(Last Updated On: 18/08/2017)

O Comitê de Práticas da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, em colaboração com a Sociedade de Endocrinologia Reprodutiva e Infertilidade, publicou em janeiro de 2017 um guia de diretrizes e boas práticas para fertilidade. O documento fornece recomendações, baseadas no consenso de opiniões de especialistas, para casais ou indivíduos, sobre como otimizar as chances de gravidez, quando não há nenhum histórico de infertilidade. De acordo com o guia, a fertilidade é definida como a capacidade de produzir uma criança.

Já a infertilidade é definida como o fracasso em obter uma gestação de sucesso depois de 12 meses ou mais de relação sexual desprotegida. Para mulheres acima de 35 anos, ou que tenham um histórico médico de infertilidade, pode ser realizado um diagnóstico mais cedo, após 6 meses de tentativas falhas. Aproximadamente 80% dos casais conceberão nos primeiros 6 meses de tentativa de gravidez. A fecundabilidade mensal (a probabilidade de se conseguir uma gravidez durante um ciclo menstrual) é maior nos primeiros 3 meses de tentativas.

Fertilidade e idade

A fertilidade varia entre as populações e diminui com a idade em homens e mulheres, mas os efeitos da idade são muito mais pronunciados nas mulheres. A fertilidade relativa é diminuída em cerca de metade das mulheres em seus 30 anos, em comparação com as mulheres nos seus 20 anos, sendo que a chance de concepção diminui significativamente após os 35 anos. Embora os parâmetros do sêmen nos homens também diminuam de forma detectável após os 35 anos de idade, a fertilidade masculina não parece ser afetada antes da idade aproximada de 50 anos. Mulheres muito magras ou obesas apresentam taxas de fertilidade reduzidas.

Fertilidade e estilo de vida

Enquanto um estilo de vida saudável ajuda a melhorar a fertilidade para mulheres com disfunção ovulatória, existem poucas evidências de que variações de dieta como dietas vegetarianas, dietas com pouca gordura, dietas enriquecidas com vitaminas, antioxidantes ou medicações de ervas melhoram a fertilidade. A prevalência de obesidade aumentou de forma constante nos últimos 35 anos e atualmente afeta grande da população dos países desenvolvidos. Foi descrito um declínio simultâneo nos parâmetros do sêmen e um crescente corpo de literatura sugere que a obesidade contribui para a infertilidade masculina. A obesidade altera o eixo hipotálamo-hipófise-gonadal central e perifericamente, resultando em hipogonadismo hipogonadotrópico e hiperestrogênico. Fatores derivados do tecido adiposo, como leptina e adipocinas, regulam a produção de testosterona e a inflamação, respectivamente. O aumento da inflamação sistêmica resulta em maiores espécies reativas de oxigênio e na fragmentação do DNA espermático. O aumento da temperatura testicular por causa do habitus do corpo e inatividade prejudica a espermatogênese. O grau em que a obesidade afeta os níveis hormonais, os parâmetros do sêmen, a integridade do DNA do esperma e as taxas de gravidez são variáveis, o que pode ser o resultado de outras condições comórbidas.

Foi descrito um declínio simultâneo nos parâmetros do sêmen e um crescente corpo de literatura sugere que a obesidade contribui para a infertilidade masculina

A qualidade do sêmen humano certamente diminuiu ao longo das últimas décadas, afirma um estudo publicado em julho de 2017 na PLoS One, possivelmente devido a fatores de estilo de vida modernos. Nesse sentido, o papel do sobrepeso e da obesidade no desenvolvimento da subfertilidade nos homens gerou um interesse considerável nos últimos anos. No entanto, não há consenso sobre se o sobrepeso ou a obesidade prejudicam a qualidade do esperma. Assim, com base no debate em curso sobre fatores de risco para a subfertilidade associada ao sobrepeso e à obesidade nos homens, o estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Valência, na Espanha, foi projetado para investigar o efeito do excesso de peso nos parâmetros de qualidade do esperma e o sucesso da fertilidade em ensaios controlados randomizados em um modelo de coelho.Os machos com sobrepeso apresentaram uma diminuição significativa na concentração do esperma e uma diminuição clara e significativa no sucesso da fertilidade (grupo controle, 64 ± 8,9% versus grupo alimentado à vontade, 35 ± 9,2%), mas não no número da prole.

