Testosterona no Homem

A IMPORTÂNCIA DA TESTOSTERONA  NO HOMEM  -

ANDROPAUSA – QUEDA DE TESTOSTERONA NO HOMEM

A testosterona, principal andrógeno da circulação, é responsável pelo desenvolvimento e manutenção das características sexuais masculina e do estado anabólico dos tecidos. Os níveis de hormônios sexuais masculinos sofrem alterações com o envelhecimento, independentemente da presença de doenças específicas. Além  disso, outras situações podem  antecipar essas  alterações, como por exemplo a obesidade, situação cada vez mais  comum  nos dias de hoje.

Nas mulheres a produção dos hormônios ovarianos  cai  abruptamente,  o que proporciona os famosos “fogachos” ou ”calores da menopausa”, fazendo  com que elas  procurem o tratamento hormonal.

Em contrapartida, nos homens a queda da testosterona  é gradual  e crônica, fazendo  com que muitos não a percebam. Outro problema é o preconceito masculino  de admitir que estejam com este tipo de problema.

Estas situações  fazem com que a grande maioria dos homens em andropausa  não recebam tratamento adequado.

Com o envelhecimento há um incremento na prevalência de doenças cardiovasculares. Paralelamente, ocorre redução progressiva na concentração sérica dos hormônios sexuais masculinos, sendo que nas faixas etárias mais avançadas a testosterona é reduzida em, aproximadamente, 15 a 20% dos indivíduos. Os receptores de androgênios distribuem-se amplamente nos tecidos vasculares, como a aorta, vasculatura periférica e células atriais e ventriculares . Dessa forma, é possível supor que os hormônios sexuais no homem exerçam influência no desenvolvimento das doenças cardiovasculares. A queda dos níveis sanguíneos da testosterona deveria ser tão preocupante para médicos e pacientes quanto a hipertensão e o colesterol alto, pois o coração tem milhões de receptores para este hormônio (é o órgão do corpo com maior número de receptores para testosterona).

Nos EUA apenas  7% dos homens com queda de testosterona estão em tratamento.

Clique no link abaixo  e veja  os efeitos   cardiovasculares da testosterona:

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X2002001500013&script=sci_arttext

 

A queda  da testosterona pode começar a ocorrer  aos 30 anos de idade. Porém, vemos  homens  mais novos com níveis baixos deste hormônio, principalmente  quando associado à obesidade, estresse, contaminação ambiental por xenostrógenos e uso prévio  de anabolizantes.

Um pouco de fisiologia:

A hipófise, uma glândula cerebral, libera dois hormônios  que se chamam LH  e FSH. Ambos, a partir da puberdade, vão até  os testículos e estimulam a liberação de testosterona e produção de espermatozóides.

 

O  ápice da produção da testosterona ocorre em geral aos 25 – 30 anos, idade em que seus níveis podem  começar  declinar.

Formação  dos hormônios esteróides a partir do colesterol

 

 

Note que a principal matéria-prima para a formação de testosterona e dos outros hormônios esteróides é o colesterol. Assim, níveis de colesterol total abaixo de 140 mg/dL comprometem a produção de hormônios esteróides. O que muita  gente não sabe é que níveis baixos  de  colesterol  são  tão  ruins ou até piores  que níveis altos.

 Causas da diminuição de testosterona:

 A importante enzima aromatase é responsável pela conversão de TESTOSTERONA em ESTROGÊNIOS  (estradiol e estrona).

As células de gordura produzem uma enzima chamada aromatase. Esta enzima transforma testosterona em estradiol e estrona (hormônios primariamente femininos). O envelhecimento e a obesidade, potencializam a ação da aromatase diminuindo os níveis de testosterona e aumentando os níveis de estradiol e estrona. O estradiol e a estrona em altos níveis causam impotência, baixa libido, irritabilidade, cansaço, aumento de mamas (ginecomastia) e até câncer de próstata.

 

 

A boa notícia é que é totalmente possível inibir a aromatase, bloqueando a conversão de testosterona em estradiol e estrona.  A má notícia é que a maioria dos homens que fazem reposição de testosterona não tem seus níveis de estradiol dosados. Níveis altos de estradiol são tão ruins quantos níveis baixos de testosterona.

