{"id":28841,"date":"2026-10-12T04:33:28","date_gmt":"2026-10-12T07:33:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/?p=28841"},"modified":"2026-10-12T04:59:41","modified_gmt":"2026-10-12T07:59:41","slug":"endometriose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/endometriose\/","title":{"rendered":"Endometriose: guia completo de sintomas, diagn\u00f3stico e tratamento"},"content":{"rendered":"\r\n<div style=\"background: #F3F7FA; border-left: 4px solid #0B3C5D; padding: 14px 18px; margin: 0 0 22px 0; font-size: 0.95em; color: #1a1a1a;\"><strong>Antes de ler:<\/strong> este guia sobre endometriose \u00e9 educativo e n\u00e3o substitui consulta, exame ou prescri\u00e7\u00e3o. Dor p\u00e9lvica s\u00fabita e intensa, febre ou sangramento abundante pedem atendimento de urg\u00eancia.<\/div>\r\n<div id=\"resposta-rapida\" style=\"background: #0B3C5D; color: #fff; padding: 18px 22px; margin: 0 0 28px 0; border-radius: 6px;\">\r\n<p style=\"margin: 0 0 8px 0; font-size: 0.8em; letter-spacing: 0.08em; text-transform: uppercase; color: #56bec8;\"><strong>Resposta r\u00e1pida<\/strong><\/p>\r\n<p style=\"margin: 0; color: #fff;\">A endometriose \u00e9 uma doen\u00e7a inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica em que um tecido parecido com o endom\u00e9trio, a camada interna do \u00fatero, cresce fora dele. Ela atinge cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva e causa principalmente c\u00f3lica menstrual forte e dor p\u00e9lvica. Cerca de um quarto das mulheres relata dificuldade para engravidar. Atualmente, o diagn\u00f3stico parte dos sintomas e dos exames de imagem, sem depender de cirurgia. O tratamento de primeira linha \u00e9 hormonal e costuma controlar os sintomas, mas n\u00e3o cura a doen\u00e7a.<\/p>\r\n<\/div>\r\n<p style=\"font-size: 0.85em; color: #555; margin: 0 0 24px 0;\">Por Dr. Roberto Franco do Amaral \u00b7 CRM-SP 111370 \u00b7 RQE 50521 \u00b7 Leitura completa em cerca de 30 minutos<\/p>\r\n<nav style=\"background: #fff; border: 1px solid #d9e2ea; padding: 14px 20px; margin: 0 0 30px 0; font-size: 0.93em;\" aria-label=\"Sum\u00e1rio\">\r\n<p style=\"margin: 0 0 8px 0;\"><strong>Neste guia<\/strong><\/p>\r\n<ul style=\"margin: 0; padding-left: 20px; line-height: 1.7; column-width: 240px; column-gap: 36px;\">\r\n<li><a href=\"#resumo\">Resumo<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#o-que-e\">O que \u00e9<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#sintomas\">Sintomas<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#causas\">Causas<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#genetica-fibrose-imunidade\">Gen\u00e9tica, fibrose e microambiente imune<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#diagnostico\">Diagn\u00f3stico<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#novos-exames\">Novos exames: saliva, sangue, fezes e sangue menstrual<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#tratamento\">Tratamento<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#alimentacao-suplementos\">Alimenta\u00e7\u00e3o e suplementos<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#fertilidade\">Fertilidade e gravidez<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#cancer\">C\u00e2ncer de ov\u00e1rio<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#adolescencia-menopausa\">Adolesc\u00eancia e menopausa<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#novidades-2026\">O que h\u00e1 de novo em 2026<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#quando-procurar\">Quando procurar avalia\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes<\/a><\/li>\r\n<li><a href=\"#referencias\">Refer\u00eancias<\/a><\/li>\r\n<\/ul>\r\n<\/nav>\r\n<h2 id=\"resumo\">Endometriose em resumo<\/h2>\r\n<ul>\r\n<li>Cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva t\u00eam endometriose, e o governo federal fala em cerca de 8 milh\u00f5es de brasileiras.<\/li>\r\n<li>Os sinais mais t\u00edpicos s\u00e3o c\u00f3lica menstrual que piora com os anos, dor na rela\u00e7\u00e3o sexual e dor para evacuar ou urinar durante a menstrua\u00e7\u00e3o.<\/li>\r\n<li>O diagn\u00f3stico ainda demora anos, embora as diretrizes j\u00e1 aceitem come\u00e7ar o tratamento com base nos sintomas.<\/li>\r\n<li>Ultrassom transvaginal com preparo intestinal e resson\u00e2ncia magn\u00e9tica mostram cistos de ov\u00e1rio (endometriomas) e les\u00f5es profundas, mas um exame normal n\u00e3o descarta a doen\u00e7a.<\/li>\r\n<li>Anticoncepcionais combinados ou progestag\u00eanios isolados, de prefer\u00eancia em uso cont\u00ednuo, formam a primeira linha de tratamento.<\/li>\r\n<li>Desde 1\u00ba de outubro de 2026, os planos de sa\u00fade cobrem o DIU hormonal para endometriose quando a paciente cumpre os crit\u00e9rios da ANS.<\/li>\r\n<li>Testes de saliva e de sangue seguem em estudo e ainda n\u00e3o substituem a avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica.<\/li>\r\n<li>O risco de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio aumenta, por\u00e9m continua baixo em n\u00fameros absolutos.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<h2 id=\"o-que-e\">O que \u00e9 endometriose<\/h2>\r\n<p>Endometriose \u00e9 a presen\u00e7a de tecido semelhante ao endom\u00e9trio, a camada interna do \u00fatero, em locais fora da cavidade uterina. Os focos aparecem principalmente no perit\u00f4nio (a membrana que reveste a pelve), nos ov\u00e1rios, nos ligamentos atr\u00e1s do \u00fatero, no intestino e na bexiga. Como dependem de estrog\u00eanio, eles reagem aos horm\u00f4nios do ciclo, inflamam e podem sangrar. Aos poucos, podem surgir ader\u00eancias e cicatrizes.<\/p>\r\n<p>O <a href=\"https:\/\/sbendometriose.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Endometriose-Tratamento-Clinico-Farmacologico.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">consenso brasileiro de 2026<\/a> define a endometriose como condi\u00e7\u00e3o inflamat\u00f3ria cr\u00f4nica, sist\u00eamica e dependente de estrog\u00eanio. Ou seja, os efeitos v\u00e3o al\u00e9m da pelve, com sinais de inflama\u00e7\u00e3o em outras partes do corpo, maior sensibilidade \u00e0 dor e altera\u00e7\u00f5es de humor (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/S0140-6736(21)00389-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Taylor, 2021<\/a>). A doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 c\u00e2ncer, n\u00e3o \u00e9 contagiosa e, em geral, perde for\u00e7a depois da menopausa.<\/p>\r\n<p>Cerca de 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva convive com a doen\u00e7a. No Brasil, o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/conitec\/pt-br\/midias\/protocolos\/pcdt_endometriose_2016-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">protocolo do SUS de 2026<\/a>, conhecido pela sigla PCDT, cita preval\u00eancia de 6,4% nessa faixa de idade. Entre as que t\u00eam sintomas e chegam a servi\u00e7os especializados, por\u00e9m, o n\u00famero sobe para at\u00e9 34,2%. Em junho de 2026, o governo federal falou em cerca de <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2026\/06\/7437429-governo-anuncia-investimento-em-pesquisas-sobre-endometriose.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">8 milh\u00f5es de brasileiras<\/a>. As estimativas n\u00e3o coincidem porque usam fontes e m\u00e9todos diferentes.<\/p>\r\n<h3 id=\"tipos\">Tipos de endometriose: superficial, ovariana e profunda<\/h3>\r\n<p>A doen\u00e7a aparece em tr\u00eas formas, que podem coexistir na mesma mulher.<\/p>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Superficial ou peritoneal:<\/strong> focos rasos no perit\u00f4nio. \u00c9 a forma mais comum, mas escapa com frequ\u00eancia dos exames de imagem.<\/li>\r\n<li><strong>Ovariana (endometrioma):<\/strong> cisto no ov\u00e1rio com conte\u00fado espesso e escuro, conhecido como cisto de chocolate.<\/li>\r\n<li><strong>Profunda:<\/strong> les\u00f5es que penetram mais de 5 mm abaixo da superf\u00edcie e alcan\u00e7am ligamentos, intestino, bexiga ou ureter.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<p>Os cirurgi\u00f5es classificam a extens\u00e3o das les\u00f5es em est\u00e1gios de I a IV (m\u00ednima, leve, moderada e grave). S\u00f3 que o est\u00e1gio n\u00e3o acompanha a intensidade da dor, segundo a <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/hropen\/hoac009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">diretriz europeia ESHRE de 2022<\/a>. H\u00e1 mulheres com doen\u00e7a m\u00ednima e dor incapacitante, assim como o contr\u00e1rio.<\/p>\r\n<h2 id=\"sintomas\">Sintomas da endometriose: quando a c\u00f3lica n\u00e3o \u00e9 normal<\/h2>\r\n<p>Cerca de 90% das mulheres com endometriose t\u00eam dor p\u00e9lvica (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2025.2975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As-Sanie, 2025<\/a>). Em geral, a c\u00f3lica comum melhora com analg\u00e9sico simples e n\u00e3o atrapalha a rotina. J\u00e1 a c\u00f3lica que faz faltar \u00e0 escola ou ao trabalho, que piora ano ap\u00f3s ano ou que n\u00e3o cede com anti-inflamat\u00f3rio pede investiga\u00e7\u00e3o. Os sinais que as diretrizes mandam valorizar s\u00e3o estes:<\/p>\r\n<ul>\r\n<li>c\u00f3lica menstrual intensa, que limita as atividades;<\/li>\r\n<li>dor profunda durante a rela\u00e7\u00e3o sexual;<\/li>\r\n<li>dor para evacuar ou urinar, sobretudo na menstrua\u00e7\u00e3o;<\/li>\r\n<li>sangue nas fezes ou na urina que coincide com o per\u00edodo menstrual;<\/li>\r\n<li>dor p\u00e9lvica fora da menstrua\u00e7\u00e3o;<\/li>\r\n<li>cansa\u00e7o persistente;<\/li>\r\n<li>dificuldade para engravidar.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<p>Uma parte das mulheres n\u00e3o sente nada e descobre a doen\u00e7a ao investigar infertilidade ou em um exame pedido por outro motivo.<\/p>\r\n<h3 id=\"sinais-fora-da-pelve\">Sinais menos comuns, fora da pelve<\/h3>\r\n<p>Quando h\u00e1 focos no diafragma, no t\u00f3rax ou em cicatrizes, os sintomas mudam de lugar, mas mant\u00eam o padr\u00e3o c\u00edclico. A ESHRE cita, por exemplo, dor na ponta do ombro, tosse, dor no peito e at\u00e9 pneumot\u00f3rax que aparecem junto com a menstrua\u00e7\u00e3o. N\u00f3dulos em cicatrizes cir\u00fargicas que incham e doem nesse per\u00edodo tamb\u00e9m entram na lista. Esses quadros s\u00e3o raros, e a suspeita vem da repeti\u00e7\u00e3o a cada menstrua\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<h3 id=\"condicoes-associadas\">Condi\u00e7\u00f5es que costumam acompanhar a endometriose<\/h3>\r\n<p>A s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel \u00e9 duas a tr\u00eas vezes mais frequente em quem tem endometriose (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s00404-020-05797-8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Chiaffarino, 2021<\/a>). Uma <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/jcm15124583\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revis\u00e3o guarda-chuva de 2026<\/a>, tipo de estudo que re\u00fane v\u00e1rias meta-an\u00e1lises, encontrou risco quase tr\u00eas vezes maior de ansiedade e de depress\u00e3o. Os resultados, por\u00e9m, variaram muito entre os estudos. Al\u00e9m disso, enxaqueca, dor lombar e dor cr\u00f4nica em v\u00e1rios locais compartilham parte da base gen\u00e9tica com a doen\u00e7a, segundo um <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41588-023-01323-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">grande estudo gen\u00f4mico de 2023<\/a>. Por isso o consenso brasileiro defende o cuidado multidisciplinar.<\/p>\r\n<h2 id=\"causas\">O que causa a endometriose<\/h2>\r\n<p>Nenhuma teoria explica sozinha todos os casos. A mais antiga \u00e9 a da menstrua\u00e7\u00e3o retr\u00f3grada, em que parte do sangue menstrual reflui pelas trompas e leva c\u00e9lulas do endom\u00e9trio para a pelve. Esse refluxo acontece na maioria das mulheres, mas s\u00f3 uma parte desenvolve a doen\u00e7a. Logo, outros fatores precisam estar presentes, como a gen\u00e9tica, a resposta imune e o ambiente hormonal (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/jog.15549\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cousins, 2023<\/a>).<\/p>\r\n<p>Os fatores de risco mais consistentes s\u00e3o primeira menstrua\u00e7\u00e3o precoce, ciclos curtos e \u00edndice de massa corporal mais baixo. Ciclos com menos de 27 dias, por exemplo, se associaram a chance 68% maior da doen\u00e7a na revis\u00e3o guarda-chuva de 2026. N\u00e3o ter tido filhos ou ter malforma\u00e7\u00f5es que obstruem a sa\u00edda do fluxo menstrual tamb\u00e9m aumenta o risco (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2025.2975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As-Sanie, 2025<\/a>). Ter m\u00e3e ou irm\u00e3 com endometriose tamb\u00e9m pesa.