Síndrome Pós Finasterida. Já ouviu falar? | Dr. Roberto Franco do Amaral Neto

Síndrome Pós Finasterida. Já ouviu falar?

Hormônios

14 de julho de 2013

alopecia-androgenica

A alopecia está entre as dez queixas mais frequentes nos consultórios dermatológicos em pacientes de 15 a 39 anos.

O termo alopecia significa em latim “sarna do lobo” (o lobo perde o pelo do pescoço durante o verão). Calvície ou alopecia designa a perda de pelos ou cabelos, total ou parcial, temporária ou definitiva, em qualquer região com pelos ou cabelos no corpo humano. As calvícies podem ser definitivas (também chamadas de cicatriciais) ou transitórias (também chamadas de não cicatriciais). Dependendo do tipo de calvície, o tratamento é totalmente diferente.

De acordo com o último censo da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a queixa de alopecia está entre as dez mais frequentes nos consultórios dermatológicos em pacientes de 15 a 39 anos. A alopecia androgenética (AAG) é a causa mais comum de alopecia em ambos os sexos. É caracterizada por alteração no ciclo do cabelo levando à miniaturização folicular progressiva com conversão de fios terminais em velo, mais finos, curtos e menos pigmentados. Cerca de 50% dos homens caucasianos sofrem de um processo conhecido como alopécia androgênica, problema também conhecido como calvície. Em alguns povos o problema é mais comum, caso dos judeus (cerca de 70% dos homens ficam calvos), ao passo que outros povos como os orientais têm a capacidade de manter o cabelo mais forte ao longo da vida.

Na alopecia androgenética, os receptores nas raízes dos cabelos se ligam com frações dos hormônios androgênicos que circulam no corpo. A testosterona, através da enzima 5 alfa-redutase, é convertida em dihidrotestosterona (DHT) e se liga no receptor do folículo piloso (raiz). A característica desta queda de cabelos é a miniaturização dos fios. Os cabelos afinam, perdem a cor, e vão reduzindo seu comprimento até se tornarem um velus. Os cabelos caem pequenos.

miniaturização dos fios

Miniaturização do folículo capilar

A DHT existe na pele, no cérebro e nos órgãos sexuais. Até há pouco tempo pensava-se que era um hormônio desnecessário a partir do início da idade adulta. Durante a vida embrionária ou a adolescência a DHT é essencial para o desenvolvimento dos órgãos sexuais masculinos. É também responsável pelo aparecimento da barba, dos pelos no peito, no abdômen ou nos membros inferiores dos rapazes, e ainda pelo aumento da atividade das glândulas sebáceas.

Nos homens os cabelos geneticamente afetados pela DHT são em geral os das regiões frontal, superior e coroa (vértex). Em contrapartida, os cabelos das regiões laterais e nuca são permanentes pois não são afetados pela DHT. O problema de queda de cabelos começa a ser notado quando os homens estão próximo aos 30 anos, então, surge a crise de meia idade. Durante a juventude, a calvície não é uma preocupação, no entanto, o problema pode começar em homens perto dos 20 anos. A maioria dos homens citam a calvície como uma das principais preocupações: quando um homem começa a perceber que está perdendo os cabelos, pode naquele momento, não se preocupar muito, mas já perdeu cerca de 50% dos fios. Para identificação do grau de calvície, é usada uma escala desenvolvida e padronizada pelos Drs. Hamilton e Norwood, que identifica sete etapas do desenvolvimento da calvície em 80% dos homens afetados.

Hamilton-Norwood

Escala de Hamilton e Norwood

A calvície pode afetar todos os aspectos da vida masculina. Os relacionamentos interpessoais, a imagem e a autoestima ficam abalados. Um em cada sete homens tem variantes genéticas que levam à calvície: segundo uma pesquisa de cientistas da Glaxo Smith Kline, homens calvos têm uma combinação de genes que aumenta em sete vezes as chances de desenvolver o problema. De acordo com o Doutor Dráusio Varela, diversos genes têm sido implicados na suscetibilidade à alopecia; eles provavelmente interagem com fatores ambientais, como o estresse, comportamento e nutrição. Hoje sabemos que nossas escolhas e nossos comportamentos exercem muito mais impacto sobre a longevidade e a saúde do que a nossa herança genética.

Mas a alopecia androgenética ou androgênica não afeta somente os homens. Nas mulheres, os hormônios androgênicos são secretados pelos ovários e pelas suprarenais. O mecanismo de ação dos hormônios androgênicos nos cabelos ocorre da mesma forma que nos homens. A calvície feminina é mais difusa, mais tardia, tem evolução mais lenta que a calvície masculina, preserva a linha frontal dos cabelos e é menos severa que a dos homens. O padrão feminino costuma apresentar-se entre a terceira e a quarta décadas de vida, com progressiva piora após a menopausa.