O estradiol bloqueia a testosterona, caso ele esteja alto. Os receptores são muito parecidos. Os famosos “bombados” de academia já sabem disso há muito tempo e fazem uso de medicações que bloqueiam completamente a aromatase para evitar o aumento das mamas (ginecomastia).

Porém não sabem que a aromatase deve ser bloqueada de forma parcial, já que níveis adequados de estradiol (nem altos e nem baixos) no homem também são muito importantes. É este hormônio que sensibiliza os receptores da testosterona no cérebro e além disso são responsáveis pela formação de massa óssea.

 

Sinais e sintomas típicos encontrados em idosos com queda testosterona e aumento de estradiol :

O câncer de próstata e a testosterona

O único motivo  que levou os médicos a pensarem  que a testosterona causa  câncer foi que um dos tratamentos  para este câncer consiste em bloquear este hormônio. O  câncer em atividade  se alimenta de testosterona, mas em pessoas  sem câncer ela protege.

A maior incidência deste câncer ocorre em homens na terceira idade que possuem baixos níveis de testosterona e altos níveis de estradiol. É o desbalanço entre este dois hormônios associado a outros fatores que leva ao câncer.

Leia este artigo publicado em um importante jornal de endocrinologia e comprove:

Orientação para Terapia da Testosterona em Homens : Perspectiva de um Médico

http://jcem.endojournals.org/content/92/2/416.full

 

Estudo mostra que baixos níveis de testosterona estão relacionados a uma maior incidência de câncer em homens:

Baixos níveis de testosterona e de marcadores inflamatórios aumentados, em doentes com câncer e relação com a caquexia.

http://jcem.endojournals.org/content/97/5/E700.abstract?sid=a83018ca-dcf8-4cf8-a40b-43bddb1712a5

 

Quadro clínico da andropausa:

Enganam-se homens que pensam  que só  porque  estão com  o desejo  sexual normal, não estão na andropausa. Antes de a libido cair  todos os sintomas citados  aparecem primeiro, e quando  a impotência se instala  demora-se mais para revertê-la apenas com  testosterona.

Quadro laboratorial da andropausa

Apenas  um dos itens  ocorrendo, associado ao  quadro clínico citado acima se indica  a reposição de testosterona bioidêntica  transdérmica.

Como é o tratamento?
Reposição  hormonal com testosterona com  dose individualizada  caso  haja  indicação  clínica e laboratorial.
Bloqueio  parcial da aromatase  para controle dos níveis de estradiol caso haja  necessidade.

Logicamente, o tratamento  é temporário  se a causa não for ligada ao envelhecimento. Como  dito  acima,  situações  estressantes agudas ou crônicas podem diminuir a testosterona temporariamente, por exemplo. E em casos  assim o tratamento é também é temporário.

Como é  o acompanhamento?
No  primeiro ano os  níveis  hormonais  devem  ser  dosados a cada três meses  e  no segundo ano  a cada 6 meses. Os níveis  de PSA devem ser monitorados  regularmente, assim como  os níveis de LH, hematócrito,função renal e hepática,perfil lipídico e marcadores de inflamação  como  PCR – US  e fibrinogênio.

O acompanhamento urológico em homens com mais de 40 anos deve ser mantido.

 

 

Dr Roberto  falando na  rádio CBN  sobre a Andropausa, testosterona , estilo de vida e anabolizantes
Primeira parte : http://www.portalcbncampinas.com.br/?p=20710
Segunda parte:  http://www.portalcbncampinas.com.br/?p=20713
Terceira parte:  http://www.portalcbncampinas.com.br/?p=20716
Quarta parte :    http://www.portalcbncampinas.com.br/?p=20720
Quinta parte:     http://www.portalcbncampinas.com.br/?p=20723