Em conjunto, estas descobertas fornecem novas evidências sobre a perda de fertilidade induzida pelo excesso de peso em machos, devendo ser realizados com homens no próximo estágio da pesquisa.

Além destas ações sobre a fertilidade do homem, a obesidade também causa problemas de disfunção erétil, segundo pesquisadores do Departamento de Farmacologia da UNICAMP.  A obesidade induzida por dietas ricas em gordura é um dos fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de disfunção erétil  no homem. Os pesquisadores tiveram como objetivo caracterizar a disfunção erétil resultante da obesidade associada à dieta rica em gorduras em camundongos. Os dados obtidos levaram os pesquisadores a concluir que a obesidade associada  à uma dieta rica em gorduras favorece a disfunção erétil, como resultado de ações sobre o corpo cavernoso do pênis.

A obesidade também causa problemas de disfunção erétil, segundo pesquisadores da UNICAMP

Álcool e Fertilidade

O efeito do álcool na fertilidade feminina ainda não é muito bem estabelecido, porém o consumo excessivo deve ser evitado quando se está tentando engravidar. Mesmo um consumo moderado (2 drinks por dia) pode ter efeitos adversos sobre a fertilidade feminina. Um estudo realizado por pesquisadores do Harvard School of Public Health e publicado “on line” no American Journal of Public Health em outubro de 2011, investigou a relação entre consumo moderado de álcool e fertilidade.  Foi avaliada a relação entre o uso de álcool e cada tipo de infertilidade, ajustado para idade, centro de infertilidade, tabagismo, uso de cafeína, número de parceiros sexuais, uso de dispositivo intra-uterino (para doença tubária), índice de massa corporal e exercício (para o fator ovulatório). Os pesquisadores encontraram um aumento na infertilidade, devido ao fator ovulatório ou endometriose com o uso de álcool, sendo a estimativa do risco relativo para o fator ovulatório dose-dependente. O risco de endometriose foi aproximadamente 50% maior para mulheres que consumiam álcool do que as mulheres controle. A partir dos resultados obtidos, os pesquisadores concluíram que mesmo o uso moderado de álcool pode contribuir para o risco de tipos específicos de infertilidade.

O risco de endometriose foi aproximadamente 50% maior para mulheres que consumiam álcool do que as mulheres controle.

Um alto nível de consumo de cafeína (mais de 5 copos por dia) também pode ser associado à diminuição da fertilidade. Durante a gestação, o consumo de cafeína (mais de 2 a 3 copos por dia) pode aumentar as chances de aborto. O consumo moderado de cafeína (1 a 2 copos por dia) antes ou durante a gestação não tem nenhum efeito adverso aparente na fertilidade ou resultado da gestação.

Tabagismo e Fertilidade

Existem várias opções de estilo de vida que podem afetar a fertilidade e, portanto, a taxa de natalidade. Fumar tem efeitos adversos substanciais sobre a fertilidade. Uma grande meta-análise comparando 10.928 mulheres fumantes com 19.128 mulheres não fumantes descobriu que as mulheres fumantes eram significativamente mais propensas a ser inférteis. Embora diminua a densidade e motilidade do esperma e anormalidades na morfologia do esperma tenham sido observadas em homens que fumam, os dados disponíveis não demonstram de forma conclusiva que fumar diminui a fertilidade masculina. Estudos epidemiológicos indicam que a modificação dos hábitos de estilo de vida, entre eles, o consumo de nicotina pode influenciar a saúde reprodutiva. A influência do tabagismo na saúde reprodutiva deve ser analisada no contexto da influência do índice de massa corporal, consumo de cafeína e álcool, exercício, idade materna e paterna e estresse.

Os estudos mostram diretamente a relação entre o consumo de nicotina e a diminuição da fertilidade entre mulheres fumantes.