Alopecia androgênica feminina

 

FINASTERIDA:

O fármaco finasterida é utilizado por milhões de homens em todo o mundo para parar ou reverter o processo de calvície e também para tratar a hiperplasia benigna da próstata. Vale salientar que o medicamento é contra-indicado para uso em mulheres em idade fértil pois pode levar a má-formações em fetos.

A finasterida inibe a conversão de testosterona em diidrotestosterona (DHT) pela inibição da enzima 5-α-redutase. A diidrotestosterona é um potente hormônio masculino responsável pelo surgimento da alopécia androgenética. A redução dos níveis de diidrotestosterona devido ao uso de finasterida reverte o quadro de calvície.

cascata

Ação da 5-alfa redutase

DHT

Diidrotestosterona (DHT)

efeito finasterida

Ação da finasterida sobre a calvície androgênic

Finasterida

A finasterida também é indicada para o tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB), de forma a provocar a regressão da próstata aumentada, e melhorar o fluxo urinário e os sintomas associados com a HPB.

HPB

Hiperplasia prostática benigna (HPB)

Há vários anos que um grupo de médicos nos EUA tem pedido que esta droga saia do mercado. Nos seus consultórios têm surgido dezenas de homens com impotência, ausência de libido e desaparecimento das características sexuais masculinas (perda dos pêlos corporais, aparecimento de seios, perda de massa muscular). O incomum é que os sintomas não desaparecem. Por vezes as vítimas apenas se recuperam ao fim de mais de sete anos, mas ocorreram casos em que não houve recuperação e as vítimas acabaram por se suicidar.

A dimensão do problema permanece desconhecida e a comunidade médica não está sensibilizada. Os estudos oficiais afirmam que o fármaco é seguro. A grande maioria dos médicos em todo o mundo continua a receitar finasterida e ignorar os seus efeitos secundários.

O tecido erétil do pênis precisa de testosterona e de DHT para se manter. A ausência destes hormônios leva à sua degeneração, que apenas pode ser revertida numa fase inicial. Em fases mais avançadas a impotência é irreversível.

impotencia

Impotência, um dos efeitos adversos da finasterida

No cérebro, a DHT está presente e é essencial para a capacidade de memorização, comportamento masculino, aprendizagem, etc. Os pacientes que fazem uso da finasterida sofrem durante anos de problemas de concentração, depressão, “brain fog” ou insônias sem saber a verdadeira causa. A finasterida reduz ainda a testosterona disponível no sangue, e aumenta o estradiol, um estrogênio, levando a um aumento da probabilidade do homem sofrer de câncer da mama ou de sinais de feminilização.

brain fog

“Brain Fog”

Aconselha-se a todos os leitores que estejam utilizando ou utilizaram a finasterida, que procurem um médico para fazer um check-up hormonal ao longo dos cinco anos que se seguem ao fim da medicação. Não se aconselha a ingestão de soja ou produtos derivados de soja, linhaça ou sementes de abóbora, ou qualquer outro produto com fitoestrogênios por estes pacientes, que deverão aumentar drasticamente a ingestão de legumes e vegetais, pois a carência de anti-oxidantes é uma das causas da queda de cabelo.

Fontes:

 

Para  informações mais detalhada acesse este blog feito  exclusivo  para  a Síndrome Pós Finasterida: http://riscosdofinasterida.blogspot.com.br/p/calv.html

 

2 Comentários em “Síndrome Pós Finasterida. Já ouviu falar?”

Felipe

19 de agosto de 2014 - 18:39

Tenho 30 anos e sou usuário de finasterida há 9 anos. Sempre soube pela internet ou pela bula os efeitos colaterais da finasterida como perda da libido, perda do volume ejaculado e disfunção erétil. Eu nunca tive esses efeitos colaterais, por isso, nunca me preocupei e não quis parar com a medicação. Depois que vi a reportagem da revista Veja a respeito dos efeitos colaterais e depoimentos de pacientes, decidi procurar um dermatologista, cardiologista e urologista, bem como pedir exames hormonais. Na primeira consulta, todos foram unânimes em que eu poderia continuar usando e o dermatologista disse que o meu cabelo até melhorou após um exame comparando com fotos de 4 anos atrás. Na consulta de retorno e com exames em mãos, todos os exames estão perfeito, exceto o espermograma. No exame deu 84,4 milhões e 15,3 por ml com velocidade baixa e o oval abaixo da média, enfim, segundo o urologista está abaixo do normal por mais que com estes resultados, embora baixos, é possível engravidar uma mulher. Agora vou deixar de tomar a finasterida por 6 meses e voltar a fazer os exames para comparar com este atual. O cardiologista disse que tem certeza que a finasterida me causou este efeito colateral. Sinceramente, mesmo após os 6 meses, eu acho que eu não vou tomar finasterida nunca mais!

Daniel

29 de outubro de 2014 - 09:58

Felipe, obrigado pelo comentário. Criei coragem para começar o tratamento. vlw

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