Referências

  1. Bhasin S, Cunningham GR, Hayes FJ, Matsumoto AM, Snyder PJ, Swerdloff RS, Montori VM 2006 terapia de testosterona em homens adultos com deficiência de androgênios:. um Endocrine Society diretriz de prática clínica J Clin Endocrinol Metab 91 :1995 -2010
  2. Rhoden EL, Morgentaler A 2004 Riscos da terapia de reposição de testosterona e recomendações para o monitoramento. N Engl J Med 350 : 482 -492
  3. Hwang TI, Chen Tsai TF HE, Lin YC 2006 O uso combinado de andrógeno e sildenafil em pacientes com hipogonadismo que não respondem ao sildenafil sozinho. Int J impôt Res 18 : 400 -404
  4. Traish AM, Toselli P, SJ Jeong, Kim NN 2005 acúmulo dos adipócitos em corpo cavernoso do pênis do coelho orchiectomized:. um mecanismo potencial de disfunção veno-oclusiva em deficiência androgênica J Androl 26 : 242 -248
  5. Reyes-Vallejo L, S Lazarou, Morgentaler A, a resposta sexual subjectiva à terapia de reposição de testosterona com base iniciais dos níveis séricos de testosterona total. J Med sexo, no prelo
  6. Vermeulen A, L Verdonck, Kaufman JM 1999 A avaliação crítica de métodos simples para a estimativa de testosterona livre no soro. J Clin Endocrinol Metab 84 : 3666 -3672
  7. Rosner W, Auchus RJ, Azziz R, Sluss PM, Raff H 2007 Declaração de Posição: utilidade, limitações e armadilhas na medição de testosterona:. uma declaração de posição Endocrine Society J Clin Endócrinas Metab 92 : 405 -413
  8. Bremner WJ, Vitiello MV, Prinz PN 1983 Perda da ritmicidade circadiana dos níveis de testosterona no sangue com o envelhecimento em homens normais. J Clin Endocrinol Metab 56 : 1278 -1281
  9. Morgentaler A.  2006 Testosterona e câncer de próstata: uma perspectiva histórica sobre um mito moderno. Eur Urol 50 : 935 -939
  10. Marcas LS, Mazer NA, Mostaghel E, Hess DL, Dorey FJ, Epstein JI, Veltri RW, Makarov DV, Partin AW, Bostwick DG, Macairan ML, Nelson PS 2006 Efeito da terapia de reposição de testosterona no tecido da próstata em homens com hipogonadismo de início tardio: um ensaio clínico randomizado. JAMA 296 : 2351 -2361
  11. Morgentaler A, Rhoden EL 2006 Prevalência de câncer de próstata entre os homens com hipogonadismo com níveis de antígeno prostático.Urology. 2006 Dec;68(6):1263-7. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17169647

 

Outros Estudos:

Combinação  de testosterona com hormônio crescimento melhora desempenho físico em homens mais velhos

http://edrv.endojournals.org/content/33/3/314.abstract

Níveis altos de testosterona estão associados  a melhor qualidade de vida no homem  idoso  proporcionando maior massa magra e óssea

http://jcem.endojournals.org/content/96/12/3855.abstract?sid=5854c16d-8f99-46b9-aaa0-3c65ab043c04

 Reposição de testosterona diminui mortalidade em  homens

http://jcem.endojournals.org/content/97/6/2050.abstract?sid=c094a5f2-80bb-478c-8381-3f0bc0912a1e

 

Reposição de testosterona diminui a resistência a insulina  em  homens com diabetes tipo 2

http://edrv.endojournals.org/cgi/content/meeting_abstract/34/03_MeetingAbstracts/OR22-1

 

Níveis baixos de testosterona livre prediz morte por doença cardiovascular

http://jcem.endojournals.org/content/97/1/179.abstract?sid=c094a5f2-80bb-478c-8381-3f0bc0912a1e

 

 Níveis altos de testosterona reduz  em 5 anos a incidência de eventos cardiovasculares.

http://content.onlinejacc.org/article.aspx?articleid=1146860

 

Reposição de testosterona melhora a composição corporal e não aumenta a chance de doença cardiovascular. http://jcem.endojournals.org/content/98/5/1891.abstract3

 

Testosterona melhora a memória em homens com Alzheimer,segundo estudo da Neurology.