Além disso, há evidências de que fumar leva à maior taxa de defeitos congênitos do coração, anormalidades dos membros e malformações do nervo central, entre bebês nascidos de mães que fumam. Os programas focados na melhora na taxa nacional de natalidade devem se concentrar também em diminuir as taxas de tabagismo entre as mulheres.

Doenças da gengiva podem interferir na concepção nas mulheres.

Em um estudo observacional e prospectivo publicado em junho de 2017 no Journal of Oral Microbiology, pesquisadores da Universidade de Helsinki, na Finlândia, investigaram se os marcadores microbiológicos e sorológicos da periodontite estão associados à concepção, em 256 mulheres não grávidas de 19 a 42 anos. Foram realizados exames clínicos orais e ginecológicos, sendo detectados os principais agentes patogênicos periodontais na saliva e também foram analisados anticorpos do soro e da saliva contra os principais patógenos periodontais. O período de acompanhamento das tentativas para engravidar foi de 12 meses.

Porphyromonas gingivalis foi significativamente mais frequentemente detectada na saliva entre aquelas que não ficaram grávidas (8,3%) do que aquelas que engravidaram (2,1%).

Os níveis médios dos anticorpos salivares para P. gingivalis,  IgA e IgG foram maiores entre aquelas que não ficaram grávidas em comparação com aquelas que engravidaram. Os pesquisadores concluíram que a infecção periodontal por P. gingivalis está associada com a redução do sucesso nas tentativas de engravidar.

Exposição ao ruído ambiental e o risco de infertilidade masculina

O ruído está associado à má saúde reprodutiva. Uma série de estudos em animais sugeriram os possíveis efeitos da exposição a altos níveis de ruído sobre a fertilidade. Até à data, uma pequena parte dessas pesquisas foram realizadas em seres humanos. Em uma destas pesquisas, cientistas da Universidade Nacional de Seoul examinaram uma associação entre a exposição diurna e noturna ao ruído e a infertilidade masculina subsequente. Para isto utilizaram o National Health Insurance Service-National Sample Cohort, um conjunto de dados de reivindicações de seguro de saúde em toda a população.

Durante o período de estudo, 3293 (1,6%) homens tiveram diagnóstico de infertilidade. Embora não tenha havido associação de infertilidade com incrementos de 1 dB na exposição ao ruído, observou-se uma relação dose-resposta não linear entre infertilidade e quartis do ruído diurno e noturno após o ajuste para as variáveis confusas (idade, renda, área residencial, exercício, tabagismo, consumo de álcool, glicemia, índice de massa corporal, histórico médico e poluição por partículas).

Com base nos critérios da OMS, as probabilidades ajustadas de infertilidade foram significativamente aumentadas  em homens expostos ao ruído noturno ≥ 55 dB. 

Os pesquisadores encontraram uma associação significativa entre a exposição ao ruído ambiental por quatro anos e a subsequente incidência de infertilidade masculina, sugerindo que a exposição a longo prazo ao ruído exerce um papel na patogênese da infertilidade masculina.

Efeitos adversos de medicamentos sobre a fertilidade masculina

De acordo com um artigo de revisão publicado na Nature Reviews Urology, os efeitos adversos dos medicamentos na reprodução masculina geralmente são inadequadamente considerados, reconhecidos e investigados. Os medicamentos podem afetar a reprodução masculina através de efeitos hormonais centrais, efeitos gonadotóxicos diretos, efeitos na função espermática ou na função sexual. Por exemplo, a testosterona exógena inibe a espermatogênese através da supressão central do eixo hormonal hipotalâmico-hipofisário-gonadal. Os inibidores da 5 α-redutase (finasterida, dutasterida) podem prejudicar a função sexual, diminuição do volume do sêmen e afetar negativamente os parâmetros do esperma, dependendo da dose e da duração do tratamento.