<\/p>\r\n<h2 id=\"genetica-fibrose-imunidade\">Gen\u00e9tica, fibrose e microambiente imune<\/h2>\r\n<p>A pesquisa recente ajuda a explicar por que a doen\u00e7a se instala em algumas mulheres e por que a dor persiste mesmo com les\u00f5es pequenas. Nenhum dos temas abaixo muda, por enquanto, a conduta no consult\u00f3rio.<\/p>\r\n<h3 id=\"genetica\">Gen\u00e9tica: 42 regi\u00f5es do genoma ligadas \u00e0 endometriose<\/h3>\r\n<p>Estudos de associa\u00e7\u00e3o gen\u00f4mica ampla (GWAS) identificaram 42 loci (regi\u00f5es do genoma) significativos, com 49 sinais associados \u00e0 suscetibilidade \u00e0 endometriose (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41588-023-01323-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Rahmioglu, 2023<\/a>; <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/wsbm.1624\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pais, 2023<\/a>). O dado vem de uma meta-an\u00e1lise com 60.674 mulheres com a doen\u00e7a e 701.926 controles. Somadas, essas variantes explicam at\u00e9 5% da varia\u00e7\u00e3o no risco, enquanto estudos com g\u00eameas estimam a herdabilidade total em torno de 50% (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1530\/RAF-21-0078\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saunders, 2022<\/a>).<\/p>\r\n<p>Herdabilidade de 50% quer dizer que cerca de metade da diferen\u00e7a de risco entre as mulheres se explica pela gen\u00e9tica. N\u00e3o quer dizer que a filha de quem tem a doen\u00e7a tenha 50% de chance de t\u00ea-la. Parte das variantes heredit\u00e1rias fica em vias hormonais, como a do gene ESR1, que codifica um receptor de estrog\u00eanio.<\/p>\r\n<div style=\"background: #FFF8E6; border-left: 4px solid #D9A404; padding: 14px 18px; margin: 20px 0; color: #1a1a1a;\"><strong>O que isso n\u00e3o significa:<\/strong> que j\u00e1 exista teste gen\u00e9tico capaz de confirmar ou descartar endometriose. A ESHRE recomenda que exames gen\u00e9ticos fiquem restritos \u00e0 pesquisa.<\/div>\r\n<h3 id=\"mutacoes-somaticas\">Muta\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas e o risco de transforma\u00e7\u00e3o maligna<\/h3>\r\n<p>Al\u00e9m das variantes heredit\u00e1rias, o sequenciamento revelou muta\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas, isto \u00e9, adquiridas ao longo da vida, em genes condutores de c\u00e2ncer. Elas aparecem tanto no endom\u00e9trio eut\u00f3pico, o de dentro do \u00fatero, quanto nas les\u00f5es ect\u00f3picas (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/jog.15549\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cousins, 2023<\/a>; <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1530\/RAF-21-0078\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Saunders, 2022<\/a>). Em cerca de 0,5% a 1% dos casos, essas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, somadas ao estresse oxidativo, facilitam a transforma\u00e7\u00e3o maligna das les\u00f5es em carcinomas ovarianos associados \u00e0 endometriose (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/jcm14092975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ioannidou, 2025<\/a>).<\/p>\r\n<div style=\"background: #FDF0EE; border-left: 4px solid #C0392B; padding: 14px 18px; margin: 20px 0; color: #1a1a1a;\"><strong>O que isso n\u00e3o significa:<\/strong> que uma muta\u00e7\u00e3o desse tipo em uma les\u00e3o seja diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer. Em um estudo, 10 de 39 les\u00f5es profundas (26%) tinham muta\u00e7\u00f5es condutoras em genes como ARID1A, PIK3CA, KRAS ou PPP2R1A (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1056\/NEJMoa1614814\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anglesio, 2017<\/a>). Ainda assim, os autores descrevem essas les\u00f5es como praticamente sem risco de maligniza\u00e7\u00e3o. Muta\u00e7\u00f5es em genes ligados ao c\u00e2ncer aparecem tamb\u00e9m no epit\u00e9lio do endom\u00e9trio normal (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.celrep.2018.07.037\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Suda, 2018<\/a>). A transforma\u00e7\u00e3o maligna, quando ocorre, envolve quase sempre o ov\u00e1rio.<\/div>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<h3 id=\"microbiota\">Microbiota genital e intestinal na endometriose<\/h3>\r\n<p>Em mulheres com endometriose, a disbiose genital e intestinal, isto \u00e9, o desequil\u00edbrio da flora, se correlaciona com perda de <em>Lactobacillus<\/em> e aumento da ativa\u00e7\u00e3o imune local (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/ijms22115644\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jiang, 2021<\/a>). Em estudo divulgado em 2024, um grupo do Baylor College of Medicine comparou as fezes de 18 mulheres com endometriose e de 31 sem a doen\u00e7a. O 4-hidroxindol, um metab\u00f3lito de origem bacteriana, estava mais baixo no grupo com endometriose. Em camundongos, a mesma subst\u00e2ncia reduziu as les\u00f5es e a dor (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.medj.2024.09.006\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Talwar, 2025<\/a>).<\/p>\r\n<div style=\"background: #FFF8E6; border-left: 4px solid #D9A404; padding: 14px 18px; margin: 20px 0; color: #1a1a1a;\"><strong>O que isso n\u00e3o significa:<\/strong> que a microbiota cause a endometriose ou que j\u00e1 sirva para diagnosticar ou tratar a doen\u00e7a. Correla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 causa, e os estudos em humanos ainda s\u00e3o pequenos. N\u00e3o h\u00e1 exame de microbiota, probi\u00f3tico ou antibi\u00f3tico com essa indica\u00e7\u00e3o. A queixa intestinal, por outro lado, merece avalia\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, porque a s\u00edndrome do intestino irrit\u00e1vel \u00e9 frequente nessas pacientes. Veja tamb\u00e9m os textos do blog sobre <a href=\"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/category\/qualidade-devida-bem-estar\/quero-melhorar-o-intestino\/\">sa\u00fade intestinal<\/a>.<\/div>\r\n<h2 id=\"diagnostico\">Como se chega ao diagn\u00f3stico da endometriose<\/h2>\r\n<p>Durante d\u00e9cadas, o diagn\u00f3stico dependeu de laparoscopia (cirurgia por v\u00eddeo) com bi\u00f3psia, mas isso mudou.<\/p>\r\n<p>A diretriz europeia de 2022 reserva a laparoscopia diagn\u00f3stica para quem tem exame de imagem negativo ou n\u00e3o respondeu ao tratamento emp\u00edrico (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/hropen\/hoac009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESHRE, 2022<\/a>). Emp\u00edrico \u00e9 o tratamento iniciado s\u00f3 com base nos sintomas. Em mar\u00e7o de 2026, o Col\u00e9gio Americano de Obstetras e Ginecologistas publicou sua primeira diretriz dedicada ao diagn\u00f3stico (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1097\/AOG.0000000000006181\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ACOG, 2026<\/a>). De acordo com o texto, sintomas ou exame f\u00edsico compat\u00edveis bastam para o diagn\u00f3stico cl\u00ednico presumido e para iniciar o tratamento.<\/p>\r\n<p>No Brasil, o protocolo do SUS de 2026 vai na mesma dire\u00e7\u00e3o. Conforme o documento, n\u00e3o h\u00e1 benef\u00edcio em atrasar o tratamento \u00e0 espera de confirma\u00e7\u00e3o cir\u00fargica (<a href=\"https:\/\/www.gov.br\/conitec\/pt-br\/midias\/protocolos\/pcdt_endometriose_2016-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PCDT, 2026<\/a>).<\/p>\r\n<p>A consulta come\u00e7a pela hist\u00f3ria: quando a dor aparece, o que piora e o que voc\u00ea j\u00e1 tentou. O exame ginecol\u00f3gico pode achar n\u00f3dulos e pontos dolorosos, mas um exame normal n\u00e3o afasta a doen\u00e7a. Por isso a investiga\u00e7\u00e3o segue para a imagem mesmo quando o toque n\u00e3o mostra nada.<\/p>\r\n<h3 id=\"exames\">Exames de imagem: ultrassom transvaginal e resson\u00e2ncia<\/h3>\r\n<div style=\"overflow-x: auto;\">\r\n<table style=\"width: 100%; min-width: 560px; border-collapse: collapse; margin: 20px 0; font-size: 0.93em;\">\r\n<thead>\r\n<tr style=\"background: #0B3C5D; color: #fff;\">\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">Exame<\/th>\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">O que mostra<\/th>\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">Limite<\/th>\r\n<\/tr>\r\n<\/thead>\r\n<tbody>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Ultrassom transvaginal com preparo intestinal<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Endometrioma e les\u00f5es profundas em intestino, bexiga ou ligamentos<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Depende de examinador treinado e, em geral, n\u00e3o enxerga a doen\u00e7a superficial<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea; background: #F3F7FA;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Resson\u00e2ncia magn\u00e9tica da pelve<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Mapa das les\u00f5es profundas, \u00fatil principalmente antes de cirurgia<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Custa mais e, assim como o ultrassom, falha na doen\u00e7a superficial<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Laparoscopia<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Vis\u00e3o direta das les\u00f5es, com bi\u00f3psia e tratamento no mesmo ato<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">\u00c9 cirurgia, com anestesia e riscos, e ainda assim a bi\u00f3psia negativa n\u00e3o exclui a doen\u00e7a<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea; background: #F3F7FA;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">CA-125 no sangue<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Pode subir na endometriose, mas tamb\u00e9m em outras condi\u00e7\u00f5es<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Pouco sens\u00edvel, por isso as diretrizes n\u00e3o o recomendam<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<\/div>\r\n<p>O ultrassom para endometriose exige preparo intestinal e profissional treinado nessa busca, o que o diferencia do exame de rotina. Nenhum m\u00e9todo de imagem exclui a doen\u00e7a, porque a forma superficial costuma escapar do ultrassom e da resson\u00e2ncia.<\/p>\r\n<h3 id=\"atraso\">Por que o diagn\u00f3stico da endometriose demora tanto<\/h3>\r\n<p>O intervalo entre o primeiro sintoma e o diagn\u00f3stico se mede em anos. S\u00e3o 7 em m\u00e9dia, de acordo com a <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/e\/endometriose\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">p\u00e1gina do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>, e de 8 a 12 no protocolo do SUS de 2026. A diretriz americana fala em 4 a 11 anos. Nesse caminho, a maioria das mulheres passa por tr\u00eas ou mais m\u00e9dicos (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2025.2975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As-Sanie, 2025<\/a>).<\/p>\r\n<p>Parte do atraso vem da ideia, repetida em casa e no consult\u00f3rio, de que c\u00f3lica forte \u00e9 normal. A diretriz do ACOG reconhece tamb\u00e9m o peso dos vieses de g\u00eanero e de ra\u00e7a.<\/p>\r\n<p>Falta tamb\u00e9m gente treinada. Por isso o <a href=\"https:\/\/portal.afya.com.br\/saude\/projeto-endometriose-treinou-12-mil-profissionais-de-saude\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Projeto Endometriose Brasil<\/a>, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade com a Benefic\u00eancia Portuguesa de S\u00e3o Paulo, capacitou cerca de 1,2 mil cirurgi\u00f5es, radiologistas e profissionais da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria. E<\/p>\r\n<p>nquanto isso, a procura cresce: os atendimentos por endometriose na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria do SUS subiram 76,2% em tr\u00eas anos, conforme dado de 2025 do minist\u00e9rio.<\/p>\r\n<h2 id=\"novos-exames\">Novos exames para endometriose: saliva, sangue, fezes e sangue menstrual<\/h2>\r\n<p>Um exame simples que confirmasse a doen\u00e7a pouparia anos de espera, e v\u00e1rios grupos tentam chegar l\u00e1. Em setembro e outubro de 2026, o tema ganhou espa\u00e7o no New York Times e na <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/10\/testes-de-saliva-e-de-sangue-buscam-detectar-endometriose-sem-cirurgia.