 http://www.neurology.org/content/64/12/2063.short?sid=9b941613-0854-4b45-ad7d-fe44b4ee01f8

 

Reposição de testosterona pode ajudar  homens  obesos a emagrecer: ”  A normalização da testosterona em homens com obesidade mórbida, combinada à dieta e a exercícios, com SM e baixos níveis de testosterona, pode livrá-los da SM, melhorando o humor e o vigor para seguir uma dieta e exercícios”

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0004-27302009000800021&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

Testosterona pode não piorar o câncer de próstata

http://revistaonco.com.br/noticias/testosterona-pode-nao-piorar-o-cancer-de-prostata/

Há muito, médicos defendem que homens com câncer de próstata não deveriam receber testosterona, já que o hormônio pode alimentar o crescimento tumoral. Porém, um pequeno estudo traz evidências de que o medo pode ser exagerado, pelo menos em pacientes sem evidência de doença metastática ou recorrente.

Pesquisadores estudaram 13 homens com uma pontuação de 6 ou 7 na escala de Gleason de 10 pontos, indicando câncer de próstata pouco ou moderadamente agressivo. Todos eles inicialmente escolheram a observação cuidadosa ao invés de tratamento para seus tumores. Todos os homens tinham baixa testosterona.

Os homens foram tratados com testosterona por 2,5 anos em média e foram submetidos a biópsias periódicas. Nenhum dos tumores progrediu ou se espalhou para outros órgãos. Um dos indivíduos cuja pontuação havia subido de 6 para 7 teve sua próstata removida, mas o exame patológico final não encontrou doença agressiva.

Os autores reconhecem que o estudo, publicado  no The Journal of Urology, foi pequeno e retrospectivo. Mesmo assim, é o primeiro a usar biópsias para monitorar os efeitos da testosterona em homens com câncer de próstata localizado e não-tratado. O autor principal, Abraham Morgentaler, professor associado de cirurgia em Harvard, disse que os achados desse e outros estudos recentes sugerem que os riscos de terapia com testosterona podem ter sido exagerados.

Fonte: The New York Times

 

Reposição de testosterona  deve ser feita  mesmo em  homens que tiveram câncer de próstata  

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23395803

 

Testosterona melhora  sinais de insuficiência cardíaca  sem  alterações prostáticas

http://newsroom.heart.org/news/testosterone-supplements-may-help-231973

 

Reposição de testosterona aumenta níveis de IgF1 
 http://www.nature.com/pr/journal/v41/n2/full/pr199777a.html

 

Disfunção sexual em idosos: idade ou doença

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16391544

 

Arteriosclerose e  testosterona

http://www.atherosclerosis-journal.com/article/0021-9150(96)05864-9/abstract

 

Não há correlação entre  testosterona e câncer de próstata

http://www.nature.com/ijir/journal/v18/n4/full/3901418a.html

 

Nível baixo  de testosterona  é fator de risco para doença cardiovascular

http://www.nature.com/ijir/journal/v21/n4/full/ijir200925a.html

 

Reposição de testosterona deve  obedecer quadro clínico e não exames de sangue 

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24002591

 

Testosterona e obesidade 

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24002591

 

Reposição de testosterona deve obedecer  quadro clínico e não exames de sangue. 

Iwase H. et al. 2013  Ethinylestradiol is beneficial for postmenopausal patients with heavily pre-treated metastatic breast cancer after prior aromatase inhibitor treatment: a prospective study. Br J Cancer,  2013 Sep 17; 109(6):1537-42.

 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/?term=Ethinylestradiol+is+beneficial+for+postmenopausal+patients +with+heavily+pre-treated+metastatic+breast +cancer+after+prior+aromatase+inhibitor+treatment%3A+a +prospective+study.+Br+J+Cancer%2C++2013+Sep+17

 

Testosterona e sistema cardiovascular.

Oskui PM et al. 2013 Testosterone and the Cardiovascular System: A Comprehensive Review of the Clinical Literature . J Am Heart Assoc. 2013 Nov 15;2(6).    

 http://jaha.ahajournals.org/content/2/6/e000272.full