Os alfa-bloqueadores podem diminuir a emissão seminal e causar ejaculação retrógrada, dependendo da especificidade do receptor e da dose do agente. Os inibidores da fosfodiesterase parecem ter efeitos variáveis ​​com base na isoforma inibida, sendo as evidências conflitantes. Os agentes anti-hipertensivos e psicotrópicos podem afetar o esperma, a função sexual e os parâmetros hormonais. Para antibióticos, a literatura sobre os efeitos na função esperma e esperma é limitada e datada. Muitos agentes quimioterapêuticos têm um efeito gonadotóxico direto, dependendo dos agentes utilizados, dosagem e número de ciclos de tratamento. Em geral, muitos medicamentos comumente usados ​​na urologia podem ter efeitos sobre a fertilidade masculina (principalmente reversíveis), mas evidências conclusivas em seres humanos são muitas vezes limitadas. Os homens devem ser aconselhados adequadamente sobre possíveis efeitos adversos relacionados à droga em sua fertilidade.

Fertilidade e xenoestrógenos

Os xenoestrógenos se constituem como o grupo de poluentes com maior risco ambiental por possuírem efeitos que ameaçam o sistema hormonal, afetando a reprodutividade, provocando malformações e até alterações comportamentais. Alguns dos xenoestrógenos têm origem na natureza, como os fitoestrógenos, que são substâncias estrogênicas produzidas pelas plantas. Alimentos ricos em fitoestrógenos, como a soja, devem ser consumidos também com cautela, pois além de grande parte produzida atualmente ser de origem transgênica, há controvérsias quanto aos efeitos da sua utilização em larga escala na alimentação.

Estudos indicam que a queda do nível e da qualidade dos espermatozoides em homens pode ser devida à exposição a xenoestrógenos ainda no útero materno.

Ou seja, o meio ambiente intrauterino pode determinar de forma definitiva qual será a capacidade reprodutiva da criança que está sendo gerada. A hipospádia é um dos defeitos de nascimento cada vez mais comuns da genitália masculina. Nela, o meato urinário fica localizado na face ventral do pênis, dificultando a reprodução e até mesmo podendo impedir de urinar em pé. Há evidências de que a incidência de hipospádias no mundo tem crescido nas últimas décadas. Outro efeito potencial de xenoestrógenos está em oncogenes, especificamente em relação ao câncer de mama e de próstata. Assim como as malformações, o crescimento do número de casos do câncer de mama e de próstata e de hormônios dependentes está provavelmente ligado a xenoestrógenos.

Abaixo, uma pequena lista de xenoestrógenos mais comuns:

·         4-Metilbenziliden canfor (4-MBC) (loções de bloqueadores solares)

·         Hidroxianisolbutilado / BHA (conservante alimentício)

·         Atrazina (Agrotóxico)

·         Bisfenol A, presente em mamadeiras de plástico

·         DDT (agrotóxico)

·         Dieldrín (agrotóxico)

·         Endosulfano (agrotóxico)

·         FD&C Red No. 3 (corante alimentar)

·         Etinilestradiol (pílula contraconceptiva oral)

·         Heptaclor (agrotóxico)

·         Lindano/hexaclorociclohexano (agrotóxico)

·         Metaloestrógenos (metais tóxicos)

·         Metoxiclor (agrotóxico)

·         Bifenilospoliclorados/PCBs (lubrificantes, adesivos, pinturas)

·         Parabenos (loções)

·         Fenosulfotiazina (corante vermelho)

·         Ftalatos (plásticos moles, tipo filmes)

·         DEHP (plastificante para PVC)

O Bisfenol A (BPA)

Substâncias químicas como o BPA são conhecidas por migrarem de embalagens de alimentos para os alimentos, resultando na exposição humana a esses produtos químicos. Da mesma forma, o BPA pode migrar de mamadeiras para o leite. O BPA tem sido associado aos efeitos adversos atribuídos às suas propriedades estrogênicas em vários modelos animais.

O grande problema da molécula e de seus derivados é o fato do nosso organismo e de outros vertebrados “interpretarem” as substâncias como hormônios sexuais, os mesmos que o corpo produz para gerar as características típicas de cada sexo. 

