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Como a Terapia de Reposição da Testosterona (TRT) pode melhorar a Resistência à Insulina, Obesidade e Síndrome Metabólica

(Last Updated On: 11/02/2018)

Obesidade, resistência à insulina e diabetes tipo II. Relação com a deficiência de testosterona

A epidemia gêmea de obesidade e diabetes é uma grande crise global. Vários estudos epidemiológicos revelam a escalada paralela da obesidade e diabetes. O termo “diabesidade” expressa a relação estreita entre si, em que ambas alterações metabólicas são caracterizadas por distúrbios da ação da insulina. A fisiopatologia ligando obesidade e diabetes é principalmente atribuída a dois fatores: a resistência à insulina e deficiência de insulina. Nos últimos anos, observou-se um número crescente de trabalhos sobre os seguintes distúrbios metabólicos comuns à obesidade e ao diabetes, tais como: perfusão tecidual diminuída, distúrbios do sono, disfunção androgênica e níveis de vitamina D alterados.

A obesidade induz a resistência à insulina, atuando sobre uma diversidade de moléculas que predispõem o indivíduo a um estado inflamatório crônico e a complicações metabólicas. Diabesidade é o novo termo que caracteriza a ocorrência do diabetes em indivíduos obesos, porque já foi estabelecida uma relação direta entre o aumento do Índice de Massa Corporal (IMC) e o desenvolvimento do diabetes. A patogênese deste processo envolve um aumento da resistência à ação da insulina em tecidos periféricos, que pode ser definida como um estado em que concentrações muito mais elevadas de insulina são necessárias para produzir uma resposta biológica normal.

Deficiência de Testosterona e Diabesidade

Vários estudos têm sugerido que a deficiência de testosterona pode contribuir para o desenvolvimento da obesidade, resistência à insulina e diabetes mellitus tipo II e que a terapia de reposição da testosterona pode melhorar esse quadro.

                                           TRT

Um estudo de revisão conduzido por Cheung e colaboradores  identificou múltiplos mecanismos que corroboram os efeitos dos baixos níveis de testosterona sobre a resistência à insulina, obesidade, disfunção vascular e inflamação, e que a terapia com testosterona transdérmica representa uma alternativa para o tratamento de homens com síndrome metabólica.

Outro estudo conduzido por Haider em 2014 investigou os efeitos em longo prazo da terapia com testosterona em homens com diabesidade. Subsequente à terapia com testosterona, a circunferência da cintura diminuiu em 11,56 cm e o peso em 17,49 kg. A glicemia de jejum e a hemoglobina glicada também diminuíram. Dessa forma, a terapia com testosterona resultou em melhorias significativas e sustentadas no peso e fatores de risco cardiometabólicos em homens com diabesidade e deficiência de testosterona.

Estudo comprova que testosterona transdérmica reduz a resistência à insulina e melhora o perfil lipídico e a função sexual

O objetivo do estudo publicado no International Journal of Endocrinology por Jones e colaboradores, foi avaliar os efeitos da terapia de reposição de testosterona (TRT) na resistência à insulina, fatores de risco cardiovasculares em homens com hipogonadismo, diabetes tipo II e/ou síndrome metabólica. Para isso, 220 homens foram selecionados para participar deste estudo multicêntrico, prospectivo, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo e receber a terapia, durante 12 meses. Abaixo, veja os resultados e a conclusão do estudo:

1-   A TRT reduziu o HOMA-IR (o cálculo do índice HOMA-IR ajuda a determinar o grau de resistência à insulina) em 15,2% após 6 meses e 16,4% após 12 meses na população total;

2- Em pacientes com diabetes tipo II o controle glicêmico foi significativamente melhor no grupo TRT em comparação com o placebo;

3-  Melhorias nos níveis de colesterol total e LDL, lipoproteína A, composição corporal, libido e função sexual foram observadas após a TRT;

4-  Não houve diferenças significativas entre os grupos, na frequência de efeitos adversos, sendo que a maioria deles foi de ligeira a moderada.

Após análise dos resultados, os pesquisadores concluíram que, ao longo de um período de 6 meses, a terapia de reposição de testosterona foi associada com efeitos benéficos na resistência à insulina, colesterol total e LDL-c, além de melhorar a função sexual em homens com hipogonadismo, diabetes tipo II e/ou síndrome metabólica.

Tratamento da dor em pacientes com fibromialgia, relacionada à síndrome metabólica, com gel de testosterona: farmacocinética e resposta clínica.

