso.
    Hoje, faço apenas reposição (250mg de testosterona a cada 3 semanas e 50mg de Nandrolona a cada 2 semanas), me sinto super bem, disposto e tirando algumas espinhas não tenho notado nenhum efeito colateral agressivo ou significante.

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