Em outro artigo de revisão publicado em 2015, os autores afirmam que as evidências científicas encontradas mostram que o BPA pode interferir com a função endócrina do eixo hipotálamo-hipofisário alterando, por exemplo, a secreção de hormônios liberadores de gonadotropina (GnRH) do hipotálamo e na promoção da proliferação da hipófise. Tais ações afetam a puberdade, a ovulação e pode até resultar em infertilidade. Ovário, útero e outros órgãos reprodutivos também são alvos de BPA. A exposição ao BPA prejudica a estrutura e as funções de sistema reprodutor feminino, em diferentes períodos do ciclo de vida e pode contribuir para a infertilidade. Ambas as evidências, epidemiológicas e experimentais, demonstram que BPA afeta expressão de genes relacionados com a reprodução e modificação epigenética que estão intimamente associados com a infertilidade. Um trabalho de revisão de 2016 realizado pelo Dr. Seachrist e colaboradores de diversas universidades americanas, conclui que há evidências substanciais de estudos com roedores que indicam que no início da vida, exposição ao BPA abaixo do RFD leva ao aumento da susceptibilidade ao câncer de mama e de próstata e propuseram que o BPA possa ser razoavelmente previsto como um carcinógeno humano na mama e próstata devido às suas propriedades promotoras de tumor.

Estratégias para otimização da fertilidade

Manter uma alimentação saudável favorece a fertilidade em ambos os sexos. É o que diz um estudo apresentado durante o encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, realizado em Lisboa, entre os dias 14 e 17 de junho de 2015. Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores selecionaram 1.134 pessoas, que preencheram um questionário sobre hábitos alimentares e estilo de vida. Do total, um terço dos homens e mulheres foram classificados como inférteis, já que estavam tentando engravidar há um ano, mas sem sucesso. Os demais tinham tido um filho recentemente. Os resultados mostraram diferenças claras entre as dietas dos dois grupos.

O consumo regular de frutas, vegetais e leguminosas foi associado com níveis mais altos de fertilidade. Não fumar e o baixo consumo de álcool também se mostraram fatores determinantes para a concepção.

Cerca de 44% dos homens férteis comiam frutas e vegetais diariamente, em comparação com apenas 34% daqueles com dificuldades de concepção. Os voluntários que tinham acabado de ter filhos também comiam mais ovos, enquanto as mulheres comiam mais feijões, vegetais e frutas, em comparação com aquelas que ainda estavam tentando engravidar. Nos homens, o consumo de frutas, vegetais e ovo (fontes de selênio e zinco) ajuda a manter um alto nível de testosterona. Já nas mulheres, uma alimentação rica em feijões, nozes e leguminosas é uma rica fonte de ferro, ácido fólico e vitamina B12, que são importantes para o desenvolvimento do óvulo e para a ovulação.

Alguns tipos de atividade física podem melhorar, ou pelo menos proteger, a fertilidade masculina, aumentando as chances de concepção de um casal, revelou uma pesquisa feita na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

No estudo, homens que faziam exercícios ao ar livre ou musculação apresentaram uma maior concentração de espermatozoides no sêmen do que aqueles que não praticavam essas atividades.

Essas conclusões foram apresentadas durante o encontro da Federação Internacional das Sociedades de Fertilidade em Boston, em 2013.

Fertilidade e frequência das relações sexuais

Em relação à frequência ideal das relações sexuais, um estudo retrospectivo observou que em homens com qualidade de sêmen considerada normal, a concentração e mobilidade dos espermatozoides se mantiveram normais mesmo com ejaculações diárias. Em homens que apresentam oligozoospermia, a concentração e mobilidade dos espermatozoides podem ser até melhoradas com ejaculações diárias. Ao passo que intervalos de abstinência maiores que 5 dias podem afetar negativamente a contagem de espermatozoides, intervalos de dois estão associados e densidades normais. Os intervalos de abstinência não parecem afetar a morfologia do espermatozoide. No entanto, após intervalos de abstinência maiores que 10 dias, os parâmetros do sêmen começam a deteriorar-se.