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Folha de S.Paulo<\/a>. Em medicina laboratorial, por\u00e9m, a primeira pergunta diante de um teste novo \u00e9 onde e em quem os autores o validaram.<\/p>\r\n<h3 id=\"como-ler-os-numeros\">Como ler os n\u00fameros desses testes<\/h3>\r\n<p>Sensibilidade \u00e9 a parcela das doentes que o teste detecta. Especificidade \u00e9 a parcela das n\u00e3o doentes em que ele d\u00e1 negativo. A <strong>AUC<\/strong> resume as duas em uma nota que vai de 0,5, o acaso, a 1, o teste perfeito. A tabela traz o melhor dado publicado de cada candidato.<\/p>\r\n<p><em><strong>AUC<\/strong>:\u00a0 \u00c1rea Sob a Curva ROC, do ingl\u00eas Area Under the Curve<!--TgQPHd|||[]-->) <mark class=\"MAeH b6AQX\" data-wiz-attrbind=\"class=Hggqcf_6o\/cFwyDc\" data-sfc-root=\"ep\" data-epip=\"\" data-ved=\"2ahUKEwigoaik9rOXAxV0GbkGHY1wIXEQuJAPegoIAggACAAICRAB\">\u00e9 uma m\u00e9trica usada em estat\u00edstica e aprendizado de m\u00e1quina para avaliar o desempenho de <strong class=\"rQesXe MPyX\" data-sfc-cp=\"\" data-sfc-root=\"ep\" data-epip=\"\">modelos de classifica\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria<!--TgQPHd|||[]--><\/strong><!--TgQPHd|||[[[null,null,null,null,null,null,null,null,null,null,null,null,[247864,null,0]]]]--><\/mark> que separam os dados em duas classes, como &#8220;doente vs. saud\u00e1vel&#8221; ou &#8220;fraude vs. leg\u00edtimo&#8221;<\/em><\/p>\r\n<div style=\"overflow-x: auto;\">\r\n<table style=\"width: 100%; min-width: 560px; border-collapse: collapse; margin: 20px 0; font-size: 0.93em;\">\r\n<thead>\r\n<tr style=\"background: #0B3C5D; color: #fff;\">\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">Teste e o que mede<\/th>\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">Melhor dado publicado<\/th>\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">Situa\u00e7\u00e3o<\/th>\r\n<\/tr>\r\n<\/thead>\r\n<tbody>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Saliva (Endotest): assinatura de 109 microRNAs<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">971 mulheres em 17 centros franceses, com sensibilidade de 97,3% e especificidade de 94,1% (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1056\/EVIDoa2400195\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bendifallah, 2025<\/a>)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Marca CE e reembolso experimental na Fran\u00e7a, mas sem aprova\u00e7\u00e3o da FDA, a ag\u00eancia dos Estados Unidos<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea; background: #F3F7FA;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Sangue (PromarkerEndo): painel de 10 prote\u00ednas do plasma<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">805 participantes, com AUC de 0,997 na doen\u00e7a grave, mas de 0,729 nos est\u00e1gios II a IV (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/humrep\/deae278\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Schoeman, 2025<\/a>)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Autores ligados \u00e0 empresa e participantes principalmente de origem europeia<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Sangue: seis microRNAs do soro<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">AUC de 0,94 em valida\u00e7\u00e3o com 48 mulheres (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ajog.2020.02.050\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Moustafa, 2020<\/a>)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Pesquisa<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea; background: #F3F7FA;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Fezes: metab\u00f3litos de bact\u00e9rias intestinais<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">18 pacientes e 31 controles (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.medj.2024.09.006\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Talwar, 2025<\/a>)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Pesquisa inicial<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Sangue menstrual: c\u00e9lulas imunes do endom\u00e9trio<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">33 participantes, com menos c\u00e9lulas NK uterinas na doen\u00e7a (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1186\/s12916-022-02500-3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Shih, 2022<\/a>)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Pesquisa, com estudo franc\u00eas em andamento<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea; background: #F3F7FA;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">CA-125: prote\u00edna do sangue<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Sensibilidade de 40% com corte em torno de 35 U\/mL (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/14651858.CD012179\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nisenblat, 2016<\/a>)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Sem recomenda\u00e7\u00e3o para diagn\u00f3stico<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<\/div>\r\n<h3 id=\"teste-saliva\">O teste de saliva e o peso da preval\u00eancia<\/h3>\r\n<p>O estudo de valida\u00e7\u00e3o do teste de saliva saiu na NEJM Evidence em 2025 (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1056\/EVIDoa2400195\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bendifallah, 2025<\/a>). Ele incluiu 971 mulheres de 18 a 43 anos com sintomas, em 17 centros franceses, e 77% delas tinham mesmo endometriose. Nesse cen\u00e1rio, um resultado positivo estava certo em 98,2% das vezes. A fabricante do teste, a Ziwig, financiou o estudo.<\/p>\r\n<p>Longe dos centros especializados, por\u00e9m, a propor\u00e7\u00e3o de doentes entre as testadas \u00e9 menor, e isso muda a conta.<\/p>\r\n<p>Chama-se valor preditivo positivo a chance de um resultado positivo estar certo. Com a mesma sensibilidade e a mesma especificidade, ele cai para cerca de 88% quando 30% das testadas t\u00eam a doen\u00e7a. Se forem 10%, cai para cerca de 65%. Ou seja, em um cen\u00e1rio de triagem, um em cada tr\u00eas resultados positivos seria falso.<\/p>\r\n<p>O c\u00e1lculo \u00e9 uma ilustra\u00e7\u00e3o deste guia e sup\u00f5e que o teste se comporte do mesmo jeito em outras popula\u00e7\u00f5es, o que ainda falta demonstrar.<\/p>\r\n<figure style=\"margin: 26px 0;\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" style=\"max-width: 100%; height: auto; display: block; margin: 0 auto;\" src=\"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/robertofrancodoamaral.com.br-endometriose-teste-saliva-valor-preditivo-endometriose-teste-saliva-valor-preditivo.webp\" alt=\"Gr\u00e1fico do valor preditivo positivo do teste de saliva para endometriose em tr\u00eas cen\u00e1rios de preval\u00eancia: 77%, 30% e 10%\" width=\"1200\" height=\"747\" \/>\r\n<figcaption style=\"font-size: 0.85em; color: #555; margin-top: 8px; line-height: 1.5;\">Valor preditivo positivo do teste de saliva conforme a propor\u00e7\u00e3o de doentes entre as testadas (c\u00e1lculo ilustrativo deste guia).<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<h3 id=\"limites-dos-testes\">O que esses testes ainda n\u00e3o significam<\/h3>\r\n<div style=\"background: #FDF0EE; border-left: 4px solid #C0392B; padding: 14px 18px; margin: 20px 0; color: #1a1a1a;\"><strong>Limites atuais:<\/strong> nenhum dos testes novos tem aprova\u00e7\u00e3o da FDA para diagnosticar endometriose, segundo <a href=\"https:\/\/www.uc.edu\/news\/articles\/2026\/09\/do-endometriosis-tests-really-work.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reportagem do New York Times de setembro de 2026<\/a>. A ESHRE recomenda n\u00e3o usar biomarcadores em sangue, tecido endometrial, sangue menstrual ou fluidos uterinos para esse diagn\u00f3stico. O protocolo do SUS, inclusive, manda abandonar marcadores como o CA-125. Al\u00e9m disso, um resultado negativo n\u00e3o descarta a doen\u00e7a, e um positivo n\u00e3o mostra onde est\u00e3o as les\u00f5es.<\/div>\r\n<p>Na Fran\u00e7a, o teste de saliva tem reembolso experimental desde fevereiro de 2025, para at\u00e9 25 mil mulheres, enquanto as autoridades avaliam sua utilidade.<\/p>\r\n<p>O pre\u00e7o divulgado fica em torno de 800 euros. No Reino Unido, o NICE, \u00f3rg\u00e3o que avalia tecnologias para o sistema p\u00fablico, prop\u00f4s em 2026 o uso por tr\u00eas anos, enquanto se coletam evid\u00eancias (<a href=\"https:\/\/theconversation.com\/a-new-saliva-test-for-endometriosis-is-in-trials-what-this-and-other-new-endo-tests-mean-for-you-288271\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leonardi e Kalani, 2026<\/a>). No Brasil, antes de pagar por um deles, confira o registro na Anvisa e pergunte ao m\u00e9dico o que o resultado mudaria na conduta.<\/p>\r\n<h2 id=\"tratamento\">Tratamento da endometriose: o que diz o consenso brasileiro de 2026<\/h2>\r\n<p>Em agosto de 2026, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) e a Febrasgo lan\u00e7aram um <a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/sbe-consenso-endometriose\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">consenso de tratamento<\/a> em dois cap\u00edtulos. A Febrasgo \u00e9 a federa\u00e7\u00e3o das associa\u00e7\u00f5es de ginecologia e obstetr\u00edcia.<\/p>\r\n<p>O <a href=\"https:\/\/sbendometriose.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Endometriose-Tratamento-Clinico-Farmacologico.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">primeiro<\/a> cap\u00edtulo trata dos medicamentos para a dor, enquanto o <a href=\"https:\/\/sbendometriose.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Endometriose-Tratamento-Clinino-Complementar.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">segundo<\/a> aborda as terapias complementares.<\/p>\r\n<p>O ponto de partida \u00e9 que o tratamento cl\u00ednico suprime a doen\u00e7a, mas n\u00e3o a cura. Ele segue por anos, at\u00e9 o desejo de gesta\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 a menopausa.<\/p>\r\n<p>Mulheres sem sintomas, por outro lado, n\u00e3o t\u00eam indica\u00e7\u00e3o universal de tratamento.<\/p>\r\n<figure style=\"margin: 26px 0;\"><a href=\"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/robertofrancodoamaral.com.br-endometriose-consenso-brasileiro-2026-infografico-alta-endometriose-consenso-brasileiro-2026-infografico-alta.webp\"><img decoding=\"async\" style=\"max-width: 100%; height: auto; display: block; margin: 0 auto;\" src=\"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/robertofrancodoamaral.com.br-endometriose-consenso-brasileiro-2026-infografico-endometriose-consenso-brasileiro-2026-infografico.webp\" alt=\"Infogr\u00e1fico do consenso brasileiro de endometriose de 2026: pilares da abordagem multidisciplinar e pr\u00e1ticas sem evid\u00eancia no tratamento\" width=\"1200\" height=\"731\" \/><\/a>\r\n<figcaption style=\"font-size: 0.85em; color: #555; margin-top: 8px; line-height: 1.5;\">Resumo do consenso brasileiro de 2026. O texto original n\u00e3o fala em rastreio obrigat\u00f3rio: ele reserva os rem\u00e9dios que agem sobre os nervos para a dor de origem nervosa documentada. Toque na imagem para ampliar.<\/figcaption>\r\n<\/figure>\r\n<h3 id=\"hormonal\">Tratamento hormonal de primeira linha<\/h3>\r\n<p>Anticoncepcionais hormonais combinados ou progestag\u00eanios isolados formam a primeira linha. O consenso prefere o uso cont\u00ednuo, sem pausa para sangramento, e aceita o esquema c\u00edclico. Nenhuma op\u00e7\u00e3o se mostrou superior \u00e0s outras, ent\u00e3o a escolha depende de contraindica\u00e7\u00f5es, efeitos colaterais, custo e prefer\u00eancia.<\/p>\r\n<p>Em escala de 0 a 100, os horm\u00f4nios reduziram a dor em 13 a 18 pontos a mais que o placebo, em meta-an\u00e1lise com 1.680 mulheres (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2025.2975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As-Sanie, 2025<\/a>). Ainda assim, de 11% a 19% das pacientes n\u00e3o melhoram. Outras, de 25% a 34%, voltam a ter dor em at\u00e9 12 meses depois de parar o rem\u00e9dio.<\/p>\r\n<p>Tratar tamb\u00e9m parece frear a doen\u00e7a. Em uma revis\u00e3o de 2024, as les\u00f5es profundas progrediram em 21,4% das mulheres sem tratamento e em 12,4% das que usavam horm\u00f4nio (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/aogs.14887\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bandini, 2024<\/a>). A compara\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 indireta, entre estudos diferentes.