(Last Updated On: 03/10/2018)

O papel da Dopamina na libido feminina

A cada dia aumenta a autonomia das mulheres, que cada vez mais se tornam figuras centrais de suas próprias vidas e de quem as cercam. O paradigma social onde era exclusivo aos homens proverem suas famílias, ruiu e estes papéis são atualmente exercidos também pelas mulheres em diversas culturas. As mulheres estão disputando cada vez mais vagas e postos antes ocupados somente pelos homens, portanto, precisam ser tão competitivas como os homens, além de também quererem ter prazer, como os homens.

Décadas atrás o prazer feminino era considerado totalmente desnecessário tento em vista que a mulher não precisaria dele para reproduzir. O macho da casa dominava a relação como um todo, tanto do ponto de vista sexual como em outros âmbitos. A mulher era uma serva do homem em afazeres domésticos e sexuais, de modo a apenas dar prazer ao seu homem e continuidade à espécie.

Para a mulher chegar ao clímax é necessário primeiro ter o desejo sexual (libido), o qual por muitos anos foi pouco valorizado na mulher ao longo da história da medicina, muito provavelmente em função do machismo que sempre imperou. Apenas nas últimas décadas que a libido feminina  passou a ser alvo de estudos por cientistas do mundo todo e os estudos sobre o assunto se multiplicaram desde então, em função da crescente ascensão das mulheres na sociedade.

A dopamina é sintetizada em uma região do cérebro chamada substantia nigra e áreas subjacentes. Suas moléculas têm uma ação estimulante causando euforia, fluidez da fala e excitação. Vários estudos têm demonstrado a íntima relação da dopamina com o desejo sexual. Níveis baixos de dopamina tipicamente resultam em diminuição de libido. Alguns medicamentos que bloqueiam a dopamina acabam também reduzindo a libido e a recíproca é verdadeira: medicamentos que aumentam a dopamina podem aumentar o desejo sexual. O medicamento bupropiona, atua regulando os níveis de dopamina e  mulheres que fazem uso deste medicamento percebem melhora da libido com certe frequência

Estudos realizados nos últimos anos indicam que 65% das mulheres podem ter alterações da libido ao longo da vida. Infelizmente apesar de um número tão alto, poucas mulheres são tratadas de maneira correta e muitas vezes seus relacionamentos desmoronam em função disso. A diminuição ou ausência da libido na mulher não deve ser encarada como normal e nem a mulher pode se conformar com isso, achando que foi menos ”agraciada” pela natureza, como alguns profissionais insistem em dizer. Independentemente da idade, a função sexual preservada é importantíssima, já que o grande motivo de nossa existência é a reprodução. A partir do momento em que não sentimos mais vontade de nos reproduzir, podem ter certeza, algo está errado. E por favor, não aceite mais como resposta à esta situação: “- Você está estressada querida, precisa de férias”!

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Dr. Roberto Franco do Amaral Neto
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Médico CRM: 111370

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