Os casais devem ser informados de que a eficiência reprodutiva aumenta com a frequência da relação sexual, sendo maior quando a relação sexual ocorre a cada 1 ou 2 dias, além do que, fazer sexo com frequência – mesmo fora do período fértil – provoca alterações no sistema imune que preparam o corpo da mulher para a gravidez.

Quanto mais relações sexuais uma mulher tiver, mais frequentemente seu sistema imunológico receberá a mensagem de que é hora de ter um bebê – o que aumenta as chances de gravidez. É o que sugerem dois estudos publicados nos periódicos científicos Fertility and Sterility e Physiology and Behavior. Em ambos os estudos, publicados em 2015, os pesquisadores analisaram dados de 30 mulheres saudáveis e que não estavam tentando engravidar. Metade delas tinha uma vida sexualmente ativa e a outra não. As sexualmente ativas tiveram maior êxito em engravidar. Isto porque a preparação do sistema imunológico da mulher é fundamental para a gestação, uma vez que o embrião é um corpo estanho ao organismo materno, que não pode reconhecê-lo como tal, para que não seja atacado pelo seu sistema imunológico.

Conselhos nutricionais para engrossar a parede uterina

A parede uterina deveria ter uma grossura de 9 a 10 milímetros antes da implantação. Para isto, tomar suplementos de vitaminas antioxidantes C e E, bem como selênio pode ser pertinente . Isto para se proteger contra os danos provocados pelos radicais livres. Comer alimentos que contenham flavonoides, como frutas cítricas , uvas e tomates. Estes possuem propriedades antioxidantes e melhoram o fluxo sanguíneo.

Tomar um suplemento de vitamina B e assegurar que segue uma dieta rica nesta vitamina, isto para engrossar a parede uterina. A arginina, um aminoácido, também melhora a parede uterina, deve ser tomado como suplemento 

Consumir alimentos ricos em ácidos graxos essenciais, ferro e proteínas: deve incluir nozes, espinafres, sementes, alho e aveia na sua alimentação. A acupuntura pode melhorar o fluxo de sangue até ao endométrio.

Desidroepiandrosterona (DHEA) pode melhorar os resultados da gravidez

A DHEA é a precursora da androstenediona e esta, por sua vez precursora da testosterona e dos estrógenos estrona e estradiol, aos quais a DHEA é quimicamente similar. É convertida em andrógeno (hormônio masculino) ou estrógeno (hormônio feminino) dependendo do sexo da pessoa, idade e outros fatores individuais. A DHEA é o esteroide precursor quase direto da testosterona e do estradiol, mas ela própria possui fraca ação androgênica. Os cientistas descobriram uma ligação estatística entre o DHEA e as taxas de gravidez de sucesso em mulheres em tratamento para infertilidade. No primeiro estudo controlado sobre os efeitos do suplemento, os pesquisadores descobriram que as mulheres em tratamento para infertilidade que suplementaram DHEA tiveram três vezes mais probabilidade de conceber do que as mulheres que não usaram o hormônio. Em recente pesquisa publicada no Journal of Gynecology Obstetric and Human Reproduction de janeiro de 2017, foi avaliado o efeito da terapia com dehidroepiandrosterona (DHEA) na resposta ovariana e no resultado da gravidez em pacientes com diminuição da reserva ovariana (DRO). Os pesquisadores chineses analisaram um total de 9 estudos identificados a partir do PubMed, EMBASE e da biblioteca Cochrane, sendo que quatro foram ensaios clínicos randomizados, quatro estudos retrospectivos, um estudo prospectivo, incluindo 540 casos e 668 controles. A análise combinada mostrou que as taxas de gravidez clínica aumentaram significativamente em pacientes com DRO pré-tratadas com DHEA.

Os resultados obtidos permitiram aos pesquisadores concluírem que a suplementação com DHEA em pacientes com diminuição da reserva ovariana pode melhorar os resultados da gravidez.