<\/p>\r\n<h3 id=\"diu-hormonal\">DIU hormonal: cobertura pelos planos de sa\u00fade desde outubro de 2026<\/h3>\r\n<p>O DIU hormonal com 52 mg de levonorgestrel libera o horm\u00f4nio dentro do \u00fatero por anos.<\/p>\r\n<p>Em um ensaio brasileiro com 82 mulheres, ele reduziu a dor em seis meses de forma semelhante a um agonista de GnRH (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/humrep\/deh869\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Petta, 2005<\/a>). Os agonistas, tamb\u00e9m chamados de an\u00e1logos, suspendem temporariamente a fun\u00e7\u00e3o dos ov\u00e1rios.<\/p>\r\n<p>Em outro estudo, 405 mulheres operadas, a maioria com doen\u00e7a inicial, receberam progestag\u00eanio de longa a\u00e7\u00e3o (DIU ou inje\u00e7\u00e3o trimestral) ou p\u00edlula combinada. A dor caiu cerca de 40% nos dois grupos ap\u00f3s tr\u00eas anos, com menos cirurgias repetidas ou tratamentos de segunda linha no primeiro (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1136\/bmj-2023-079006\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Cooper, 2024<\/a>).<\/p>\r\n<p>A Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS), que regula os planos, assinou em 18 de setembro de 2026 a <a href=\"https:\/\/portal.afya.com.br\/ginecologia-e-obstetricia\/ans-amplia-cobertura-obrigatoria-do-diu-hormonal-para-endometriose\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o Normativa 680<\/a>.<\/p>\r\n<p>Ela tornou obrigat\u00f3ria a cobertura do dispositivo e da inser\u00e7\u00e3o e vale desde 1\u00ba de outubro, como <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/09\/planos-de-saude-passam-a-cobrir-diu-hormonal-contra-endometriose.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">noticiou a Folha<\/a>. A regra alcan\u00e7a mulheres com endometriose que t\u00eam contraindica\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o se adaptaram ao anticoncepcional oral combinado, desde que o m\u00e9dico registre a indica\u00e7\u00e3o no pedido. No SUS, o mesmo crit\u00e9rio vale desde a incorpora\u00e7\u00e3o do DIU hormonal, em 2025.<\/p>\r\n<h3 id=\"gnrh\">Agonistas e antagonistas de GnRH: a segunda linha<\/h3>\r\n<p>Quando a primeira linha falha, entram os agonistas de GnRH.<\/p>\r\n<p>O consenso exige que venham sempre com terapia de adi\u00e7\u00e3o hormonal (add-back), uma dose baixa de horm\u00f4nio que protege o osso e reduz os fogachos. Antagonistas orais de GnRH (elagolix, relugolix ou linzagolix) e inibidores da aromatase ficam para casos refrat\u00e1rios<\/p>\r\n<p>\u00a0De acordo com o consenso, os antagonistas ainda n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis no Brasil.<\/p>\r\n<p>Esses rem\u00e9dios reduzem a densidade dos ossos. Em uma <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1097\/AOG.0000000000006241\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">meta-an\u00e1lise de 2026<\/a>, mesmo com add-back, ela caiu em m\u00e9dia 0,89% em seis meses e 1,5% em um ano com agonistas. Com dienogeste, um progestag\u00eanio oral de uso comum, a queda foi de 0,83% e 1,91% nos mesmos prazos, mas os estudos discordam entre si. Com antagonistas, quase sempre sem add-back, chegou a 2,17% em seis meses. Os autores consideram incerto o significado cl\u00ednico dessas perdas. Elas n\u00e3o s\u00e3o motivo para interromper o rem\u00e9dio por conta pr\u00f3pria.<\/p>\r\n<h3 id=\"analgesicos\">Analg\u00e9sicos e a dor que persiste<\/h3>\r\n<p>Analg\u00e9sicos entram como apoio, em escada, com paracetamol, dipirona ou anti-inflamat\u00f3rios no primeiro degrau. A base cient\u00edfica \u00e9 menor do que se imagina, pois a revis\u00e3o Cochrane sobre anti-inflamat\u00f3rios na endometriose s\u00f3 p\u00f4de analisar um ensaio, com 24 mulheres (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/14651858.CD004753.pub4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Brown, 2017<\/a>). Opioides t\u00eam uso restrito no consenso.<\/p>\r\n<p>Em parte das pacientes, o sistema nervoso passa a amplificar a dor, fen\u00f4meno chamado sensibiliza\u00e7\u00e3o central. Em um estudo explorat\u00f3rio, o question\u00e1rio Central Sensitization Inventory (CSI) identificou pacientes com tr\u00eas ou mais s\u00edndromes de sensibiliza\u00e7\u00e3o central. A partir de 40 pontos, a sensibilidade foi de 78% e a especificidade, de 80% (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1097\/j.pain.0000000000002351\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Orr, 2022<\/a>).<\/p>\r\n<p>O consenso reserva os<span style=\"color: #ff6600;\"><strong> neuromoduladores, rem\u00e9dios que agem sobre os nervos, para quem tem dor neurop\u00e1tica ou nocipl\u00e1stica documentada<\/strong><\/span>. H\u00e1 motivo para a cautela. Em mulheres com dor p\u00e9lvica cr\u00f4nica sem les\u00e3o vis\u00edvel, por exemplo, a gabapentina n\u00e3o superou o placebo e causou mais efeitos adversos graves (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/S0140-6736(20)31693-7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Horne, 2020<\/a>).<\/p>\r\n<h3 id=\"cirurgia\">Cirurgia para endometriose: para quem<\/h3>\r\n<p>A cirurgia entra quando o tratamento cl\u00ednico falha, causa efeitos intoler\u00e1veis ou tem contraindica\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2025.2975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As-Sanie, 2025<\/a>). O protocolo do SUS acrescenta situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, como endometriomas em crescimento ou maiores que 4 cm, obstru\u00e7\u00e3o parcial do intestino e infertilidade associada.<\/p>\r\n<p>Para o endometrioma, a ESHRE prefere retirar a c\u00e1psula do cisto a apenas dren\u00e1-lo, sempre com aten\u00e7\u00e3o \u00e0 reserva ovariana, o estoque de \u00f3vulos. A doen\u00e7a profunda deve ir para centros com experi\u00eancia. Nem a histerectomia, a retirada do \u00fatero, garante o fim dos sintomas. Cerca de 25% das mulheres voltam a ter dor p\u00e9lvica e 10% precisam de nova cirurgia (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2025.2975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As-Sanie, 2025<\/a>).<\/p>\r\n<p>Depois da opera\u00e7\u00e3o, as diretrizes recomendam tratamento hormonal para quem n\u00e3o pretende engravidar logo, salvo contraindica\u00e7\u00e3o. A ESHRE sugere DIU hormonal ou anticoncepcional combinado por pelo menos 18 a 24 meses. Uma <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/14651858.CD003678.pub3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">revis\u00e3o Cochrane<\/a> aponta menos recorr\u00eancia da doen\u00e7a em at\u00e9 12 meses com essa estrat\u00e9gia. A evid\u00eancia, por\u00e9m, \u00e9 de baixa qualidade.<\/p>\r\n<h3 id=\"complementares\">Fisioterapia p\u00e9lvica, acupuntura e psicoterapia<\/h3>\r\n<p>O segundo cap\u00edtulo do consenso trata do que vai al\u00e9m do rem\u00e9dio. Fisioterapia p\u00e9lvica, com t\u00e9cnicas manuais ou eletroterapia, e acupuntura t\u00eam a evid\u00eancia mais consistente para a dor.<\/p>\r\n<p>Uma meta-an\u00e1lise de 2026 reuniu 33 ensaios e 2.323 mulheres (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2147\/JPR.S577080\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zheng, 2026<\/a>).<\/p>\r\n<p>Fisioterapia, acupuntura e interven\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas reduziram a dor mais do que o cuidado convencional, mas os autores pedem cautela com o tamanho do efeito. Terapia cognitivo-comportamental e mindfulness podem ajudar na dor, na ansiedade e na depress\u00e3o, e a ioga pode melhorar a qualidade de vida.<\/p>\r\n<p>Para o consenso, esses recursos se somam ao tratamento, mas n\u00e3o o substituem. O protocolo do SUS adota tom mais cauteloso, pois afirma que a evid\u00eancia n\u00e3o permite recomendar uma interven\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.<\/p>\r\n<h3 id=\"gestrinona-canabidiol\">Gestrinona em implante e canabidiol: o que o consenso n\u00e3o recomenda<\/h3>\r\n<p>De acordo com o consenso, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica de benef\u00edcio dos implantes de gestrinona no tratamento da endometriose.<\/p>\r\n<p>A gestrinona tem a\u00e7\u00e3o androg\u00eanica e pode causar aumento de pelos, queda de cabelo, altera\u00e7\u00e3o da voz ou aumento do clit\u00f3ris. Em novembro de 2024, a Anvisa restringiu os implantes hormonais manipulados e proibiu o uso para fins est\u00e9ticos ou de desempenho (<a href=\"https:\/\/www.febrasgo.org.br\/noticia\/nova-regra-da-anvisa-para-implantes-hormonais-preve-fiscalizacao-rigorosa-e-proibicao-para-fins-esteticos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">RE 4.353\/2024<\/a>). Em outubro de 2026, doze sociedades m\u00e9dicas, entre elas a de endocrinologia (SBEM) e a Febrasgo, <a href=\"https:\/\/portal.afya.com.br\/saude\/carta-medica-pede-proibicao-de-implantes-hormonais-manipulados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pediram \u00e0 ag\u00eancia a proibi\u00e7\u00e3o total<\/a>.<\/p>\r\n<p>O canabidiol passou por um ensaio brasileiro, o DREAMLAND, da USP de Ribeir\u00e3o Preto. O estudo incluiu 102 mulheres j\u00e1 operadas, em uso de horm\u00f4nio e com retorno da dor. Elas receberam canabidiol (at\u00e9 150 mg por dia) ou placebo por dez semanas (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/25785125251413989\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Anelli, 2026<\/a>). Nos dois grupos, cerca de 40% tiveram redu\u00e7\u00e3o de pelo menos metade da dor, ou seja, o canabidiol n\u00e3o trouxe vantagem. O consenso tamb\u00e9m n\u00e3o recomenda o uso de rotina.<\/p>\r\n<h3 id=\"sus-pcdt-2026\">No SUS: o que mudou com o protocolo de 2026<\/h3>\r\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade aprovou um novo Protocolo Cl\u00ednico e Diretrizes Terap\u00eauticas (PCDT) da Endometriose pela <a href=\"https:\/\/www.conass.org.br\/conass-informa-n-148-2026-publicada-portaria-conjunta-saes-saps-sctie-n-54-que-aprova-o-protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-da-endometriose\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Portaria Conjunta n\u00ba 54, de 2 de junho de 2026<\/a>. O <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/conitec\/pt-br\/midias\/protocolos\/pcdt_endometriose_2016-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">documento<\/a>, publicado em 29 de julho, substitui o de 2016 e traz estas mudan\u00e7as:<\/p>\r\n<ul>\r\n<li>o tratamento hormonal de primeira linha pode come\u00e7ar sem confirma\u00e7\u00e3o cir\u00fargica;<\/li>\r\n<li>o desogestrel, incorporado em 2025, entra na primeira linha, assim como o anticoncepcional combinado e a medroxiprogesterona;<\/li>\r\n<li>o DIU de levonorgestrel, tamb\u00e9m de 2025, fica para quem tem contraindica\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o se adaptou ao anticoncepcional combinado;<\/li>\r\n<li>agonistas de GnRH e danazol ficam para falha ou recidiva ap\u00f3s seis meses de primeira linha e exigem diagn\u00f3stico confirmado por laparoscopia e bi\u00f3psia;<\/li>\r\n<li>o uso de agonistas de GnRH tem limite de seis meses, salvo avalia\u00e7\u00e3o especializada;<\/li>\r\n<li>dienogeste e noretisterona de 10 mg ficaram fora da lista do SUS.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<h2 id=\"alimentacao-suplementos\">Alimenta\u00e7\u00e3o e suplementos na endometriose: o que tem evid\u00eancia<\/h2>\r\n<p>Em um levantamento canadense com 434 mulheres, 93,8% usavam ao menos uma terapia complementar.<\/p>\r\n<p>Ao mesmo tempo, 61,9% sentiam que a dor n\u00e3o estava bem controlada (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jogc.2022.11.003\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gholiof, 2023<\/a>). A procura por dieta e suplemento \u00e9 compreens\u00edvel, mas a evid\u00eancia \u00e9 escassa, e o consenso brasileiro insiste que nada disso substitui o tratamento.<\/p>\r\n<h3 id=\"dieta\">Dieta mediterr\u00e2nea, low-FODMAP, sem gl\u00faten e sem leite<\/h3>\r\n<p>O consenso avaliou os padr\u00f5es alimentares mais citados e concluiu que as dietas mediterr\u00e2nea e anti-inflamat\u00f3ria t\u00eam evid\u00eancia escassa e heterog\u00eanea. A dieta com baixo teor de FODMAPs, a\u00e7\u00facares que fermentam no intestino, pode aliviar sobretudo os sintomas intestinais.<\/p>\r\n<p>Em um estudo retrospectivo, 72% das pacientes com endometriose e intestino irrit\u00e1vel relataram melhora desses sintomas. Retirar o gl\u00faten, por\u00e9m, n\u00e3o tem respaldo quando o \u00fanico motivo \u00e9 a endometriose, como tamb\u00e9m conclui uma an\u00e1lise de 2024 (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.xagr.2024.100369\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">van Haaps, 2024<\/a>). Da mesma forma, o consenso n\u00e3o encontrou publica\u00e7\u00f5es que apoiem cortar leite e derivados.