Pacientes com fibromialgia comumente têm um índice de massa corporal elevado e estão fisicamente inativos, 2 principais fatores de risco para a síndrome metabólica. Para testar a hipótese de que a deficiência de testosterona desempenha um papel importante na dor crônica, um estudo piloto de Fase I/II foi realizado com 12 pacientes com fibromialgia para verificar se uma dose diária com gel de testosterona transdérmica por de 28 dias poderia: 1) aumentar de forma significativa e segura a concentração sérica média de testosterona, de níveis basais baixos para níveis médio/alto-normal e 2) tratar eficazmente os sintomas de dor e fadiga da fibromialgia. Os dados farmacocinéticos confirmaram que as concentrações plasmáticas da testosterona livre aumentaram significativamente acima dos níveis basais, por meio da avaliação da concentração máxima de hormônio. A avaliação dos sintomas típicos da fibromialgia pelo questionário do paciente e no exame do ponto sensível demonstraram mudanças significativas na diminuição da dor muscular, rigidez e fadiga e no aumento da libido durante o tratamento do estudo. Estes resultados são consistentes com a capacidade hipotética da testosterona para aliviar os sintomas de fibromialgia. Os sintomas que não estavam intimamente relacionados com a fibromialgia não foram melhorados.

A testosterona pode ser uma das razões pelas quais os homens não têm asma tanto quanto as mulheres

As mulheres adultas são cerca de duas vezes mais propensas a ter asma que os homens. O novo trabalho em camundongos descobre que a testosterona afeta as células imunes envolvidas na doença.

A síndrome metabólica (MetS) é uma síndrome que envolve pelo menos três distúrbios dislipidemia, resistência à insulina, obesidade e/ou hipertensão arterial. A MetS tem sido associada a várias doenças crônicas na idade adulta. No entanto, nos últimos anos, a síndrome foi redefinida em crianças. Meninas com menarca e asma precoce, e crianças com MetS e asma que atingem a idade adulta parecem ter maior risco de desenvolver asma grave ou difícil de controlar e maior probabilidade de sofrer doenças cardiovasculares. A testosterona pode diminuir a asma causada pela inalação de pólen, pó ou outros alérgenos no arIsso é em parte por que mais mulheres sofrem mais de doença pulmonar do que homens, sugere uma nova pesquisa.

O hormônio sexual masculino atua em um grupo de células imunes que fazem parte da primeira linha da defesa do corpo contra invasores. Essas células são consideradas responsáveis por iniciar a inflamação nos pulmões, o que faz com que as vias aéreas se estreitem durante um ataque de asma. Em ratos expostos a um alérgeno, a testosterona reduziu a resposta inflamatória, informaram os pesquisadores em publicação no Cell Reports em novembro de 2017. “Como os hormônios sexuais masculinos e femininos podem afetar o sistema imunológico é importante para entender a base molecular e celular das diferenças de gênero em doenças como a asma”, diz Nicola Heller, imunologista da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, não envolvido no estudo.

Essas descobertas podem levar a novos tratamentos e maneiras de gerenciar os sintomas, diz ela. Quando crianças, os meninos são mais propensos do que as meninas a terem asma. Mas, em torno da puberdade, quando os hormônios sexuais têm sua produção acelerada, o equilíbrio começa a mudar. Na meia-idade, as mulheres são mais propensas a sofrer de asma do que os homens. Dawn Newcomb, uma imunologista do Centro Médico da Universidade de Vanderbilt em Nashville, e colegas examinaram o impacto da testosterona em células imunes chamadas células linfoides inatas do grupo 2.

Esses linfócitos, que residem nos tecidos, como os pulmões, intestinos e trato reprodutivo, “podem ser estimulados muito rapidamente”, diz Newcomb. Em resposta a um alérgeno, as células liberam proteínas chamadas citocinas que aceleram a inflamação. Os pesquisadores relataram que os camundongos machos expostos a Alternaria alternata, um tipo de fungo foliar que pode desencadear sintomas de asma, não produziram tanta citocina quanto as fêmeas de camundongos expostas.

Em testes adicionais, os pesquisadores determinaram que a testosterona estava impedindo as células linfoides inatas de se multiplicarem nos pulmões. Menos células significaram menos proteínas e menos inflamação nos pulmões. Os camundongos machos adultos também começaram com menos células linfoides nos pulmões do que as fêmeas adultas, descobriram os pesquisadores: as fêmeas de camundongos tinham cerca de 1 ½ vezes mais dessas células imunes que os machos.

Nos seres humanos, Newcomb e seus colegas mediram o número de células linfoides inatas do grupo 2 que circulam no sangue de adultos com asma moderada a grave. As mulheres tinham cerca de duas vezes mais células do que os homens, indicando que pode haver mais nos pulmões também, diz Newcomb. A seguir os pesquisadores planejam investigar como os hormônios sexuais femininos podem afetar a asma, afirma a pesquisadora.