DHEA e libido em mulheres

Os dados relativos à eficácia de desidroepiandrosterona (DHEA) no tratamento da perturbação do desejo sexual hipoativo (DDSH) são escassos e inconsistentes. Em mulheres o tratamento com DHEA teve efeito benéfico significativo na excitação, enquanto que nenhuma eficácia foi demonstrada em homens, indicando uma possível diferença de gênero. Isto parece ser mediado através do metabolismo de DHEA em testosterona. Estes resultados positivos sugerem que DHEA pode ser eficaz como um tratamento para as mulheres com hipoatividade sexual e como  visto acima , este fato pode ser determinante na fecundação

Melatonina pode ajudar tratamento de mulheres com infertilidade

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP  observaram que a melatonina, hormônio cuja principal função em humanos é regular o sono, atua na formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese) das células foliculares do ovário, relacionadas ao desenvolvimento do óvulo. A descoberta pode ajudar no tratamento de mulheres com infertilidade. A suspeita de que o hormônio estaria relacionado à maturação do folículo ovariano surgiu do fato de que há três vezes mais melatonina no líquido que o envolve do que na circulação sanguínea. Além disso, as células foliculares possuem receptores de melatonina. Os resultados indicam que a melatonina tem uma participação importante na regulação do crescimento folicular, com consequências numa melhor qualidade oocitária, e sugerem uma possibilidade de tratamento de mulheres com infertilidade relacionada a baixas concentrações do hormônio ou a problemas nos receptores nas células da granulosa.

Vitamina D e fertilidade feminina

Em 2013, vários estudos observacionais relataram um melhor resultado de fertilização in vitro em mulheres com níveis suficientes de vitamina D (≥ 30 ng / ml), que foi atribuído principalmente aos efeitos da vitamina D no endométrio. Um estudo controlado randomizado encontrou uma maior espessura endometrial em mulheres com síndrome de ovário policístico (PCOS) que receberam vitamina D durante os ciclos de inseminação intrauterina. Além disso, a suplementação de vitamina D teve um efeito benéfico sobre os lipídios séricos em mulheres com PCOS. O tratamento com vitamina D melhorou a endometriose em um modelo de ratos e o aumento da ingestão de vitamina D foi relacionado a um risco diminuído de endometriose.

Vários estudos observacionais relataram um melhor resultado de fertilização in vitro em mulheres com níveis suficientes de vitamina D

O papel da vitamina D na fertilidade masculina

A expressão do receptor de vitamina D e das enzimas metabolizadoras de vitamina D no sistema reprodutivo masculino, particularmente no testículo, sugere a ocorrência de síntese e regulação de vitamina D, bem como a função no testículo. O papel da vitamina D na modulação das funções do testículo, incluindo produção hormonal e espermatogênese, tem sido investigada em animais e seres humanos. Estudos experimentais apoiam um efeito benéfico da vitamina D na fertilidade masculina, modulando a produção de hormônios e principalmente, melhorando a qualidade do sêmen. No entanto, estudos clínicos em seres humanos são controversos. Na verdade, a vitamina D parece contribuir para a modulação da biodisponibilidade em vez da testosterona total.  A maioria dos estudos de intervenção demonstrou a falta de efeito da suplementação de vitamina D nos níveis circulantes de testosterona. O efeito mais consistente da vitamina D foi relatado na qualidade do sêmen.

 De fato, a vitamina D mostrou-se associada positivamente à motilidade espermática e a ação direta em espermatozoides incluindo modulação não genômica da homeostase de cálcio intracelular e ativação de caminhos moleculares envolvidos na mobilidade espermática, na capacitação e na reação do acrossoma que é uma bio organela presente na região anterior da cabeça do espermatozoide, que libera enzimas fundamentais para a fertilização

De fato, a vitamina D mostrou-se associada positivamente à motilidade espermática e a ação direta em espermatozoides

Um receptor de canabinoides pode ser a chave para novos tratamentos de fertilidade para homens

Em um relatório de pesquisa que aparece na edição de abril de 2016 do The FASEB Journal, os cientistas mostram que um receptor de canabinoides, chamado “CB2”, ajuda a regular a produção do esperma. Isto não fornece apenas mais evidências de que a Cannabis pode prejudicar a fertilidade em homens, mas também sugere uma estratégia terapêutica para o tratamento da infertilidade masculina. “A possibilidade de melhorar a fertilidade masculina é um dos principais focos deste estudo, uma vez que a infertilidade é um problema mundial que afeta até 15% dos casais em que os fatores masculinos representam quase 20 a 70%”, disse Paola Grimaldi, PhD., pesquisadora envolvida no trabalho do Departamento de Biomedicina e Prevenção da Faculdade de Medicina da Universidade Tor Vergata de Roma, na Itália.