<\/p>\r\n<p>Restri\u00e7\u00e3o sem diagn\u00f3stico tem custo, porque empobrece a dieta e pode mascarar a doen\u00e7a cel\u00edaca se o gl\u00faten sair antes dos exames. A recomenda\u00e7\u00e3o geral da ESHRE \u00e9 mais simples: alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, menos \u00e1lcool e atividade f\u00edsica regular.<\/p>\r\n<h3 id=\"suplementos\">Suplementos: o que os estudos mostram<\/h3>\r\n<p>As classes da tabela s\u00e3o uma classifica\u00e7\u00e3o editorial deste guia. C indica dados conflitantes ou preliminares, e D, evid\u00eancia insuficiente ou aus\u00eancia de benef\u00edcio. Nenhum suplemento chegou \u00e0s classes A ou B, reservadas a benef\u00edcio consistente em ensaios cl\u00ednicos. As doses citadas s\u00e3o as dos estudos e n\u00e3o valem como recomenda\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<div style=\"overflow-x: auto;\">\r\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; margin: 20px 0; font-size: 0.93em;\">\r\n<thead>\r\n<tr style=\"background: #0B3C5D; color: #fff;\">\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">Suplemento e classe<\/th>\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">O que os estudos mostram<\/th>\r\n<\/tr>\r\n<\/thead>\r\n<tbody>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Vitaminas C e E (classe C)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Redu\u00e7\u00e3o moderada da dor em alguns ensaios, mas com resultados heterog\u00eaneos. Os estudos usaram cerca de 1.000 mg de C e 1.200 UI de E por dia, por 8 a 12 semanas. Essa dose de vitamina E fica no limite superior de seguran\u00e7a e pode favorecer sangramento<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea; background: #F3F7FA;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Melatonina (classe C)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Efeito moderado em alguns ensaios com 10 mg por dia<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Vitamina D (classe C)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Um pouco mais de dados que os demais, ainda inconsistentes<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea; background: #F3F7FA;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">\u00d4mega-3, curcumina, resveratrol, quercetina, N-acetilciste\u00edna, zinco e \u00e1cido alfa-lipoico (classe D)<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Evid\u00eancia insuficiente de benef\u00edcio<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<\/div>\r\n<h3 id=\"meta-analises-suplementos\">Por que as meta-an\u00e1lises discordam<\/h3>\r\n<p>Tr\u00eas meta-an\u00e1lises recentes chegaram a conclus\u00f5es diferentes. A primeira, com 9 ensaios controlados por placebo e 545 mulheres, n\u00e3o achou diferen\u00e7a em dor p\u00e9lvica, c\u00f3lica ou dor na rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\r\n<p>Os autores conclu\u00edram que ainda n\u00e3o d\u00e1 para recomendar suplementos (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1159\/000545414\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Salmeri, 2026<\/a>). A segunda, com 21 ensaios e 1.626 participantes, encontrou menos dor com antioxidantes, mas com resultados muito heterog\u00eaneos (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3389\/fmed.2025.1694281\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Zhong, 2025<\/a>).<\/p>\r\n<p>A terceira viu efeito apenas na c\u00f3lica, e ele desaparecia nos estudos de melhor qualidade (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s43032-024-01701-w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Meneghetti, 2024<\/a>). As conclus\u00f5es mudam conforme os ensaios inclu\u00eddos e o rigor de cada um.<\/p>\r\n<p>Ainda assim, o consenso brasileiro admite vitaminas C e E ou melatonina como complemento, caso a caso e com orienta\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. No blog h\u00e1 um <a href=\"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/endometriose-antioxidantes\/\">texto anterior sobre antioxidantes<\/a> e uma se\u00e7\u00e3o sobre <a href=\"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/category\/hormonios\/melatonina\/\">melatonina<\/a>.<\/p>\r\n<h2 id=\"fertilidade\">Endometriose e fertilidade<\/h2>\r\n<p>Cerca de um quarto das mulheres com endometriose relata infertilidade (26% na revis\u00e3o de <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2025.2975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As-Sanie, 2025<\/a>). A maioria, portanto, n\u00e3o tem essa queixa, e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade lembra que a doen\u00e7a n\u00e3o causa necessariamente infertilidade. Para quem quer engravidar, as diretrizes mudam a conduta em alguns pontos.<\/p>\r\n<ul>\r\n<li>O tratamento hormonal da endometriose n\u00e3o melhora a fertilidade, por isso a ESHRE recomenda n\u00e3o usar supress\u00e3o ovariana com esse objetivo.<\/li>\r\n<li>A cirurgia pode ajudar em casos selecionados, sobretudo na doen\u00e7a m\u00ednima ou leve. Em seguida, o \u00edndice de fertilidade da endometriose (EFI) ajuda a estimar as chances.<\/li>\r\n<li>A reprodu\u00e7\u00e3o assistida n\u00e3o agrava a endometriose, pois n\u00e3o aumenta a recorr\u00eancia. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de operar o endometrioma de rotina antes do procedimento.<\/li>\r\n<li>Quem tem doen\u00e7a extensa nos ov\u00e1rios deve conversar sobre preserva\u00e7\u00e3o da fertilidade.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<p>No blog h\u00e1 tamb\u00e9m um texto sobre <a href=\"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/fertilidade\/\">como melhorar a fertilidade<\/a> em homens e mulheres.<\/p>\r\n<h3 id=\"gravidez\">Gravidez trata endometriose?<\/h3>\r\n<p>A gravidez n\u00e3o trata a endometriose.<\/p>\r\n<p>De acordo com a ESHRE, o m\u00e9dico n\u00e3o deve aconselh\u00e1-la com esse objetivo, porque a gesta\u00e7\u00e3o nem sempre melhora os sintomas ou freia a doen\u00e7a.<\/p>\r\n<p>As diretrizes citam poss\u00edvel aumento do risco de aborto de primeiro trimestre e de gravidez ect\u00f3pica. Ainda assim, as complica\u00e7\u00f5es ligadas diretamente \u00e0s les\u00f5es s\u00e3o raras, e as diretrizes n\u00e3o indicam pr\u00e9-natal diferente do habitual.<\/p>\r\n<h2 id=\"cancer\">Endometriose e c\u00e2ncer de ov\u00e1rio: o tamanho real do risco<\/h2>\r\n<p>Em 2024, um estudo de Utah comparou 78.893 mulheres com endometriose a mulheres sem a doen\u00e7a, na propor\u00e7\u00e3o de uma para cinco (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2024.9210\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Barnard, 2024<\/a>). O risco de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio foi 4,2 vezes maior no grupo com endometriose.<\/p>\r\n<p>Em quem tinha doen\u00e7a profunda ou endometrioma, foi 9,7 vezes maior. N\u00fameros assim assustam, mas descrevem risco relativo.<\/p>\r\n<p>Em termos absolutos, a diferen\u00e7a \u00e9 pequena, como mostra a tabela. As linhas n\u00e3o medem a mesma coisa: o estudo de Utah conta os casos do per\u00edodo de acompanhamento, e as revis\u00f5es estimam o risco da vida toda.<\/p>\r\n<div style=\"overflow-x: auto;\">\r\n<table style=\"width: 100%; border-collapse: collapse; margin: 20px 0; font-size: 0.93em;\">\r\n<thead>\r\n<tr style=\"background: #0B3C5D; color: #fff;\">\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">Fonte e grupo<\/th>\r\n<th style=\"padding: 10px; text-align: left;\">O que encontrou<\/th>\r\n<\/tr>\r\n<\/thead>\r\n<tbody>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Barnard, 2024, em todas as formas da doen\u00e7a<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Risco 4,2 vezes maior, ou cerca de 10 casos a mais a cada 10 mil mulheres no per\u00edodo do estudo<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea; background: #F3F7FA;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Barnard, 2024, na doen\u00e7a profunda ou no endometrioma<\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Risco 9,7 vezes maior, ou cerca de 27 casos a mais a cada 10 mil mulheres no per\u00edodo do estudo<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Meta-an\u00e1lise de <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/humupd\/dmaa045\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Kvaskoff, 2021<\/a><\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Risco 1,9 vez maior, ou 2,5% ao longo da vida, contra 1,3% na popula\u00e7\u00e3o geral<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<tr style=\"border-bottom: 1px solid #d9e2ea; background: #F3F7FA;\">\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Revis\u00e3o de <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/humupd\/dmag011\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leone Roberti Maggiore, 2026<\/a><\/td>\r\n<td style=\"padding: 10px; vertical-align: top;\">Risco cerca de 2 vezes maior, ou 1,9% ao longo da vida<\/td>\r\n<\/tr>\r\n<\/tbody>\r\n<\/table>\r\n<\/div>\r\n<h3 id=\"cancer-limites\">O que esse risco n\u00e3o significa<\/h3>\r\n<div style=\"background: #FDF0EE; border-left: 4px solid #C0392B; padding: 14px 18px; margin: 20px 0; color: #1a1a1a;\"><strong>Em n\u00fameros absolutos:<\/strong> pela estimativa de 2,5% ao longo da vida, mais de 97 em cada 100 mulheres com endometriose nunca ter\u00e3o c\u00e2ncer de ov\u00e1rio.<\/div>\r\n<p>Por isso as diretrizes n\u00e3o recomendam rastreamento de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio nem cirurgia preventiva de rotina (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ygyno.2026.05.004\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Bogani, 2026<\/a>; <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/humupd\/dmag011\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leone Roberti Maggiore, 2026<\/a>). O uso prolongado de anticoncepcional combinado, inclusive, est\u00e1 associado a menor risco desse c\u00e2ncer. Uma avalia\u00e7\u00e3o individual do risco faz mais sentido entre 40 e 60 anos, depois da menopausa ou diante de endometrioma acima de 9 cm (<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/jcm14092975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ioannidou, 2025<\/a>).<\/p>\r\n<p>&nbsp;<\/p>\r\n<h2 id=\"adolescencia-menopausa\">Endometriose na adolesc\u00eancia e na menopausa<\/h2>\r\n<h3 id=\"adolescencia\">Na adolesc\u00eancia<\/h3>\r\n<p>A diretriz do ACOG de 2026 vale tamb\u00e9m para adolescentes. C\u00f3lica que provoca faltas frequentes \u00e0 escola precisa de avalia\u00e7\u00e3o, sobretudo quando h\u00e1 hist\u00f3rico familiar, primeira menstrua\u00e7\u00e3o precoce, ciclos curtos ou malforma\u00e7\u00e3o genital obstrutiva.<\/p>\r\n<p>O tratamento inicial \u00e9 o mesmo das adultas, com anticoncepcional hormonal ou progestag\u00eanio, e a ESHRE n\u00e3o recomenda o CA-125 nessa faixa et\u00e1ria. No <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2026\/06\/7437429-governo-anuncia-investimento-em-pesquisas-sobre-endometriose.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">an\u00fancio federal de junho de 2026<\/a>, a estimativa foi de 2 milh\u00f5es de adolescentes com endometriose no pa\u00eds.<\/p>\r\n<h3 id=\"menopausa\">Na menopausa e na reposi\u00e7\u00e3o hormonal<\/h3>\r\n<p>Os sintomas costumam aliviar depois da menopausa, mas a doen\u00e7a pode continuar ativa. Quem tem hist\u00f3rico de endometriose e precisa de terapia hormonal pode us\u00e1-la, mas com um cuidado.<\/p>\r\n<p>A ESHRE recomenda evitar o estrog\u00eanio isolado, por poss\u00edvel aumento do risco de transforma\u00e7\u00e3o maligna, e preferir o esquema combinado com progestag\u00eanio. Depois de menopausa cir\u00fargica, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 manter a terapia combinada pelo menos at\u00e9 a idade da menopausa natural.<\/p>\r\n<p>A retirada precoce dos dois ov\u00e1rios, segundo a mesma diretriz, acelera a perda \u00f3ssea e se associa a mais dem\u00eancia e doen\u00e7a cardiovascular. H\u00e1 mais sobre o tema nos <a href=\"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/category\/menopausa\/\">textos sobre menopausa<\/a> do blog.<\/p>\r\n<h2 id=\"novidades-2026\">O que h\u00e1 de novo sobre endometriose em 2026<\/h2>\r\n<p>A linha do tempo re\u00fane as principais novidades do ano.