A Testosterona é um fator chave relacionado ao gênero na Síndrome Metabólica

A síndrome metabólica (MetS) está altamente correlacionada com doenças cardiovasculares. Embora o excesso de gordura corporal seja um fator determinante para o desenvolvimento da MetS, um nível reduzido de testosterona desempenha um papel fundamental na sua regulação. Um baixo nível de testosterona está altamente relacionado com a resistência à insulina, obesidade visceral e MetS. Pesquisadores da Universidade de Milano-Bicoccano realizaram uma revisão bibliográfica de testes clínicos no Pubmed com as palavras-chave: testosterona e resistência à insulina e testosterona e síndrome metabólica.

Foram encontrados 19 estudos sobre a correlação entre o nível de testosterona com resistência à insulina e 18 sobre o efeito da testosterona terapia na MetS. Uma alta correlação entre baixa testosterona e resistência à insulina foi encontrada nos homens, mas não nas mulheres. Administração de testosterona em homens hipogonadais melhoraram a MetS e reduziram o risco de mortalidade. Andrógeno e os receptores de estrogênio são expressos em adipócitos, tecido muscular e hepático e a sua ativação é necessária para melhorar o controle metabólico.

Normalização dos níveis de testosterona deve ser o tratamento primário em homens, juntamente com a restrição calórica e exercício físico. Essas descobertas vêm principalmente de dados correlativos e continua a ser uma necessidade a realização de novos ensaios randomizados para fortalecer essa evidência. Esta revisão considerou os efeitos da testosterona na regulação e desenvolvimento de MetS em homens e mulheres.

 

REFERÊNCIAS

Obesity and diabetes: An update.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27353549

Obesity and diabetes. 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Riob%C3%B3+Serv%C3%A1n+P.+Obesity+and+diabetes.+Nutr+ Hosp.+2013+Sep%3B28+Suppl+5%3A138-43.+doi%3A+10.3305%2Fnh.2013.28.sup5.6929.

Effects of long-term testosterone therapy on patients with “diabesity”: results of observational studies of pooled analyses in obese hypogonadal men with type 2 diabetes.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Effects+of+long-term+testosterone+therapy+on+patients+with +%22diabesity%22%3A+results+of+observational+studies+of+pooled+analyses+in+obese+hypogonadal+men+with+type+2+diabetes.

Testosterone level in men with type 2 diabetes mellitus and related metabolic effects: A review of current evidence.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Cheung+KK%2C+Luk+AO%2C+So+WY%2C+Ma+RC%2C +Kong+AP%2C+Chow+FC%2C+Chan+JC.+Testosterone+level+in+men+with+type+2+diabetes+mellitus+and+related+metabolic+effects%3A+A+review+of+current+evidence.

Testosterone replacement in hypogonadal men with type 2 diabetes and/or metabolic syndrome (the TIMES2 study).

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21386088

Pioglitazone Randomised Italian Study on Metabolic Syndrome (PRISMA): effect of pioglitazone with metformin on HDL-C levels in type 2 diabetic patients. 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Pioglitazone+Randomised+Italian+Study+on+Metabolic+ Syndrome+(PRISMA)%3A+effect+of+pioglitazone+with+metformin+on+HDL-C+levels+in+type+2+ diabetic+patients.

The effects of chitosan oligosaccharide (GO2KA1) supplementation on glucose control in subjects with prediabetes. 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=The+effects+of+chitosan+oligosaccharide+(GO2KA1)+ supplementation+on+glucose+control+in+subjects+with+prediabetes

Efficacy and safety of chitosan HEP-40 in the management of hypercholesterolemia: a randomized, multicenter, placebo-controlled trial.

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Efficacy+and+safety+of+chitosan+HEP-40+in+the +management+of+hypercholesterolemia%3A+a+randomized%2C+multicenter%2C+placebo-controlled+trial.

Chromium picolinate and biotin combination improves glucose metabolism in treated, uncontrolled overweight to obese patients with type 2 diabetes. 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Chromium+picolinate+and+biotin+combination+improves +glucose+metabolism+in+treated%2C+uncontrolled+overweight+to+obese+patients+with+type+2+diabetes.

Long-term effects of nutraceuticals (berberina, red yeast rice, policosanol) in elderly hypercholesterolemic patients. 

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Long-term+effects+of+nutraceuticals+(berberina%2C+ red+yeast+rice%2C+policosanol)+in+elderly+hypercholesterolemic+patients.

Treatment of pain in fibromyalgia patients with testosterone gel: Pharmacokinetics and clinical response.

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1567576915002453

Testosterone a key factor in gender related metabolic syndrome

https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/29356299

 

 

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4 Comentários

  1. Minerval Rodrigues disse:

    Dr. com qual objetivo os fisiculturista toma ácido alfa lipolico e Picolinato de cromo?

  2. Elianelauro disse:

    Achei muito bom o blog, principalmente por eu sofrer bastante com problemas hormonais.Entrei na menopausa aos 38 anos, tenho 48 e uso tibolona. Minha vida emocional mudou muito e física também. A reposição pouco ajuda,então é bom ler sobre esses assuntos. É de grande ajuda,com certeza.

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