O uso de um agonista do CB2, é uma nova ideia potencialmente promissora para tratar a infertilidade masculina

Para fazer sua descoberta, Grimaldi e colaboradores trataram três grupos de ratos com agentes diferentes por 14 a 21 dias. O primeiro grupo foi tratado com um ativador específico do receptor CB2. O segundo grupo foi tratado com um inibidor específico do receptor CB2. O terceiro grupo recebeu apenas uma solução salina e serviu como grupo controle. O grupo tratado com o ativador CB2 mostrou uma aceleração da espermatogênese, enquanto o grupo tratado com o inibidor apresentou uma taxa mais lenta do processo. Isso sugere que seja necessário um equilíbrio da ativação de CB2 para a progressão adequada da espermatogênese. “Que os efeitos benéficos normais dos canabinoides endógenos na espermatogênese podem ser estimulados ainda mais por um imitador químico, um agonista, é uma nova ideia potencialmente promissora para tratar a infertilidade masculina”, disse Thoru Pederson, PhD., editor-em-chefe do Jornal FASEB .

Referências

Optimizing natural fertility: a committee opinion

http://www.fertstert.org/article/S0015-0282(16)62849-2/fulltext#sec1

 The Application of Dehydroepiandrosterone on Improving Mitochondrial Function and Reducing Apoptosis of Cumulus Cells in Poor Ovarian Responders

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5479128/

 The role of vitamin D in male fertility: A focus on the testis.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=The+role+of+vitamin+D+in+male+fertility%3A+A+focus+on+the+testis.

DHEA – Saiba mais sobre este importante hormônio

www.robertofrancodoamaral.com.br/blog/dhea-saiba-mais-sobre-a-precursora-de-varios-hormonios-importantes-do-corpo/

Melatonina pode ajudar tratamento de mulheres com infertilidade

jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/hormonio-pode-ajudar-no-tratamento-de-mulheres-com-infertilidade/

Adverse effects of common medications on male fertility

http://www.nature.com/nrurol/journal/v12/n7/full/nrurol.2015.145.html?foxtrotcallback=true

Alimentos que nutrem a fertilidade

https://www.dietadafertilidade.com.br/alimentos-que-nutrem-a-fertilidade.html

Bisphenol A impairs decidualization of human uterine stromal fibroblasts.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Bisphenol+A+impairs+decidualization+of+human+uterine+stromal+fibroblasts.

Bisfenol A e seus efeitos na saúde humana

http://www.robertofrancodoamaral.com.br/blog/wp-admin/post.php?post=4729& action=edit

Obesity and male infertility.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28661897

Overweight in young males reduce fertility in rabbit model.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Overweight+in+young+males+reduce+fertility+in+rabbit+model.

Exposure to environmental noise and risk for male infertility: A population-based cohort study.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28411496

Tobacco smoking and its consequences on reproductive health: the impact of a lifestyle choices including cigarette smoke exposure on fertility and birth defects.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24501794

Infertility in women and moderate alcohol use.

http://ajph.aphapublications.org/doi/abs/10.2105/AJPH.84.9.1429

Porphyromonas gingivalis may interfere with conception in women.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28748034

‘Marijuana receptor’ might hold the key to new fertility treatments for men

https://www.sciencedaily.com/releases/2016/04/160408163828.htm

High-fat diet associated with obesity induces impairment of mouse corpus cavernosum responses.

http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1464-410X.2010.09704.x/abstract;jsessionid=B928160ADB628 3695187C2A713C5F240.f04t01

 

 

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