<\/p>\r\n<ul>\r\n<li><strong>Janeiro:<\/strong> sai o ensaio DREAMLAND, em que o canabidiol n\u00e3o superou o placebo na dor.<\/li>\r\n<li><strong>Mar\u00e7o:<\/strong> o ACOG publica sua primeira diretriz de diagn\u00f3stico e aceita o diagn\u00f3stico cl\u00ednico presumido.<\/li>\r\n<li><strong>Junho:<\/strong> governo federal e Instituto Alana anunciam R$ 60 milh\u00f5es para pesquisa em endometriose, dor p\u00e9lvica e sa\u00fade menstrual.<\/li>\r\n<li><strong>Julho:<\/strong> o SUS ganha um novo protocolo (PCDT), que substitui o de 2016.<\/li>\r\n<li><strong>Agosto:<\/strong> SBE e Febrasgo lan\u00e7am o consenso brasileiro de tratamento.<\/li>\r\n<li><strong>Setembro:<\/strong> a ANS aprova a cobertura do DIU hormonal para endometriose pelos planos de sa\u00fade.<\/li>\r\n<li><strong>Outubro:<\/strong> a cobertura do DIU entra em vigor; sociedades m\u00e9dicas pedem a proibi\u00e7\u00e3o de implantes hormonais manipulados.<\/li>\r\n<li><strong>Ao longo do ano:<\/strong> saem as diretrizes <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1055\/a-2760-4867\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alem\u00e3<\/a> e <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jogc.2026.103382\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">canadense<\/a>, al\u00e9m de revis\u00f5es que confirmam o baixo risco absoluto de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio.<\/li>\r\n<\/ul>\r\n<h2 id=\"quando-procurar\">Quando procurar avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica<\/h2>\r\n<p>Procure avalia\u00e7\u00e3o se a c\u00f3lica faz voc\u00ea perder aula, trabalho ou compromissos, se piora a cada ano ou se n\u00e3o cede com anti-inflamat\u00f3rio. O mesmo vale para dor na rela\u00e7\u00e3o, dor para evacuar ou urinar durante a menstrua\u00e7\u00e3o e dificuldade para engravidar depois de um ano de tentativas.<\/p>\r\n<p>Quem conduz o diagn\u00f3stico e o tratamento \u00e9 o ginecologista, de prefer\u00eancia com experi\u00eancia na doen\u00e7a.<\/p>\r\n<p>Enquanto aguarda a consulta, anote por dois ou tr\u00eas ciclos os dias de dor, a nota de 0 a 10, o que voc\u00ea tomou e o que deixou de fazer. Leve exames antigos, inclusive os normais. Esse registro ajuda porque o diagn\u00f3stico come\u00e7a pela hist\u00f3ria.<\/p>\r\n<p>______________________________________________________________________________________________________<\/p>\r\n<h2 id=\"perguntas-frequentes\">Perguntas frequentes sobre endometriose<\/h2>\r\n<h3 id=\"faq-cura\">Endometriose tem cura?<\/h3>\r\n<p>A endometriose n\u00e3o tem cura definitiva, mas na maioria dos casos tem controle. O tratamento hormonal reduz a dor na maior parte das pacientes enquanto est\u00e1 em uso. A cirurgia remove as les\u00f5es vis\u00edveis, por\u00e9m elas podem voltar. Em geral, os sintomas diminuem depois da menopausa.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-exame\">Qual exame detecta a endometriose?<\/h3>\r\n<p>O ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica da pelve identificam endometriomas e les\u00f5es profundas. Nenhum dos dois enxerga bem a doen\u00e7a superficial, ent\u00e3o um exame normal n\u00e3o descarta o diagn\u00f3stico. A laparoscopia, cirurgia por v\u00eddeo, fica para casos selecionados.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-saliva\">O teste de saliva j\u00e1 substitui os outros exames?<\/h3>\r\n<p>O teste de saliva ainda n\u00e3o substitui os outros exames. O estudo de valida\u00e7\u00e3o mostrou sensibilidade de 97,3% e especificidade de 94,1% em centros especializados da Fran\u00e7a, mas falta repetir o resultado em outras popula\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, as diretrizes atuais n\u00e3o recomendam biomarcadores para diagnosticar endometriose.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-cancer\">Endometriose pode virar c\u00e2ncer?<\/h3>\r\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o maligna de uma les\u00e3o \u00e9 rara, estimada em 0,5% a 1% dos casos, e ocorre quase sempre no ov\u00e1rio. Contando todos os tumores de ov\u00e1rio, o risco ao longo da vida passa de cerca de 1,3% para 2,5%. Como o risco absoluto continua baixo, as diretrizes n\u00e3o indicam rastreamento.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-engravidar\">Quem tem endometriose consegue engravidar?<\/h3>\r\n<p>A maioria das mulheres com endometriose n\u00e3o relata infertilidade, embora cerca de 26% tenham essa dificuldade. Quando a gravidez n\u00e3o vem, as op\u00e7\u00f5es s\u00e3o cirurgia em casos selecionados ou reprodu\u00e7\u00e3o assistida, j\u00e1 que o tratamento hormonal da endometriose n\u00e3o melhora a fertilidade.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-diu\">O plano de sa\u00fade cobre o DIU hormonal para endometriose?<\/h3>\r\n<p>Sim: desde 1\u00ba de outubro de 2026, os planos de sa\u00fade cobrem o DIU hormonal para endometriose de quem cumpre os crit\u00e9rios da ANS. A Resolu\u00e7\u00e3o Normativa 680 obriga a cobertura do dispositivo e da inser\u00e7\u00e3o quando h\u00e1 contraindica\u00e7\u00e3o ou falta de adapta\u00e7\u00e3o ao anticoncepcional oral combinado. A indica\u00e7\u00e3o precisa constar no pedido m\u00e9dico.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-gluten\">Dieta sem gl\u00faten ajuda na endometriose?<\/h3>\r\n<p>N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia para retirar o gl\u00faten apenas por causa da endometriose, de acordo com o consenso brasileiro de 2026. Quem tem sintomas intestinais, por outro lado, pode se beneficiar de uma dieta com baixo teor de FODMAPs, com orienta\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-gestrinona\">Implante de gestrinona trata endometriose?<\/h3>\r\n<p>O consenso brasileiro de 2026 afirma que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica de benef\u00edcio do implante de gestrinona na endometriose. Al\u00e9m disso, a gestrinona tem efeitos androg\u00eanicos, e a Anvisa restringe os implantes hormonais manipulados desde 2024.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-canabidiol\">Canabidiol funciona para a dor da endometriose?<\/h3>\r\n<p>No ensaio brasileiro DREAMLAND, com 102 mulheres, o canabidiol n\u00e3o superou o placebo na dor da endometriose. O consenso de 2026 tamb\u00e9m n\u00e3o recomenda o uso de rotina.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-reposicao\">Quem tem endometriose pode fazer reposi\u00e7\u00e3o hormonal na menopausa?<\/h3>\r\n<p>Quem tem hist\u00f3rico de endometriose pode fazer reposi\u00e7\u00e3o hormonal na menopausa, desde que com avalia\u00e7\u00e3o individual. A diretriz europeia recomenda evitar o estrog\u00eanio isolado e preferir a terapia combinada com progestag\u00eanio ou progesterona micronizada , inclusive depois de menopausa cir\u00fargica.<\/p>\r\n<h3 id=\"faq-hereditaria\">Endometriose \u00e9 heredit\u00e1ria?<\/h3>\r\n<p>A endometriose \u00e9 heredit\u00e1ria em parte<\/p>\r\n<p>Ter m\u00e3e ou irm\u00e3 com a doen\u00e7a aumenta o risco, e estudos com g\u00eameas atribuem \u00e0 gen\u00e9tica cerca de metade da varia\u00e7\u00e3o desse risco. Ainda n\u00e3o existe, por\u00e9m, teste gen\u00e9tico para confirmar ou prever a endometriose.<\/p>\r\n<p>________________________________________________________________________________________________<\/p>\r\n<h2 id=\"referencias\">Refer\u00eancias<\/h2>\r\n<p>As refer\u00eancias est\u00e3o agrupadas por tema, na ordem do guia, e os links levam \u00e0 fonte original.<\/p>\r\n<h3 id=\"ref-diretrizes\">Diretrizes e consensos sobre endometriose<\/h3>\r\n<ol style=\"font-size: 0.92em; line-height: 1.6;\" start=\"1\">\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Troncon JK, Benetti-Pinto CL, Yela D, et al. Tratamento cl\u00ednico farmacol\u00f3gico da dor p\u00e9lvica associada \u00e0 endometriose. In: Consenso da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva. S\u00e3o Paulo: SBE\/Febrasgo; 2026. Cap. 1, p. 1-37. <a href=\"https:\/\/sbendometriose.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Endometriose-Tratamento-Clinico-Farmacologico.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PDF no site da SBE<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Benetti-Pinto CL, Yela D, Malvezzi H, et al. Tratamento cl\u00ednico complementar (n\u00e3o farmacol\u00f3gico). In: Consenso da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva. S\u00e3o Paulo: SBE\/Febrasgo; 2026. Cap. 2, p. 1-27. <a href=\"https:\/\/sbendometriose.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Endometriose-Tratamento-Clinino-Complementar.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PDF no site da SBE<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Brasil. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Protocolo Cl\u00ednico e Diretrizes Terap\u00eauticas da Endometriose. Portaria Conjunta SAES\/SAPS\/SCTIE n\u00ba 54, de 2 de junho de 2026. Bras\u00edlia: Conitec; 2026. <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/conitec\/pt-br\/midias\/protocolos\/pcdt_endometriose_2016-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">PDF no portal da Conitec<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Conselho Nacional de Secret\u00e1rios de Sa\u00fade. Conass Informa n\u00ba 148\/2026: publicada a Portaria Conjunta SAES\/SAPS\/SCTIE n\u00ba 54, que aprova o Protocolo Cl\u00ednico e Diretrizes Terap\u00eauticas da Endometriose. 29 jul. 2026. <a href=\"https:\/\/www.conass.org.br\/conass-informa-n-148-2026-publicada-portaria-conjunta-saes-saps-sctie-n-54-que-aprova-o-protocolo-clinico-e-diretrizes-terapeuticas-da-endometriose\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conass.org.br<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">American College of Obstetricians and Gynecologists. Diagnosis of Endometriosis: ACOG Clinical Practice Guideline No. 11. Obstet Gynecol. 2026;147(3):432-448. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1097\/AOG.0000000000006181\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1097\/AOG.0000000000006181<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Becker CM, Bokor A, Heikinheimo O, et al. ESHRE guideline: endometriosis. Hum Reprod Open. 2022;2022(2):hoac009. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/hropen\/hoac009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1093\/hropen\/hoac009<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Burghaus S, Sch\u00e4fer SD, B\u00e4r KJ, et al. Diagnosis and Therapy of Endometriosis. Guideline of the DGGG, OEGGG and SGGG (S2k-Level, AWMF Registry No. 015\/045, April 2025). Geburtshilfe Frauenheilkd. 2026;86(2):133-188. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1055\/a-2760-4867\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1055\/a-2760-4867<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Yong PJ, Allaire C, Bedaiwy M, et al. Guideline No. 468: Clinical Management of Endometriosis. J Obstet Gynaecol Can. 2026;48(6):103382. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jogc.2026.103382\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1016\/j.jogc.2026.103382<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">As-Sanie S, Mackenzie SC, Morrison L, et al. Endometriosis: A Review. JAMA. 2025;334(1):64-78. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2025.2975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1001\/jama.2025.2975<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Taylor HS, Kotlyar AM, Flores VA. Endometriosis is a chronic systemic disease: clinical challenges and novel innovations. Lancet. 2021;397(10276):839-852. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/S0140-6736(21)00389-5\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1016\/S0140-6736(21)00389-5<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Urazbayeva G, Amirtayeva S, Kurmanova A, et al. 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J Obstet Gynaecol Can. 2023;45(1):11-20. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.jogc.2022.11.003\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1016\/j.jogc.2022.11.003<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Bandini V, Giola F, Ambruoso D, et al. The natural evolution of untreated deep endometriosis and the effect of hormonal suppression: A systematic literature review and meta-analysis. Acta Obstet Gynecol Scand. 2024;103(9):1722-1735. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/aogs.14887\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1111\/aogs.14887<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Brasil. Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Endometriose. Sa\u00fade de A a Z. <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/saude\/pt-br\/assuntos\/saude-de-a-a-z\/e\/endometriose\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">gov.br\/saude<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Rahmioglu N, Mortlock S, Ghiasi M, et al. The genetic basis of endometriosis and comorbidity with other pain and inflammatory conditions. Nat Genet. 2023;55(3):423-436. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1038\/s41588-023-01323-z\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1038\/s41588-023-01323-z<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Pais AS, Almeida-Santos T. Recent insights explaining susceptibility to endometriosis: from genetics to environment. WIREs Mech Dis. 2023;15(6):e1624. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/wsbm.1624\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1002\/wsbm.1624<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Cousins FL, McKinnon BD, Mortlock S, et al. New concepts on the etiology of endometriosis. J Obstet Gynaecol Res. 2023;49(4):1090-1105. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/jog.15549\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1111\/jog.15549<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Saunders PTK. Insights from genomic studies on the role of sex steroids in the aetiology of endometriosis. Reprod Fertil. 2022;3(2):R51-R65. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1530\/RAF-21-0078\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1530\/RAF-21-0078<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Anglesio MS, Papadopoulos N, Ayhan A, et al. Cancer-Associated Mutations in Endometriosis without Cancer. N Engl J Med. 2017;376(19):1835-1848. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1056\/NEJMoa1614814\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1056\/NEJMoa1614814<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Suda K, Nakaoka H, Yoshihara K, et al. Clonal Expansion and Diversification of Cancer-Associated Mutations in Endometriosis and Normal Endometrium. Cell Rep. 2018;24(7):1777-1789. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.celrep.2018.07.037\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1016\/j.celrep.2018.07.037<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Ioannidou A, Sakellariou M, Sarli V, et al. New Evidence About Malignant Transformation of Endometriosis: A Systematic Review. J Clin Med. 2025;14(9):2975. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/jcm14092975\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.3390\/jcm14092975<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Garcia Garcia JM, Vannuzzi V, Donati C, et al. Endometriosis: Cellular and Molecular Mechanisms Leading to Fibrosis. Reprod Sci. 2023;30(5):1453-1461. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s43032-022-01083-x\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1007\/s43032-022-01083-x<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Vallv\u00e9-Juanico J, Houshdaran S, Giudice LC. The endometrial immune environment of women with endometriosis. Hum Reprod Update. 2019;25(5):564-591. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/humupd\/dmz018\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1093\/humupd\/dmz018<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Chen S, Liu Y, Zhong Z, et al. Peritoneal immune microenvironment of endometriosis: Role and therapeutic perspectives. Front Immunol. 2023;14:1134663. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3389\/fimmu.2023.1134663\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.3389\/fimmu.2023.1134663<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Jiang I, Yong PJ, Allaire C, et al. Intricate Connections between the Microbiota and Endometriosis. Int J Mol Sci. 2021;22(11):5644. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3390\/ijms22115644\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.3390\/ijms22115644<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Talwar C, Davuluri GVN, Kamal AHM, et al. Identification of distinct stool metabolites in women with endometriosis for non-invasive diagnosis and potential for microbiota-based therapies. Med. 2025;6(2):100517. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.medj.2024.09.006\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1016\/j.medj.2024.09.006<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Bendifallah S, Roman H, Suisse S, et al. Validation of a Saliva Micro-RNA Signature for Endometriosis. NEJM Evid. 2025;4(11):EVIDoa2400195. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1056\/EVIDoa2400195\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1056\/EVIDoa2400195<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Schoeman EM, Bringans S, Peters K, et al. Identification of plasma protein biomarkers for endometriosis and the development of statistical models for disease diagnosis. 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Blood biomarkers for the non-invasive diagnosis of endometriosis. Cochrane Database Syst Rev. 2016;2016(5):CD012179. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/14651858.CD012179\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1002\/14651858.CD012179<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Leonardi M, Kalani S. A new saliva test for endometriosis is in trials: what this and other new endo tests mean for you. The Conversation; ago. 2026. <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/a-new-saliva-test-for-endometriosis-is-in-trials-what-this-and-other-new-endo-tests-mean-for-you-288271\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">theconversation.com<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">University of Cincinnati. Do endometriosis tests really work? Set. 2026. Repercuss\u00e3o de reportagem do New York Times de 29 set. 2026. <a href=\"https:\/\/www.uc.edu\/news\/articles\/2026\/09\/do-endometriosis-tests-really-work.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uc.edu<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Petta CA, Ferriani RA, Abrao MS, et al. Randomized clinical trial of a levonorgestrel-releasing intrauterine system and a depot GnRH analogue for the treatment of chronic pelvic pain in women with endometriosis. Hum Reprod. 2005;20(7):1993-1998. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/humrep\/deh869\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1093\/humrep\/deh869<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Cooper KG, Bhattacharya S, Daniels JP, et al. Long acting progestogens versus combined oral contraceptive pill for preventing recurrence of endometriosis related pain: the PRE-EMPT pragmatic, parallel group, open label, randomised controlled trial. BMJ. 2024;385:e079006. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1136\/bmj-2023-079006\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1136\/bmj-2023-079006<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Desilets J, Lakabi R, Olsthoorn A, et al. Effect of Medical Therapies for Endometriosis on Bone Health: A Systematic Review and Meta-analysis. Obstet Gynecol. 2026;148(2):205-215. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1097\/AOG.0000000000006241\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1097\/AOG.0000000000006241<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Chen I, Veth VB, Choudhry AJ, et al. Pre- and postsurgical medical therapy for endometriosis surgery. Cochrane Database Syst Rev. 2020;11(11):CD003678. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1002\/14651858.CD003678.pub3\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1002\/14651858.CD003678.pub3<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Brown J, Crawford TJ, Allen C, et al. 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Lancet. 2020;396(10255):909-917. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/S0140-6736(20)31693-7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1016\/S0140-6736(20)31693-7<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Anelli GB, Ratochinski R, Oliveira IGC, et al. Cannabidiol-Enriched Extract Oil for Postoperative Management of Chronic Pelvic Pain Secondary to Endometriosis: A Randomized Clinical Trial (DREAMLAND Study). Cannabis Cannabinoid Res. 2026:25785125251413989. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1177\/25785125251413989\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1177\/25785125251413989<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Zheng X, Wang Y, Li H, et al. Comparative Effectiveness of Non-Pharmacological Interventions for Pain and Quality of Life in Women with Endometriosis: A Systematic Review and Network Meta-Analysis. J Pain Res. 2026;19:577080. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.2147\/JPR.S577080\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.2147\/JPR.S577080<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Salmeri N, Ragusi A, Buffo C, et al. Dietary Supplements for Endometriosis-Associated Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Placebo-Controlled Trials. Gynecol Obstet Invest. 2026;91(1):101-114. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1159\/000545414\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1159\/000545414<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Zhong Y, Qiao X, Huang X, et al. The effects of antioxidant supplementation on pain, oxidative stress markers, and clinical pregnancy rate in women with endometriosis: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Front Med (Lausanne). 2025;12:1694281. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3389\/fmed.2025.1694281\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.3389\/fmed.2025.1694281<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Meneghetti JK, Pedrotti MT, Coimbra IM, et al. Effect of Dietary Interventions on Endometriosis: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. Reprod Sci. 2024;31(12):3613-3623. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1007\/s43032-024-01701-w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1007\/s43032-024-01701-w<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">van Haaps AP, Brouns F, Schreurs AMF, et al. A gluten-free diet for endometriosis patients lacks evidence to recommend it. AJOG Glob Rep. 2024;4(3):100369. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.xagr.2024.100369\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1016\/j.xagr.2024.100369<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Barnard ME, Farland LV, Yan B, et al. Endometriosis Typology and Ovarian Cancer Risk. JAMA. 2024;332(6):482-489. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1001\/jama.2024.9210\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1001\/jama.2024.9210<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Kvaskoff M, Mahamat-Saleh Y, Farland LV, et al. Endometriosis and cancer: a systematic review and meta-analysis. Hum Reprod Update. 2021;27(2):393-420. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/humupd\/dmaa045\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1093\/humupd\/dmaa045<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Leone Roberti Maggiore U, Vignali M, Kvaskoff M, et al. Endometriosis and ovarian cancer: epidemiological evidence, molecular insights, and clinical decision-making. Hum Reprod Update. 2026;32(5):509-539. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1093\/humupd\/dmag011\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1093\/humupd\/dmag011<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Bogani G, Moore KN, Ray-Coquard I, et al. Endometriosis and ovarian cancer risk. Gynecol Oncol. 2026;209:88-98. <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.ygyno.2026.05.004\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">doi:10.1016\/j.ygyno.2026.05.004<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar. Resolu\u00e7\u00e3o Normativa n\u00ba 680, de 18 de setembro de 2026: cobertura do DIU hormonal para endometriose, em vigor desde 1\u00ba out. 2026. Not\u00edcia do Portal Afya. <a href=\"https:\/\/portal.afya.com.br\/ginecologia-e-obstetricia\/ans-amplia-cobertura-obrigatoria-do-diu-hormonal-para-endometriose\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">portal.afya.com.br<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria. Resolu\u00e7\u00e3o RE n\u00ba 4.353, de novembro de 2024, sobre implantes hormonais manipulados. Not\u00edcia da Febrasgo. <a href=\"https:\/\/www.febrasgo.org.br\/noticia\/nova-regra-da-anvisa-para-implantes-hormonais-preve-fiscalizacao-rigorosa-e-proibicao-para-fins-esteticos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">febrasgo.org.br<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Carta do Rio de Janeiro: sociedades m\u00e9dicas pedem a proibi\u00e7\u00e3o de implantes hormonais manipulados. 20\u00ba Congresso Mundial de Menopausa, out. 2026. Not\u00edcia do Portal Afya. <a href=\"https:\/\/portal.afya.com.br\/saude\/carta-medica-pede-proibicao-de-implantes-hormonais-manipulados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">portal.afya.com.br<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Correio Braziliense. Governo anuncia investimento em pesquisas sobre endometriose. 9 jun. 2026. <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2026\/06\/7437429-governo-anuncia-investimento-em-pesquisas-sobre-endometriose.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">correiobraziliense.com.br<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Portal Afya. Projeto Endometriose treinou 1,2 mil profissionais de sa\u00fade. <a href=\"https:\/\/portal.afya.com.br\/saude\/projeto-endometriose-treinou-12-mil-profissionais-de-saude\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">portal.afya.com.br<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Medicina S\/A. Not\u00edcia sobre o lan\u00e7amento do consenso da SBE no 10\u00ba Congresso Brasileiro de Cirurgia Ginecol\u00f3gica Minimamente Invasiva e Endometriose. 10 ago. 2026. <a href=\"https:\/\/medicinasa.com.br\/sbe-consenso-endometriose\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">medicinasa.com.br<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Folha de S.Paulo. Testes de saliva e de sangue buscam detectar endometriose sem cirurgia. 10 out. 2026. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/10\/testes-de-saliva-e-de-sangue-buscam-detectar-endometriose-sem-cirurgia.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">folha.uol.com.br<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Folha de S.Paulo. Planos de sa\u00fade passam a cobrir DIU hormonal contra endometriose. Set. 2026. <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2026\/09\/planos-de-saude-passam-a-cobrir-diu-hormonal-contra-endometriose.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">folha.uol.com.br<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Medscape. Novo consenso muda o fluxo do tratamento da endometriose. 28 ago. 2026. <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/viewarticle\/novo-consenso-muda-fluxo-do-tratamento-endometriose-2026a1000u1a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">medscape.com<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Medscape. A dor como crit\u00e9rio: as mudan\u00e7as no diagn\u00f3stico da endometriose. 25 maio 2026. <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/viewarticle\/dor-crit%C3%A9rio-mudan%C3%A7as-diagn%C3%B3stico-2026a1000h06\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">medscape.com<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Medscape. Do tabu aos exames: o sangue menstrual pode ajudar no diagn\u00f3stico? 2026. <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/viewarticle\/do-tabu-aos-exames-sangue-menstrual-pode-ajudar-2026a1000miu\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">medscape.com<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Medscape. O caminho para o tratamento da endometriose come\u00e7a no intestino? 23 out. 2024. <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6511851\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">medscape.com<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Medscape. Estudo revela risco maior de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio em mulheres com endometriose. <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6511557\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">medscape.com<\/a><\/cite><\/li>\r\n<li><cite style=\"font-style: normal;\">Medscape. Capacita\u00e7\u00e3o para endometriose pretende reduzir neglig\u00eancia e aumentar diagn\u00f3sticos. <a href=\"https:\/\/portugues.medscape.com\/verartigo\/6511120\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">medscape.com<\/a><\/cite><\/li>\r\n<\/ol>\r\n<div style=\"background: #F3F7FA; border: 1px solid #d9e2ea; padding: 18px 22px; margin: 36px 0 0 0; font-size: 0.93em; line-height: 1.55;\">\r\n<p style=\"margin: 0 0 8px 0;\"><strong>Sobre o autor:<\/strong> Dr. Roberto Franco do Amaral \u00e9 m\u00e9dico h\u00e1 23 anos, especialista em Medicina Laboratorial (CRM-SP 111370 \u00b7 RQE 50521), com atua\u00e7\u00e3o em Campinas, SP.<\/p>\r\n<p style=\"margin: 0;\">Conte\u00fado educativo, que n\u00e3o substitui avalia\u00e7\u00e3o m\u00e9dica individual (\u00faltima revis\u00e3o em outubro de 2026).<\/p>\r\n<\/div>\r\n<!-- Dados estruturados (JSON-LD): MedicalWebPage, MedicalCondition e FAQPage. 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Guia atualizado com diretrizes e estudos de 2026.\",\r\n   \"inLanguage\": \"pt-BR\",\r\n   \"about\": {\r\n    \"@id\": \"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/endometriose\/#condicao\"\r\n   },\r\n   \"mainEntity\": {\r\n    \"@id\": \"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/endometriose\/#condicao\"\r\n   },\r\n   \"medicalAudience\": {\r\n    \"@type\": \"MedicalAudience\",\r\n    \"audienceType\": \"Patient\"\r\n   },\r\n   \"specialty\": \"https:\/\/schema.org\/Gynecologic\",\r\n   \"lastReviewed\": \"2026-10-11\",\r\n   \"author\": {\r\n    \"@type\": \"Person\",\r\n    \"@id\": \"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/#dr-roberto-franco-do-amaral\",\r\n    \"name\": \"Roberto Franco do Amaral\",\r\n    \"honorificPrefix\": \"Dr.\",\r\n    \"jobTitle\": \"M\u00e9dico\",\r\n    \"identifier\": \"CRM-SP 111370 \u00b7 RQE 50521\",\r\n    \"url\": \"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/\",\r\n    \"worksFor\": {\r\n     \"@type\": 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\"@type\": \"MedicalTherapy\",\r\n     \"name\": \"Progestag\u00eanios\"\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"MedicalTherapy\",\r\n     \"name\": \"DIU hormonal de levonorgestrel\"\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"MedicalTherapy\",\r\n     \"name\": \"An\u00e1logos de GnRH com terapia de adi\u00e7\u00e3o hormonal\"\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"MedicalTherapy\",\r\n     \"name\": \"Cirurgia em casos selecionados\"\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"MedicalTherapy\",\r\n     \"name\": \"Fisioterapia p\u00e9lvica\"\r\n    }\r\n   ]\r\n  },\r\n  {\r\n   \"@type\": \"FAQPage\",\r\n   \"@id\": \"https:\/\/www.robertofrancodoamaral.com.br\/blog\/endometriose\/#faq\",\r\n   \"inLanguage\": \"pt-BR\",\r\n   \"mainEntity\": [\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"Endometriose tem cura?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"A endometriose n\u00e3o tem cura definitiva, mas na maioria dos casos tem controle. O tratamento hormonal reduz a dor na maior parte das pacientes enquanto est\u00e1 em uso. A cirurgia remove as les\u00f5es vis\u00edveis, por\u00e9m elas podem voltar. Em geral, os sintomas diminuem depois da menopausa.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"Qual exame detecta a endometriose?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"O ultrassom transvaginal com preparo intestinal e a resson\u00e2ncia magn\u00e9tica da pelve identificam endometriomas e les\u00f5es profundas. Nenhum dos dois enxerga bem a doen\u00e7a superficial, ent\u00e3o um exame normal n\u00e3o descarta o diagn\u00f3stico. A laparoscopia, cirurgia por v\u00eddeo, fica para casos selecionados.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"O teste de saliva j\u00e1 substitui os outros exames?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"O teste de saliva ainda n\u00e3o substitui os outros exames. O estudo de valida\u00e7\u00e3o mostrou sensibilidade de 97,3% e especificidade de 94,1% em centros especializados da Fran\u00e7a, mas falta repetir o resultado em outras popula\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, as diretrizes atuais n\u00e3o recomendam biomarcadores para diagnosticar endometriose.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"Endometriose pode virar c\u00e2ncer?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"A transforma\u00e7\u00e3o maligna de uma les\u00e3o \u00e9 rara, estimada em 0,5% a 1% dos casos, e ocorre quase sempre no ov\u00e1rio. Contando todos os tumores de ov\u00e1rio, o risco ao longo da vida passa de cerca de 1,3% para 2,5%. Como o risco absoluto continua baixo, as diretrizes n\u00e3o indicam rastreamento.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"Quem tem endometriose consegue engravidar?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"A maioria das mulheres com endometriose n\u00e3o relata infertilidade, embora cerca de 26% tenham essa dificuldade. Quando a gravidez n\u00e3o vem, as op\u00e7\u00f5es s\u00e3o cirurgia em casos selecionados ou reprodu\u00e7\u00e3o assistida, j\u00e1 que o tratamento hormonal da endometriose n\u00e3o melhora a fertilidade.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"O plano de sa\u00fade cobre o DIU hormonal para endometriose?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"Sim: desde 1\u00ba de outubro de 2026, os planos de sa\u00fade cobrem o DIU hormonal para endometriose de quem cumpre os crit\u00e9rios da ANS. A Resolu\u00e7\u00e3o Normativa 680 obriga a cobertura do dispositivo e da inser\u00e7\u00e3o quando h\u00e1 contraindica\u00e7\u00e3o ou falta de adapta\u00e7\u00e3o ao anticoncepcional oral combinado. A indica\u00e7\u00e3o precisa constar no pedido m\u00e9dico.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"Dieta sem gl\u00faten ajuda na endometriose?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia para retirar o gl\u00faten apenas por causa da endometriose, de acordo com o consenso brasileiro de 2026. Quem tem sintomas intestinais, por outro lado, pode se beneficiar de uma dieta com baixo teor de FODMAPs, com orienta\u00e7\u00e3o profissional.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"Implante de gestrinona trata endometriose?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"O consenso brasileiro de 2026 afirma que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia cient\u00edfica de benef\u00edcio do implante de gestrinona na endometriose. Al\u00e9m disso, a gestrinona tem efeitos androg\u00eanicos, e a Anvisa restringe os implantes hormonais manipulados desde 2024.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"Canabidiol funciona para a dor da endometriose?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"No ensaio brasileiro DREAMLAND, com 102 mulheres, o canabidiol n\u00e3o superou o placebo na dor da endometriose. O consenso de 2026 tamb\u00e9m n\u00e3o recomenda o uso de rotina.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"Quem tem endometriose pode fazer reposi\u00e7\u00e3o hormonal na menopausa?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"Quem tem hist\u00f3rico de endometriose pode fazer reposi\u00e7\u00e3o hormonal na menopausa, desde que com avalia\u00e7\u00e3o individual. A diretriz europeia recomenda evitar o estrog\u00eanio isolado e preferir a terapia combinada com progestag\u00eanio, inclusive depois de menopausa cir\u00fargica.\"\r\n     }\r\n    },\r\n    {\r\n     \"@type\": \"Question\",\r\n     \"name\": \"Endometriose \u00e9 heredit\u00e1ria?\",\r\n     \"acceptedAnswer\": {\r\n      \"@type\": \"Answer\",\r\n      \"text\": \"A endometriose \u00e9 heredit\u00e1ria em parte. Ter m\u00e3e ou irm\u00e3 com a doen\u00e7a aumenta o risco, e estudos com g\u00eameas atribuem \u00e0 gen\u00e9tica cerca de metade da varia\u00e7\u00e3o desse risco. Ainda n\u00e3o existe, por\u00e9m, teste gen\u00e9tico para confirmar ou prever a endometriose.\"\r\n     }\r\n    }\r\n   ]\r\n  }\r\n ]\r\n}\r\n<\/script><\/p>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Endometriose: o que \u00e9, sintomas, como se chega ao diagn\u00f3stico e quais tratamentos t\u00eam evid\u00eancia. 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